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Garganta Funda

Fevereiro 24, 2013

O jornalista estava fora de si: nunca pensara que a sua fonte dissesse tudo aquilo.

É certo que tinha à sua frente uma das peças principais do caso que estava a investigar; mas, assim, sem quase nada pedir, ser-lhe revelado tudo, com todos os pormenores, inclusive os mais escabrosos, era coisa que não contava. Sempre imaginou que ela iria rodopiar nas oratórias, produzindo uma retórica rendilhada que nada adiantaria.

– Quer acrescentar mais alguma coisa? – perguntou o jornalista, em jeito de remate, apenas para poder fechar o seu caderno de notas; tinha o suficiente com tudo o que ouvira.

– Não, penso que já tem bastante – respondeu a fonte. – Agora, tal como estava combinado, vai enviar-me um mail a colocar-me questões sobre o que, aqui, lhe contei. Depois, eu enviarei um outro, a referir que nada tenho a dizer sobre o assunto, e o que tinha já o fiz em sede própria. Publicará esta resposta na íntegra no seu artigo, certo?!

garganta

Sem mais palavras, despediram-se; nem um aperto de mão selou aquele momento, apenas um “boa tarde”, seco, encerrou o encontro.

Depois, encaminharam-se para o quarto, despiram-se e abraçaram-se na cama. As línguas soltaram-se, tomaram conta do momento e abriram caminho pelos corpos. 

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