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Orgasmos Virtuais

Setembro 23, 2012

Ele

Já comi uma, talvez duas, se calhar até três, mas uma de cada vez.

Ligo o computador e sou o maior, talho nos dedos e nas teclas balelas velhas, palavras de encantamento de um galã superior.

Blogue com pensamento, ideias, que coisas feias, sou Casanova de um tempo moderno, predador de algibeira, ataco à primeira, que é um amor.

Vem poema bucólico, é gaja com falta de peso, com a vida num inferno – Idalina você escreve com alma, suas palavras são vida -, e logo ela solta o desejo perante tão portento sedutor.

Sou grande, o grande conquistador Joaquim, como tenho orgulho de mim, tudo incha no meu peito, pena que abaixo continua minguante e com bastante falta de jeito, ah, se a minha Felisbela ainda brincasse com ela, mas também ela se cansou de tamanho tão insignificante.

Acho que exagerei na dose, já há bulha com duas, chiça que a coisa enguiça, já são três as peruas que se embrulham com as minhas investidas. Tenho que arranjar saídas antes que a casa comece a arder e salte o telhado pela janela que ainda agora acabei de escrever.

Que fazer, hoje não é dia de prazer, chamam-me lá de dentro – sim Delfina, já vou tratar da menina.

Fecho as calças, estou que não me aguento, fica para outro dia um novo intento, mas antes ainda deixo a semente – Sofia mas que bela poesia, suas palavras são o bálsamo do dia, espere por mim eternamente.

Ainda  nenhuma comi, mas quatro ou cinco já digeri.

Ela

O Verão vai quente e o prazer continua ausente.

Que faço Mariazinha? Escrevo num blogue, incendeio a cama, que me gela toda a semana, ou limpo a cozinha?

Abro a janela virtual, teclo umas letras banais, já sei que saem poemas de treta, que se lixe a cozinha, vou ficar aqui como a carochinha, bem vestida para cima, na parte digital – aí como sou boa a dizer mal -, mas nua em baixo, na zona que escondo, onde o prazer faz um jogo atrevido com a cadeira, roço-me nela enquanto vou mexendo no caldeirão a noite inteira.

Klaus Kampert

Já despachei o calmeirão, que lá dentro brinca com as criancinhas, mas, ó meu Deus, não me aparece o João Ratão para eu sentir qualquer coisinha. Já sei, outra gulosa electrónica deitou-lhe a mão ao passar. Despudorada, cabra, mal casada, quem se julga ela para numa sessão privada me roubar o deleite da minha janela e o meu prazer sufocar? Acabo já com a panela, parto a loiça, e vou-me a ela, teclo já aqui umas letrinhas bem venenosas que vão alarmar todas as vizinhas gulosas. Olha elas, sedentas de uma boa escandaleira, vão voar que nem moscas numa lixeira.

Estou pelos cabelos, não se me arruma a cozinha, o poema destalhou, lá de dentro já me chamam, com uma irritante vozinha, e orgasmo não chegou.

Desligo as luzes de mansinho, mas antes – ai que querida, minha amiga, deixo ficar muitos beijinhos.

Amanhã volto.

Escritos do ano de 2009, como ilustração de uma certa plataforma virtual, antes da vinda para o facebook.

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3 comentários leave one →
  1. Maria permalink
    Setembro 23, 2012 9:46 pm

    Muito bom, que facilidade no manejo das palavras… um estilo próprio , excelente, fechado em modernas gavetas. Sei que me repito , mas não me arrependo :).

    • Bau P permalink*
      Setembro 23, 2012 10:01 pm

      gentileza sua, apenas palavras que teimam em emergir das teclas 🙂

      • Anónimo permalink
        Outubro 31, 2012 12:52 pm

        Os dois sabemos que isso não é verdade, alguns têm, a maioria não, e o Bau é seguramente uma das pessoas que nasceu para isto. Nota-se a facilidade, a fluência, não falta nada.

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