Skip to content

Um dia como os outros

Setembro 21, 2012

Por vezes, quando me cruzo com as pessoas na rua, pergunto-me: com quantas delas poderia ser feliz se as nossas vidas, por um mero acaso, colidissem e depois se enleassem? Não sei se é destino, se karma, se deus, se estrelas, ou outro desígnio qualquer que os homens inventam quando a compreensão fica reles, mas alguma coisa haverá para que, num determinado momento, seja uma e não outra a pessoa que tropeça no nosso caminho e modifica para sempre a nossa vida, no bom e no mau.

Olhei o telemóvel e vi que tinha uma mensagem; era a Rita. Poucas palavras, apenas uma frase desavergonhada – como tantas outras que enviávamos um ao outro – a convidar os corpos a enroscarem-se naquele final de tarde. Impressionante como umas meras letras a cheirar a sexo conseguem ser mais afrodisíacas que todos as especiarias desvairadas que insistem em nos apresentar como o fósforo do prazer. Sai da universidade já a salivar de desejo.

image

Rita esperava-me à porta, de roupão branco, apenas isso no corpo, com o cabelo molhado a denunciar um banho recente. Antes de dizermos qualquer palavra, fiz-lhe cair o roupão e avancei com a boca sobre aquele corpo a cheirar a limpo. Depois do pescoço, apenas para a afoguear, baixei até aos tornozelos e comecei uma escalada pela suas pernas, pelo corpo todo, beijando cada poro que se me oferecia. Quando cheguei à sua boca, foi ela que se fez marota: recusou o beijo que me explodia nos lábios. Abriu-me a camisa e começou a passar a sua língua pelo meu peito, com pequenas trincadelas.

– Não, para! – pedi-lhe quando senti a sua boca a começar a brincar na minha zona púbica – Estou todo suado, não me sinto bem assim.

Não passaram mais de dois minutos e já estava debaixo do chuveiro a ser lavado como as crianças, a ser acariciado como os adultos. A espuma e as mãos dela brincaram com todos as zonas do meu corpo. A água que me caía na cara parecia beijar-me.

Saímos de banheira. Limpei-a suavemente; ela limpou-me de igual modo.

image

De mão dada, fomos para a cama. Deitámo-nos. Antes que o desejo inflamasse compulsivamente os corpos, e nos obrigasse a afogar a líbido em movimentos arrebatados, na procura desesperado de um final, ficámos enrolados um no outro, com pequenos beijos e carícias, como que a preparar a arena para a batalha final.

– Para! – pediu-me ela no momento em que eu lhe soprava as costas e as humedecia com a ponta da língua, enquanto o meu sexo se esfregava, entalado, nas suas coxas.

– Não. Vou torturar-te ainda mais.

– Não é isso. Para! Parece que estou a ouvir o Óscar.  

– E quem é o Óscar?

– O cão do Ricardo.

– E que raios, quem é o Ricardo?

– O meu companheiro.

Assim, comigo nu, sentado sobre as nádegas dela, na sua casa, fiquei a saber que Rita tinha um cão e um marido, ou coisa parecida. Poderia ser pior; poderia ter tomado conhecimento com eles já ali, dentro do quarto, acompanhados com uma ninhada de filhos e, já agora, também com a sogra, que naquele dia traria um bolo de brigadeiro, receita de uma vizinha brasileira, o qual cairia no chão em sintonia com os queixos espantados de todos.

Num salto, levantei-me e fiquei à espera de mais uma frase, sem adjetivação, apenas com substantivos que me dessem uma melhor explicação. Ouviu-se um cão a ladrar no corredor; pelo latido parecia corpulento.

image

– É ele – desta vez foi Rita que se levantou. – Sai, foge para a varanda!

– Sair, mas como? Quero a minha roupa.

Uma chave na fechadura impediu qualquer resgate do vestuário; malditas casas antigas, com longos corredores e a casa de banho ao fundo, sempre longe do quarto. Sem me deixar argumentar algo mais, Rita empurrou-me para a porta da varanda. Num ápice, estava nu, nas traseiras de um velho edifício, a olhar para o espaço à minha volta – um série de varandas, a maioria marquisadas, com roupa estendida, vasos de flores e um ou outro pássaro na gaiola -, como que à procura de uma saída.

Lá dentro, ouvi a Rita dizer qualquer coisa, para não entrarem na casa de banho que estava toda desarrumada.

Os minutos pareciam-me horas, enquanto esperava. Aguardava a todo o momento que Rita aparecesse na varanda com as minhas roupas e me indicasse uma saída. Mas não; quem surgiu por detrás dos vidros, com os olhos muito abertos, a fintar-me, foi Óscar, um rottweiler negro com algumas manchas castanhas. Sem latir, arreganhou a boca, mostrou os seus dentes afiados, e deixou cair saliva. Um homem nu perante um cão feroz; pior do que isso, só mesmo cair num poço de leões famintos.

Quando ele aumentou o volume do rosnar e começou às patadas contra o vidro, não hesitei, saltei para cima do muro e trepei para a varanda do lado, num piso acima. Pela teoria, os cães não saltam muros se desconhecerem o outro lado. Preferia que alguém chamasse a polícia por ter um ladrão tarado a invadir-lhe a casa, do que a ser apanhado por uma fera disposta a vingar na carne os cornos do dono.

image

Ainda a tentar organizar o pensamento – as ideias pareciam uma cristaleira depois de um terramoto -, reparei que na porta da varanda onde estava agora, por detrás do vidro, se encontrava uma velha senhora a olhar para mim seriamente. Comecei a pensar no que lhe poderia dizer, qual a desculpa menos tonta para explicar a minha presença naquele estado.

– Não sei se chame a polícia, se agradeça a Deus – disse-me ela, depois de abrir a porta. Era uma senhora elegante, bem vestida, apesar de estar em casa, de cabelos brancos, a insinuar idade avançada, igual a tantas outras que circulavam na cidade entre pastelarias, cabeleireiros e El Corte Inglês.

– Eu sei que é difícil explicar, mas não é nada de mal, foi apenas uma confusão, uma brincadeira parva que me fizeram.

– Imagino! Entre, antes que crie um escândalo. Afinal, é na minha varanda que está e esta gente ainda vai pensar que resolvi colocar o petisco a corar.

Entrei; a medo. No momento em que ela fechou a porta da varanda, ouvi o cão aos saltos lá fora e a voz de Rita a pedir a um tal Ricardo para levar o animal para dentro, que ia desassossegar a vizinhança.

– Sente-se, não fique aí especado como um David de Miguel Ângelo.

Sentei-me no sofá, cruzei as pernas e tentei tapar-me um pouco com as mãos, naquilo que era possível.

– Ó homem, esteja à vontade! Não se preocupe que eu já vi muitos homens nus na vida.

– Sim? – disse sim como poderia ter dito bata-fritas, sabia lá eu o que dizer numa situação daquelas.

– Trabalhei num bordel durante muito tempo. Fui meretriz, bom, meretriz chefe, não era uma qualquer. Levava o dia a ver homens despidos. Claro que muito poucos seriam como o meu amigo, normalmente eram mais pesados na idade e no corpo; daqueles que vão lá enganar a vida, sentir um prazer encomendado, julgando que apenas enganam as mulheres.

imagem senhora idosa

Senti que havia dias em que Deus gostava de ser rir de nós, numa espécie de vaudeville de marionetes; naquele tinha sido o meu dia. Saltei, nu, em voo picado, de uma cena de sexo para aterrar noutra de contornos bem libinosos, ainda que fossem só em memória. Limitei-me a arregalar as sobrancelhas.

– Havia de ver a sua cara – disse ela, a rir-se. – Está como uma criança a quem se lhe contou que os anões da branca de neve eram, afinal, vampiros do bosque. – Estou a brincar, meu caro. O seu estado cordeirinho perdido puxa pelo meu lado mais maquiavélico. Embora a primeira parte do que lhe contei estava correcta, vi muito homem descomposto; e de que maneira! Mas não foi com a libido; antes fosse. Fui enfermeira na guerra.

A formatação da minha cabeça – e também o seu estado pouco saudável, no momento – pelos filmes levou-me a imaginá-la na segunda guerra, a tratar dos feridos ao abrigo da Cruz Vermelha, ou coisa do género.

– Mas como foi lá parar? Portugal não participou na guerra – interpelei.

– Ouve lá, mas tu estás a pôr-me na segunda guerra mundial? Achas-me assim tão velha para tal? Estou aqui, estou a colocar-te lá fora, todo nuzinho com um bife na testa para o cão se banquetear. Falava da guerra colonial.

– Ah, nem me lembrei.

– Claro, essas cabeças cresceram já com a liberdade, especialmente com a liberdade do cinema americano, que nem se lembram que também tivemos o nosso Vietnam.

– E depois deixou de ver?

– A guerra? A guerra acabou, meu menino.

– Não, se deixou de ver os homens nus, ou só foi enfermeira na guerra.

– Não, fui enfermeira toda a vida, só que depois, quando voltei, ingressei numa maternidade e aí, como compreendes, não abundam homens.

Fez-se silêncio; senti que nem a mim nem a ela nos apetecia continuar a falar do assunto.

– Bom, antes de poder obter uma ligeira explicação do panorama que se me despencou em casa, vou ver se te arranjo uma roupa para vestires. Ainda ficas com um entorse de tanto te encolheres.

Esbocei um sorriso com um franzir de sobrancelhas. Não sabia se havia de ficar feliz com o facto de poder ter uma roupa sobre o corpo, se havia de voltar a ficar em pânico: ter vestes de homem em casa significava que poderia, a qualquer momento, aparecer mais um marido, um filho ou até um neto; saber-se-ia lá com que cão.

– Espero que se o dono delas aparecer não vá achar um pouco estranho – comentei, para ver se obtinha mais informação.

– Fique descansado, não aparece. São apenas roupas de rapazitos que guardo, depois de os trazer cá para casa e os desmembrar – voltou a soltar uma valente gargalhada, o que me deixou ainda mais aflito. – Penso que o último devia ter o seu tamanho.

A mulher caminhou para a porta – presumi de acesso ao resto da casa -, mas, antes de sair, olhou para mim:

– Não, hoje Deus foi generoso comigo. Trouxe-me um homem jeitoso, todo nu, para dentro de casa, sem eu mexer uma palha – fez uma pausa e continuou a olhar-me. – Não, só de ver a sua cara, já ganhei o dia. Homem, está com uma cara de pânico, que só visto. Eu não sei como ainda não voltou a galgar a varanda e se ofereceu ao cão, em jeito de oferenda. Por acaso não me está a levar a sério, pois não? Eu gosto muito de brincar; sou como aquelas velhas parvas solitárias que, ao apanharem gente em casa, desatam a dizer disparates por terem estado tanto tempo caladas.

Assim que ela saiu, outra personagem entrou, desta vez um gato que, ao ver a porta aberta, resolveu ver quem estava por ali. Era um gato enorme – do tipo persa, pensei – amarelo, cujo focinho quase desaparecia no meio do pelo. O bicho, primeiro, ignorou-me, foi até ao vidro da varanda e espreguiçou-se, depois veio até a mim e fintou-me. Não lhe disse nada, gatos não eram muito do meu agrado, mas naquele dia, tendo em conta os acontecimentos, até que começava a simpatizar com a espécie.

image

Não precisou de grandes mimos para se fazer a mim: começou a esfregar-se nos meus pés e ronronar um pouco; depois enfiou a cabeça entre as minhas pernas e aumentou a fricção. Pelo sim, pelo não, cobri a minha zona púbica com as mãos – e as roupas dos defuntos da velha que nunca mais apareciam. Antes que eu pudesse tomar qualquer atitude, o gato saltou-me para o colo – ainda me arranhou uma coxa – e espreguiçou-se sobre mim. Queria afastá-lo, mas não me atrevi a tirar as mãos que tapavam o meu sexo, zona que o gato cobria, agora, totalmente; apenas lhe dei uns ligeiros empurrões.

– Espero que, ao menos, sejas uma gata, para isto fazer algum sentido – comentei, ao ver que o raio do animal começou a ronronar ainda com mais força.

Assim fiquei durante cinco minutos – pareceram-me horas. O gato ou a gata – não ousei esclarecer essa dúvida, sei lá o que poderia acontecer se afastasse o pelo nessa zona crítica -, com patas esticadas à frente e atrás, espreguiçava, para não dizer acariciava, os pelos na minha pele, situação que me estava a colocar à beira de um colapso nervoso. Podia dar-lhe um safanão e o raio do bicho ia de rebolo, mas com aquelas unhas tão afiadas e tão próximas da minha epiderme desnudada, não arrisquei.

– Credo! – gritou a mulher assim que entrou. – Isto merece uma foto. Por amor de deus, que cena!

– O raio do gato não me larga, parece que está possuído. Tenho medo que me arranhe.

– Uma gata; é uma gata. Só podia ser. Amália, sai daí imediatamente.

Mas Amália – engraçado, fiquei a saber primeiro o nome da gata do que o da dona – fez-se surda, virou-se e ficou de barriga para o ar, com as pernas abertas, no meu colo, sempre em cima de mim.

image

– Eu não sei o que tem esta gata, não pode ver um homem – enquanto comentava, a mulher apanhou a dita Amália e levou-a para outro compartimento e fechou a porta. – Passo com cada vergonha, por causa do raio da gata. Felizmente que cá a casa não vêm muitos homens, mas quando aparece algum não os larga, parece que está sempre com o cio. O veterinário diz que tem um distúrbio hormonal. Deve ser por contágio da vizinha do lado, que também não pode ver um homem, tanto que até se esquece que tem um namorado com um cão pouco amigo de traições. Vá, vista isto. Componha-se. Devem servir-lhe.

Serviria, mas com esforço: a t-shirt parecia pequena, haveria de me ficar justa, como se quisesse ir a uma discoteca exibir os músculos; as calças só com esforço apertariam e as canelas ficariam à vista. Apesar de tudo, era melhor do que estar ali naquele estado, com o corpo desabrigado. Levantei-me para me vestir, mas senti embaraço. Ela percebeu.

– Pode ir à casa de banho; é na porta do fundo do corredor – disse-me, embora eu não prestasse total atenção, pois ainda não estava a entrar no corredor e já estava a tentar abrir a primeira porta que me apareceu. Estava fechada. A segunda também não se abriu. Estranhei a razão por que uma pessoa, aparentemente solitária, mantinha as divisões trancada. A terceira abriu; infelizmente. Fiquei em estado de choque.

À frente dos meus olhos, estava uma cabeça, ensanguentada, de olhos arregalados, a sair de uns plásticos amontoados no centro da sala; o excesso de sangue e a minha estupefacção não permitiram distinguir se era uma cabeça de homem ou mulher. Ainda debaixo do plástico, surgiam um braço e uma perna, também ensanguentados, e sem posição coerente com a cabeça, o que parecia indiciar um esquartejamento.

Fiquei gélido; recuei e encostei-me à parede, sem saber o que dizer, o que fazer. A turbulência daquele dia parecia não parar, como se uma ventoinha disparasse absurdos grotescos a cada momento.

– Então, foi espreitar o que não devia – disse-me a mulher, de repente, não a vira chegar, o que me provocou um susto. – Calma, não tenha medo. Olhe que o outro teve medo e acabou assim, todo desfeito.

Pela primeira vez senti que a minha coragem era coisa fraquinha, os pés pareciam pregados ao chão e a boca ficou colada. Reparei que aquela mulher, com cara de ser uma avozinha querida, daquelas que fazem scones – sim, porque queques é mais coisa de empregada – para o lanche dos netinhos – e que eles deitam fora porque preferem bollycaos -, estava ali à minha frente a olhar-me de uma forma muita séria, e pior do que toda e qualquer seriedade, com uma grande faca de talhante na mão.

Dizem que o melhor motor da força não é a coragem, mas sim o medo; assim foi. Completamente em pânico, avancei sobre a mulher e dei-lhe um encontrão, tão forte que a atirei para dentro do quarto onde estava o corpo esfacelado. Sem perder tempo, procurei uma saída. Abri e fechei portas ao ritmo de uma comédia teatral dos anos 70. Finalmente uma porta abriu-se.

Entrei numa sala escura com uma mesa iluminada, onde estavam três sujeitos já meus conhecidos, infelizmente.

image

– Não acredito que isto tenha sido mais uma prova – lamentei, perante aqueles três homens de fatos negros e gravatas luminosas. – Outra vez? Não fiz já que chegasse?

– Meu caro Manuel Sampaio – disse o homem que estava a meio da mesa –, sabe bem que para receber o subsídio de desemprego tem que prestar provas; não é ficar em casa no bem bom ou andar pelas universidades a engatar miúdas. A de hoje até que nem foi má, reagiu como o esperado, apesar do objectivo de entrar aqui já vestido não o ter cumprido, vai ser penalizado por isso.

– Mas não podiam fazer a coisa de outra maneira, tinham mesmo que meter cadáveres?

– Com essa ideia ainda vai perder mais pontos pela desconcentração. Não viu que aquilo era uma instalação, feita com um manequim? A senhora é uma reformada com manias de artista plástico. Tirando isso, não esteve mal. Penso que conseguirá manter o subsídio.

– Como assim?

– Já sabe que a maior parte do subsídio de desemprego que as pessoas recebem, neste momento, provém dos direitos televisivos das provas segredo que efectuam. Esta está muito boa, tem acção, sexo, nudez, humor e algum terror, não deve ser difícil vendê-la.

Sem me preocupar mais com a roupa, preparei-me para sair e resgatar a minha vida normal de volta.

– Sabe quando poderá ser emitido? – perguntei antes de fechar a porta.

– Não faço ideia – respondeu o único homem de negro que falava, ou outros só poderiam ser figurantes para dar ideia de grande profissionalismo -, de qualquer forma deve passar a uma hora tardia. Pelas cenas que contém não poderá ser transmitido a uma hora familiar. Isto é um programa decente de um governo decente, não um regabofe qualquer.

A versão original contém outro final, dado tratar-se de um conto policial sobre o desaparecimento misterioso de uma velhota, cuja única pista é uma gata com manias atrevidas; mas a sua extensão não era compatível com plataformas blogueanas, pelo que lhe foi dado um términos mais abrupto.  

Anúncios
No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: