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O papel do sonho

Julho 8, 2012

Eles não sabem que o sonho – por vezes – entorpece a vida. Ele também na sabia; melhor dizendo, desconfiava um pouco de tal enfraquecimento, mas nunca imaginara que isso o tornaria cativo.

Quando era miúdo – época em que os sonhos embalam os dias – nunca quis ser aquilo que os outros afiguravam num futuro com mais altura e pelos no corpo: futebolista – se o Eusébio viera lá das Áfricas para ser um herói, porque não um filho da terra, que sempre estaria mais perto da capital -, bombeiro – era uma festa quando eles passavam, afogueados e apitar a caminho de mais uma seara em chamas -, astronauta – mesmo que os mais velhos conjecturassem que tudo aquilo era uma pantominice dos americanos, quem não queria andar aos saltos lá em cima – ou até mesmo doutor – sim, porque desde pequenino há que abrir caminho ao respeito – nunca foram coisas que lhe habitaram a cogitação.

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Fabricante de livros foi a primeira coisa que almejou em pensamento; assim, uma espécie de construtores de histórias, que pregaria personagens, coisas e enredos dentro das páginas de papel, bem ao jeito do armazém do Serafim Carpintarias, onde ele via entrar tábuas e pregos e depois sair lindas mesas e cadeiras pintadas a vermelho, azul ou amarelo. Não sabia como podia arranjar as suas tábuas e pregos para martelar dentro do livro, mas alguma matéria haveria de encontrar.

Assim, resolveu começar a dobrar as folhas grandes de papel da mercearia dos pais em pequenas páginas, que depois enchia com os desenhos das pessoas que tinham que morar nas suas histórias. Para lhe dar saliência de encantar, e lhe inspirar os rabiscos, imaginava cada cliente da mercearia como uma das suas personagens:

a D. Elvira, baixinha, anafada, de preto, seria uma condessa má, muito má, que moraria num palácio para infernizar a vida de alguém – também, constava lá na terra que a mulher, a real, não a aristocrática imaginada, era má como as cobras; aliás, ele mesmo já sentira na pele a maldade da senhora quando ela o agarrou, um dia, pelas orelhas, ao apanhá-lo a colher laranjas da sua horta, e o levou de arrasto até casa, para, depois, ficar especada à espera do respectivo correctivo a dar pelo pai; só umas boas correadas saciariam a sua ânsia de vingança por ter ousado tocar nos frutos que apodreciam na árvore;

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a Isabel ainda não sabia se seria princesa ou moça pobre que ficaria muito rica, uma coisa ou outra, mas ela teria que ficar bem na vida, com uma cara daquelas merecia todas as riquezas – até porque era a rapariga mais bonita da aldeia e ele quase que ficava paralítico, do corpo e das ideias, quando ela entrava na mercearia e lhe pedia um quarto de manteiga, só mesmo um berro de D. Elvira (acorda rapaz, pareces atrasado mental), que tinha a mania de estar lá no mesmo momento, o despertava da hipnose;

a professora Lurdes, com a sua cara redonda e risonha (a menos que não soubessem a tabuada e o hino, coisa que a punha furiosa, estava sempre bem disposta, ao contrário da anterior que chegava a partir a régua em cima de quem se não lhe trauteava os rios e as linhas de caminho de ferro, do continente e do ultramar), seria na mesma professora, ensinaria a ler e a escrever alguém que andaria perdido, um rapaz qualquer, que depois se tornaria num génio, inventaria uma máquina de fazer dinheiro, bolos e livros para salvar o mundo com coisas boas – ela não costumava aparecer muito na mercearia, encomendava-lhe a ele as suas necessidades, para depois lhe serem entregues, no dia seguinte, na escola, mas, mesmo assim, teria que entrar para dentro livro, não era justo que a pessoa que lhe ensinara as primeiras lições das fábrica ficasse de fora do engenho.

Ainda traçou mais algumas personagens nas tardes que ficava atrás do balcão a aviar clientes; mas, ao fim de algum tempo, achou que já tinha mulherio a mais dentro do seu livro; além do miúdo que ia inventar a máquina de fazer coisas boas, não havia rasto de masculinidade na sua oficina de personagens. Assim, achou que a solução era passar para a sala do lado e observar a clientela da taberna, também da família, onde só entravam homens e rapazes que já não usavam calções. Mas havia um problema: a mãe, senhora de bons credos, proibia-o de levantar as cortinas e ficar na taberna; os ouvidos dele eram ainda muito novos para escutarem semelhante praguejar javardo que só os homens sabiam fazer. Apenas o irmão, rapaz mais velho, tinha autorização para estar detrás do balcão a aviar copos de vinho enquanto o pai dormia a sesta.

– Quando fizeres a 4ª classe já podes ir para a taberna – disse-lhe o pai um dia, em jeito de oferenda, quando a mãe ralhava por ter apanhado o seu menino a espreitar por detrás da cortina que abria o espaço proibido. – A tua mãe tem razão por agora, mas não podes ficar toda a vida agarrado à saia dela na mercearia, senão ainda me sais maricas.

Quis o destino que não fosse necessário esperar um ano: o seu irmão, precisamente na hora da sesta do pai, precisava de sair e não podia deixar a taberna sozinha; ao que constava, havia uma moça, cujo pai também dormia sesta àquela hora, que ficava livre para pequenos encontros ao fundo da horta.

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Assim, ele lá serviu os copos, empoleirado numa caixa de tomate – maldito balcão, porque tinha que ser mais alto do que a da mercearia? -, enquanto tomava notas sobre quem os bebia. A escolha não era fácil, àquela hora não aparecia muita gente, só os tresmalhados da sesta, com más contas com o sono e com a vida, vinham matar o tempo na taberna. Mesmo assim, ele achou que:

o Leopoldino, homem seco, calado e arrastado na andar, seria um fantasma lá no tal castelo ou palácio, assombraria especialmente a condessa má e ajudaria a princesa ou a rapariga que ficaria rica – não era difícil ele encarnar semelhante destino, andava ali pela terra a arrastar os dias desde a morte da mulher e da filha num acidente com a zorra que trazia o pessoal da monda e virara na herdade dos Caídos, havia mesmo quem dissesse que ele estava a morrer aos poucos, não pelo desgosto, que até o tinha, mas porque as falecidas teimavam em aparecer-lhe à hora da sesta para o levar com elas;

o João Carrascal, rapaz robusto e pujante, seria um lacaio da Condessa que queria ficar com a rapariga e a levaria para longe, para que ela não ficasse com o rapaz que ia inventar a máquina de coisas boas – não é que ele fosse má pessoa, mas no livro tinha que ser mau, pois forte e apessoado como era, na terra as moças suspiravam todas por ele, especialmente depois de o bravo pegar de caras o touro na garraiada das festas, se fosse bom, claro que a princesa ou a rapariga que ia ficar rica o preferiria a ele e não ao inventor de máquinas;

o Custódio, homem reservado, que aparecia de vez em quando na terra, tinha que ser um perseguido, um injustiçado, que ia ajudar o rapaz inventor a encontrar a princesa ou a rapariga que ia ficar rica – com o que se dizia dele não lhe podia dar outro destino dentro do seu livro, em baixa voz comentava-se que ele fora levado por se ter revoltado contra o governo e que estivera preso numa prisão especial da capital, sitio onde punham as pessoas acordadas dia e noite, embora da sua boca nunca se ouvira nada a esse respeito, era como se lhe tivessem arrancado a língua.

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Muitas folhas foram necessárias para rascunhar as personagens, os sítios e o que elas iam dizer no seu livro; tanta foram as folhas, que o pai, um dia, ao querer embrulhar as mercearias de D. Elvira – mulher abastada, só de bacalhau levava dois quilos -, notou na falta do papel. Foi um alarido tamanho.

– Também não é de estranhar a falta, o miúdo está sempre aí a escrevinhar coisas, sabe Deus o quê – comentou D. Elvira, em jeito de rastilho. Não bastaram mais de cinco minutos, a primeira obra da fábrica de livros estava rasgada em mil pedaços e o seu autor a chorar um valente par de estalos.

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A fábrica de histórias não chegou a abrir. Só quando fez a 4ª classe voltou a pensar em retomar o negócio com o pedido de uma máquina de escrever como presente; mas depressa abandonou a ideia quando lhe foi dado, como alternativa, uma bela bicicleta. Não faltavam bons campos para calcorrear e as histórias podiam esperar melhores dias.

Esses dias vieram, assim como a bendita máquina de escrever: vira uma pequena Olympia numa montra da cidade e ficara apaixonado por ela; as prendas da madrinha – toma lá este dinheiro para juntares para a tua boda – cobriram a despesa.

Já ia avançado no liceu, que frequentava na cidade, quando resolveu retomar o negócio da fábrica. Inspirado pela loucura nova da televisão, a telenovela Gabriela, decidiu, também ele, começar a escrever folhetins especiais: fabricava a história com os nomes das pessoas da terra. Punha D. Conceição a viver um romance num castelo francês, o Gregório a perder-se em aventuras por África, com encontros com Tarzan e tudo, até o senhor Padre Martins tinha que enfrentar as assombrações de um mosteiro terrível. Tal foi o sucesso que as encomendas choviam; todos queriam ter um pequeno romance com a sua marca, especialmente rapazes pretendentes que, assim, se apresentavam às suas desejadas para lhes pedir namoro, nada como uma boa história, em que elas acabavam ricas e belas nos braços de herói – que, só por acaso, tinha nome de moço da terra –, para as derreter.

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Nascia a Fábrica de Livros; ainda que fossem só uma dúzia de folhas – se a inspiração fosse forte lá chegaria às vinte – não deixavam de ser livros como os outros; é certo que não tinham vistosas capas, mas dentro deles habitavam histórias tão empolgantes como os romances de lombadas de letras douradas que a madrinha tinha, em fila, no móvel da sala de estar e que só eram tocados para se limpar o pó – não mexas que descompõe, fazem uma prateleira muito bonita.

Foram tardes e tardes a martelar na Olympia. Gostava de ouvir o som das teclas, parecia uma espécie de música que o inspirava e o embalava, tanto que, por vezes, partia para parte incerta, numa espécie de voo planado, em cima das suas páginas, sobre os mundos que criava; só mesmo um berro do pai ou da mãe – havia clientes a mais da taberna ou na mercearia e precisavam de uma mão – o faziam regressar desses pequenos mundos que sobrevoava. Mas um dia, houve um berro que não ouviu: o seu pai apertou-se-lhe o coração com uma dor muito forte e bem chamou pelo filho, mas o som das teclas abafaram-lhe os gritos – só pode estar possuído pela coisa, se até a vizinhança ouviu as súplicas, não acudiram logo porque não discorreram que seria coisa tão grave -, e o pai acabou estendido por detrás do balcão sem que qualquer alma segurasse a sua, nem o Ti Leopoldino, que bebia uns copos a um canto, deu por nada, cuidou que seria mais umas das suas assombrações a querer atormentá-lo.

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No dia seguinte, duas coisas foram a sepultar: o pai, no cemitério da terra, e a máquina de escrever, no sótão das coisas esquecidas.

Foram precisos muitos anos para que o sonho voltasse a ser destapado. O pó do tempo foi compensado com os ventos da electrónica. Já não ouvia a música das teclas, mas o brilho do ecrã a ser pintado pelas suas palavras fazia-o sentir-se um grande pintor de histórias: a fábrica deixara a velha carpintaria para entrar na modernidade. Deixara de ter as gentes da sua terra para lhe lerem as folhas soltas de uns folhetins desvairados, ao sabor dos nomes e das vontades locais, para ter, agora, o mundo inteiro do outro lado do ecrã. E esse mundo, por cortesia, dizia-lhe coisas bonitas. Ele fingia acreditar; se as coisas fossem realmente bonitas a sua fábrica pelo menos teria produzido uma peça real, simples que fosse, como a cadeira de criança do Serafim Carpintarias – pequena, apenas umas tábuas direitas, pintadas de vermelho com flores, com um fundo de bunho -, e não meras páginas electrónicas que se criavam e desfaziam num instante.

Mas havia um outro mundo que não dizia coisas bonitas; ele também sabia isso. Assim, apesar de estranho, não sentiu grande surpresa quando se viu ali.

Ele quase que não conseguia movimentar-se na cela, cada passo pesava-lhe uma dor como se o pequeno espaço fosse do tamanho do mundo; os dois livros de chumbo, amarrados aos pés, não lhe facilitavam a tarefa. A cama, um estrado feito de livros encaixados, também não lhe facilitava o descanso – agora é que as dores de costa iam piorar. Mas a sua estada naquele cubículo de quatro metros quadrados, cujas paredes eram prateleiras cheias de livros, não tinha como objectivo o ócio; sabia bem que todo o sonho tem o seu espectro, e o seu escrevia-se ali.

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À hora do costume, apenas uma vez por dia – já que só lhe era permitida uma refeição -, sentia o postigo da porta da cela abrir-se; depois, alguém do outro lado atirava-lhe o repasto.

– Come isso tudo para ver se aprendes alguma coisa – ouvia sempre dizer, como se fosse uma gravação; mas não era, porque a voz e o tom mudava a cada entrega.

Ele, como costumava fazer todos os dias desde que ficara cativo, levantou-se e arrastou-se a custo – aquela Guerra e Paz de chumbo estava cada vez mais pesada – até à porta, onde apanhou mais um livro: Crime e Castigo, do Dostoievski. Sem grandes hesitações – se se recusasse ia ser pior, alguém viria para o obrigar com choques eléctricos – começou a arrancar as páginas e a devorá-las. Vá lá, estas estavam melhores do que o Ulisses do James Joyce, afinaram o tempero e as letras estavam mais bem passadas, não se pegavam ao céu-da-boca. Mas a felicidade degustativa depressa lhe passou; pressentiu que aquele melhoramento de sabor não seria bom sinal, alguma coisa estaria para acontecer. Não se enganou.

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Ainda não tinha devorado a página final com “Esse poderia ser tema para novo conto, porque este nosso está acabado”, e já ouvia umas trombetas. Lá fora, no extenso corredor, decorado como se uma biblioteca fosse, um grande livro, no topo das escadas, abriu a capa e começou a soltar as suas páginas vermelhas, coladas umas às outras, numa espécie de rolo, de forma a ficarem estendidas no chão como uma passadeira.

Os guardas, fardados com coletes em aço, onde estavam gravados aforismos da literatura, apressaram-se a formar duas alas, uma de cada lado, ao longo do tapete recém-estendido. Em jeito de coreografia sincronizada, assim que terminou o alinhamento, ela surgiu no topo da escadaria que inaugurava o longo corredor. Passo a passo, a grande diva começou a descer os degraus. No seu longo vestido preto, adornada com um chapéu em forma de livro, percorreu o caminho de estantes em ferro forjado, até parar à porta da cela.

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– Abram! – ordenou ela.

Os guardas cumpriram a ordem. Ela entrou ligeiramente dentro da cela. Ele levantou-se da cama livro e olhou-a fixamente, reconheceu-a de imediato: ela, a grande guardiã da literatura, que ele vira mais do que uma vez – apenas pela televisão, claro – em vários eventos de alto nível intelectual.

– Vejo que o retiro nada lhe fez – e olhou para a página em branco, colocada na velhinha Olympia que fora ali transportada, mas que não teve uso algum. – Odeio escritores medíocres; nascem como cogumelos, poluem o mundo da literatura com as suas publicações electrónicas, com os envios para editores de rascunhos horríveis, que só de olhar para eles uma pessoa quase vomita, mas nunca deixam de ser isso mesmo, medíocres. Têm a mania que contam histórias; mas a literatura não tem que contar histórias, isso faz a avó à lareira, tem, sim, que mostrar o enlevo da grande arquitectura das palavras. Valha-me São Jorge Luís Borges! Tragam-no!

Os guardas agarram-no e arrastaram-no para o corredor. Pelo caminho, ele pôde observar que não estava só: nas outras celas sentiu a presença de outros cativos; numa delas, que tinha o postigo aberto, quase que jurou ver uma apresentadora de televisão.

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No final do corredor, duas portas de ferro, trabalhadas com motivos em forma de letras, abriram-se e deram lugar à nave da grande catedral; também esta formava uma gigantesca biblioteca onde até as arcadas góticas eram formadas por livros empilhados. Ao fundo, apresentava-se um grande altar onde estavam estátuas dos maiores escritores do mundo.

Ele caminhou em silêncio pelo corredor principal da nave. De lado, algumas pessoas assistiam àquela estranha cerimónia. Um dos espectadores tentava construir e equilibrar uma palavra com um conjunto de letras douradas, mas não conseguiu, o que lhe provocou a ira. A diva, que caminhava à frente do cortejo, parou e foi ter com o desesperado.

– Tenha calma, meu querido; o menino é um génio das palavras, vai conseguir – disse-lhe ela, afagando-lhe a cabeça e retomando o percurso.

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Pararam em frente ao altar. Ela sentou-se num trono em madeira, cruzou as pernas e deu sinal com a cabeça. Ele ajoelhou-se – obrigado pelos guardas – e esperou. Surgiu um novo elemento, homem de cara carrancuda, com barbas de sábio – ele reconheceu-o como um famoso escritor -, que passou a ler excertos de vários grandes escritores. Terminou com uma passagem de Borges:

Penso que em toda a biblioteca há espíritos. Esses são os espíritos dos mortos que só despertam quando o leitor os busca. Assim, o acto estético não corresponde a um livro. Um livro é um cubo de papel, uma coisa entre coisas. O acto estético ocorre muito poucas vezes, e cada vez em situações inteiramente diferentes e sempre de modo preciso.

A assistência levantou-se e disse em coro: – Amém.

Depois, não foram precisos mais do que meia dúzia de minutos para que ele estivesse no átrio principal, amarrado a uns troncos de árvores. Um pelotão de fuzilamento alinhou-se em frente a si. Trouxeram a arma: um estranho objecto que tinha no final do cano a sua velha máquina Olympia. Lembrou-se da sua antiga máquina de fazer coisas boas; pressentiu que aquela iria fazer algo de mau. Folhas dos seus rascunhos de escrita começaram a voar das arcadas – alguém as atirava ao vento.

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À ordem do aceno afirmativo da cabeça da diva – que assistia na varanda principal – todos os guardas pressionaram um botão da estranha máquina de fazer coisas más. O teclado da Olympia começou a mover-se e três das teclas saíram disparadas em direcção ao peito dele. Cada letra levava acoplada uma lâmina que lhe atravessou o corpo. No seu peito nu, a sangue, leu-se a palavra:

FIM

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