Skip to content

Come a papa João, come a papa!

Outubro 26, 2011

Crescer: o verbo que sempre o atormentou ao longo da vida.

Primeiro, ainda bochechuda criança, quando lhe enfiavam colheradas de papa – sopa mais tarde – horrível pela boca ou insistiam para trincar o pedaço de bife ou de peixe – maldito o tempo em que não havia MacDonalds -, sempre lhe diziam: come, que é para cresceres, ficares forte.

Depois, ao chegar à escola: estuda, que é para, quando cresceres,seres um homem importante.

Cresceu e, ao tentar aproximar-se das raparigas, puxava o peito para se fazer crescer no tamanho e na idade. Aos primeiros toques dos corpos – tímidos e fugazes – fazia crescer a camisola para que lhe tapasse outras partes do corpo que, atrapalhadamente, lhe cresciam. Passado algum tempo, e ainda sobre os toques – agora mais arrebatados e fortes –, a preocupação começou a ser outra: que aquela parte do corpo não deixasse de crescer na altura certa. Assim que apanhou segurança, a preocupação diminuiu: o crescimento era garantido. Só anos mais tarde, quando o tempo também cresceu desmesuradamente no seu calendário, a preocupação com o tal crescimento voltou a aparecer.

Mas não foi só o crescer dos calores físicos que o embalou. Os afectos também cresceram e, a partir de um determinado momento, achou que tinha que crescer no amor. Primeiro cresceu na partilha da vida a dois, depois fez crescer a família para, assim, crescer na sua eternidade.

No trabalho, crescer também foi o seu lema: nos primeiros tempos, crescer timidamente até encontrar o seu sítio; depois, fazer crescer todos os dias a produtividade para que houvesse crescimento económico da sua empresa e para que o seu orçamento pessoal, também ele, crescesse bastante; assim, desta forma, crescia o seu bem-estar e a sua posição social.

Crescer, fora tudo para ele: crescer, crescer e crescer.

Assim, não percebia agora, porque lhe diziam – insistiam – que, para voltar a haver crescimento, ele teria que diminuir.

Anúncios
2 comentários leave one →
  1. Anónimo permalink
    Novembro 14, 2011 4:22 pm

    Bau

    se ha coisas que, certamente, nos serão sempre distantes e não entendíveis será, pela certa, as razões obscuras da economia…

    se calhar, até entendemos mas NÃO QUEREMOS!

    e ao tyermos estas atitudes vamos deixando, paulatinamente, que nos “comam as papas na cabeça”

    beijinhos
    minda

    • Bau P permalink*
      Novembro 27, 2011 11:35 am

      digamos que fingimos entender 🙂

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: