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Manjar – Diário de um Idiota 2

Fevereiro 17, 2011

Quando a minha – bela, insinuante e ardente – vizinha me entrou pela casa dentro, receei o que podia acontecer, um tormento imenso só de tamanha imagem ver. Convidei-a para se sentar, mas todo eu vibrava, como podia uma coisa assim estar tão perto de mim e não me queimar.

Ainda não estava aconchegado e já ela, ao meu lado, se aproximava e fazia com que os corpos, outrora mudos, quase soltassem um gemido. De repente, com uma voz quente, chegou-se ao ouvido e disse-me:

– Vou-te comer.

Fiquei a tremer; pelo corpo levantou-se uma onda erótica só de imaginar a sua boca pelos meus poros rolar. Encostei-me no sofá e ofereci-me: vem então, degustar este saboroso manjar. Fechei os olhos.

beijo1

Abri-os mais tarde, sem alarde, no hospital; coisa banal. Os médicos – perdidos em diagnosticar – ainda não perceberam a razão de tal padecimento: como pode um braço, uma perna e ¾ de zona lombar terem tido semelhante desaparecimento?

Eu sei; só espero que me arranjem uma prótese singela para sair e na porta dela tocar: há um coração que quero merendar. Em vinha d’alhos, de preferência, para que não se me destalhe a decência.

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