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roubo – diário de um idiota 1

Fevereiro 12, 2011

Entrei apressadamente; não percebi porquê, mas achei que se entrasse assim, em jeito ofegado, ser-me-ia dado mais atenção. A esquadra cheirava a perdida no tempo; o pó dos dias há muito que não era levantado.

O polícia, ao ver-me entrar, ajeitou-se na farda e aproximou-se de um velho balcão de madeira. Olhou para mim – penso que terá dito bom dia – e ficou à espera que eu me queixasse; ninguém passava aquelas portadas para outra coisa que não fosse trazer-lhe mais uma lamúria de acontecimento.

– Venho apresentar uma queixa de roubo – disse-lhe eu.

janela

Ele, somítico nas palavras, foi até um armário, sacou de uma folha de papel – o sistema está em baixo, tem que ser à mão – e esperou que eu dissesse alguma coisa para preencher os quadradinhos e as linhas em branco que o formulário apresentava.

– E o que lhe roubaram? – perguntou-me ele, por fim, na tentativa de desempatar o momento.

– A alma.

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One Comment leave one →
  1. minda permalink
    Março 21, 2011 2:45 pm

    pois… o pior de tudo é quando conseguem roubá-la!
    a gente teima e teima…
    mas ás vezes vem um vento e… puf, lá foi ela!
    o sol ajuda a recuperá-la?

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