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Oscaritos Again, pois não!

Fevereiro 7, 2010

Se todos os prémios têm o seu quê de parvoeira, porque não a dita parvoeira ter ela própria os seus prémios. Meus amigos, eis que estão de volta os Oscaritos, uma parvoíce pegada de prémios que começaram em 2007, seguiram depois para 2008 e 2009 (ver aqui edições anteriores), noutra plataforma, e que agora são apresentados nesta nova casa.

Não é só a academia que tem novidades, com a sua longa lista de 10 filmes para o prémio maior. Esta, apesar de ser mais humilde, também tem. Assim, além do corte orçamental, são muitos menos prémios nesta edição, em sinal da crise dos tempos (a inspiração não anda pelos melhores dias, mas nestas coisas convém dar sempre uma explicação técnica),  passa a haver primeiro nomeados em lugar do prémio final de imediato.

Eis, então, os nomeados em 2010 para os filmes de 2009, estreados pelo burgo lusitano, nas suas diferentes categorias:  

v  Bimby – Mete-se tudo na máquina e já está, uma iguaria de efeitos especiais de comer e chorar por menos.

o   Transformers: Retaliação por não terem ficado quietos com o primeiro, fazer mais espalhafato para quê?, todo já sabemos que num sucateiro qualquer está uma magia especial que transforma a lata em peça de alto valor, ou não tivesse aí a Face Oculta para provar.

 

o   Exterminador Implacável: A Salvação volta Arnaldo que está perdoado, aquilo está que não se aguenta, vê se numa próxima, em lugar de andarem a exterminar a humanidade, que por si só já vai tratando do assunto, aniquilam de vez os produtores da saga, a malta agradece.

 

o   2012  por insistir que o nosso fim vai ter que ser um deslumbramento digital, melhor seria dar ao homem um Magalhães que, ao ter menos  bytes de memória, pode levar a que o homem sossegue a sua piriquita apocalíptica e para a próxima faça apenas um abanão ligeiro num prédio por influência das flatulências do vizinho do 5º esquerdo, assim como assim, não há muita diferença no produto final.

v  Abaixo a Independência – E a culpa foi do D. Afonso Henriques que em lugar de bater na mãe devia era ter andado com Castela ao colinho.

o   Second Life, se  isto é cinema português quero já ser espanhol, enroscam-se umas gajas nas outras, chama-se o jet set dos pobrezinhos, metem-se umas buchas em inglês e pronto o pessoal vai gramar de certeza. Não gramou. Não há mais vidas, game over!

 

o   Contrato se isto é cinema português quero já um visto sem volta para a Nova Zelândia, já não basta ter que os gramar nas telenovelas ainda nos impigem uma versão ampliada deste pessoal, ao menos que lhe forneçam um manual de instruções como se segura a câmara e como os actores devem circular em cena. Vá lá, não tropeçaram nos fios, já não é nada mau.  

 

o   Salazar – A Vida Privada se isto é cinema português quero já cantar o hino do Burkina Faso de mão no peito, era só o que nos faltava, transformar um botas em sex symbol, mais um pouco ainda o temos como atracção numa feira erótica perto si. Teve ao menos uma originalidade que foi a de iniciar um género novo, a pornografia histórica .

v  Domingo de Páscoa – E a culpa é de Cristo por ter vindo com esta mania de ressuscitar por tudo e por nada.

o   Star Trek por ter tido a ousadia de levantar da tumba esta saga e, ainda por cima, com alguma qualidade e sucesso, o que nos leva a crer que nos tempos mais próximos vamos ter que gramar com todos os idiotas a coleccionar naves e orelhas, bem como a fazer convenções tupperware.

 

o   Sexta-Feira 13 já não bastavam os Saw’s do nosso descontentamento e ainda tinham que tirar do baú o que já tem está desfeito pelo pó do esquecimento há muito, para fingirmos todos que temos muito cagaço dos diabos, como se os dias que nos caem em cima não tivessem terror que bastasse. Ainda haverá alguém que precise do pretexto da sua piquena soltar um grito de medo e se agarrar ao seu pescoço para depois dizer, sim filha, qual terror, qual quê, o que tu queres sei eu?!  

 

o  Fama porque se a vida é um cabaret, então o palco deve ser numa morgue, onde, ao som de umas notas fora de tom, os defuntos saltam para cima de um balcão e cantam como são felizes, como precisam de suar. Onde é que eu já vi isto? Embarque na Gate 59, desculpem-me, estão a chamar-me para o voo.  

v  Melão – A porra do prémio nunca mais vem.

o   Robert Downey Jr em O Solista e Sherlock Holmes, ora faço de idiota inteligente, ora faço de inteligente idiota, acham mesmo todos muita piada, mas nunca mais levo a estatueta, a continuar assim ainda me meto nos copos outra vez, depois queixem-se, eu estou a avisar.

 

o  Brad Pitt em Sacanas Sem Lei e O Estranho Caso de Benjamin Button , ora faço de cabotino, ora faço de entravadinho, mas isto não pega, nem com um coisa nem com outra, ainda por cima tenho que aturar a Angelina, que lá em casa é ela quem veste as calças do Oscar, é certo que fez de doida para o levar, mas lá que o tem, tem. Para a próxima faço de gay, pode ser que a coisa pegue.

 

o   Tom Cruise em Valquíria nem mesmo a fazer de quase entravadinho, uma pala no olho já dá pontos nas deficiências, e de nazi quase bom, o pessoal me dá valor. Tenho que voltar à cadeira de rodas e ao Vietnam para me levarem a sério. 

v  Multiópticas – A miopia das más consciência no seu melhor.

o  A Troca por nos ter mostrado que quando o poder nos quer convencer de uma coisa já não vende somente a mãe ao diabo, ele até o filho nos troca, e isto porque não estavam em campanha eleitoral, pois caso fosse, até a própria Angelina era trocada pela Luciana Abreu e convencida que a diferença de talentos era apenas um detalhe de dioptrias.

 

o   Avatar por ter criado a ideia de um mundo novo, puro, comunitário e em harmonia – Marx, Lenine não fariam melhor, – que depois é arrasado de uma assentada por esses eternos mauzões capitalistas que só querem sugar a energia do povo, ah, claro, tudo isto feito com muitos milhões capitalistas da indústria cinematográfica que investiu forte e feio no filme. A sorte dele, do James Cameron, foi o retorno dos dólares, pois caso contrário bem que podia emigrar para o tal planeta e fundar um Avante azul.

 

o   CapitalismoUma História de Amor por nos ter mostrado que os americanos ainda não enxergaram bem esta coisa do dinheiro e do seu papel social, mas que, pelo sim pelo não, são eles que definem a dita coisa para todos a copiarem, ou seja, a casa do mundo inteiro vai abaixo sempre que eles espirram.

 

v  Seca – Vamos embora que já dormi uma soneca

o  Vicky Cristina Barcelona por apenas ter sido um projecto turístico do governo autonómico da Catalunha, onde se passeiam estereótipos, o latino garanhão, a espanhola histérica e a nova yorquina muito dada às artes, com conversas de sempre, ou seja, de coisa nenhuma, e a intelectualidade ter aplaudido de pé. O Rei vai nu, for ever.

 

o   Singularidades de uma Rapariga Loira por colocar pela enésima vez os actores a falar como se estivessem a ler um romance para avó, que a maldita da velha nunca mais dorme. O próprio Eça ao pé da narrativa apresentada é um psicadélico grande maluco.

 

o   Revolutionary Road por nos mostrar que o casamento, ao ser uma valente seca, quando nasce é para todos, logo isso dos gays ficarem de fora do padecimento não vale, ou há moralidade ou comem todos.

 

E ainda nomeações especiais nas seguintes categorias:

v  Sindicato dos Jornalista – Frost/Nixon, por nos mostrar que afinal, por muito estranho que possa parecer, a informação também é feita de jornalismo;

v  Vai um referendozinho?!Milk, por nos mostrar que a solução que quiseram por cá era, ainda assim, um mal menor face à verdadeira vontade dos seus autores,  a solução radical americana de lhe limpar o cebo sempre ia melhor com o seu espírito;

v  Cliente BPPQuem Quer Ser Bilionário?, por nos mostrar que a diferença entra a ganância de enriquecer num banco ou num concurso manhoso não é nenhuma;

v  Plano Nacional de LeituraO Leitor, arranjem umas ouvintes como a Kate e vão ver como a malta nova se anima a ler todos os dias, se calhar até mais do que uma vez por dia, que na idade deles são bem capazes disso;

v  Mortos-Vivos – Maradona em Maradona e Mickey Rourke em O Wrestler por já terem morrido e ainda não lhe terem dito;

v  Saco de enjoo Velozes e Furiosos por nos mostrar que não são só as imagem em velocidade que nos enjoam, os maus filmes também;

v  PreservativoAnjos e Demónios – por mostrar que a importância do preservativo pode estar para além do uso normal, fosse o Papa adepto deles e os enfiasse nas canetas de maus autores não tinha que gramar com livros e filme que crucificam o bom gosto;

v  O AnjinhoHome – O Mundo é a Nossa Casa é tão bom ver filmes cheios de boas intenções, só que de boas intenções está o inferno cheio e os cofres das produtores também. Não é verdade sr. Al Gore?

v  Cresce e DesapareceHarry Potter e o Príncipe Misterioso, já está na hora deste miúdo brincar com outras coisas, façam antes uma versão porno que consegue ser mais convincente;

v  Tragam tampõesHannah Montana – O Filme, que o pessoal já não aguenta tanta berraria de gente jovem, depois admiram-se que apareçam nos ídolos aqueles cromos todos;

v  Algodão doceUp – Altamente! Porque ainda há coisas que nos enchem de ternura.

v  WorkshopSacanas Sem Lei por ser um americano a mostrar como se faz um europudim (filme europeu que engloba gente de várias nações). E que tal se ele viesse cá ensinar ao pessoal como se junta gente diferente, com línguas diferentes e se faz uma história que é um hino ao cinema?

v  Copinhos de leiteA Saga Twilight – Lua Nova por já não haver paciência para os vampiros sanguinariamente correctos, mandem o cool às urtigas e afinfem-lhe com os dentes, que é para isso que foram inventados, para betinhos já temos o Pedro Ranger.

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2 comentários leave one →
  1. Paula permalink
    Fevereiro 22, 2010 1:05 am

    Adorei …sobre o “Anjos e Demónios” 🙂 O livro é uma lástima…será um filme que nunca verei:)

    E o resto…possivelmente tambem não verei ! :)) Não me consigo converter ás salas de cinema…

    Bj

    • bp63 permalink*
      Fevereiro 22, 2010 8:11 pm

      Paula

      Fazes bem não ver os Anjos e Demónios ainda que esteja uns furos acima do Código de Avintes 🙂

      Essa das conversões às salas tem muito que se lhe diga, há filmes que nunca se podem dizer que se vir se não forem vistos em sala, essa é que essa.

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