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Vai Tudo Abaixo – 2012 está no meio de nós!

Novembro 15, 2009

1. O Delírio

E de repente, saindo do eterno marasmo, Portugal moveu-se. Não nos eternos indicadores económicos, que nos assolam a cabeça há muito, mas sim no verdadeiro sentido do termo. Aquilo, a que chamamos território, ganhou vida própria e avançou sobre o Atlântico, como que ao encontro de uma certa América. Aparentemente, digamos que Deus, num magnânime gesto de humor negro, resolveu provar a Saramago que Ele existe e deu corpo a uma espécie de Jangada de Pedra.

Mas não tivemos grande tempo de saborear este macro cruzeiro terrestre de borla, um grande tsunami veio engolir-nos a todos. Eu fui logo dos primeiros a ser contemplado, é o que dá armar-me em fino e comprar casa em frente ao mar, uma coisa é poder contemplar a paz azul do oceano a toda a hora, outra é tê-lo a entrar pela sala adentro, logo naquele dia que até estava bem arrumada. Nem piei!

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Bom, as cenas que descrevi acima, apesar de serem um delírio meu, fazem parte do filme 2012. Sim, pela primeira vez, eu e todos nós, deste de cantinho à beira mar plantado, entramos numa grande produção de Hollywood. Portugal inteirinho está lá, primeiro a tremer e depois a afundar, se bem que sobre este último aspecto já temos alguma cátedra. Neste momento, quem já viu o filme, está aos pulos e a pensar, ou tenho uma doença crónica de sonambulismo assolapado, e nem vi essas cenas, ou então o gajo é doido, o que não deixa de ser sempre uma verdade aproximada.

Esclareço então, sim, as cenas não estão propriamente visíveis, os produtores têm que tomar opções porque a malta quer mesmo é ver o Cristo Redentor, a Casa Branca e os Casinos de Las Vegas a serem pulverizados e não propriamente a Foz ou Restelo a serem engolidos nas calmas, mas estão lá subentendidas, ou pensam que nós escapamos? Não senhora, somos todos companheiros daquela desgraça e, mesmo que não nos seja dedicado um mm sequer de fotograma, o certo é que também estamos ali, aos berros e a cair-nos tudo em cima. Aliás, podia ser um bom exercício para as criancinhas, como trabalho escolar inclusive, ora meus meninos, perante o que viram, descrevam agora vocês o que nos aconteceu a nós, que, apesar de termos estado escondidos durante todo o filme, também fomos protagonista desta grande tragédia. Iam ver o quanto sucesso escolar teriam os trabalhos, provavelmente haveria descrições que nem os mais dos arrojados argumentistas se lembraria em tempo algum.

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Uma coisa assim do género, estávamos nós na aula de matemática e, de repente, ouviu-se um estrondo, ainda pensámos que tivesse sido a dona Matilde, auxiliar da entrada, que tivesse rebentado com uma nova gripe, a B se calhar, pois ela, nos seus enormes kilos, passa a vida a gritar coisas da gripe A, que temos que limpar as mãos à entrada, à saída e mais não sei o quê, e que qualquer dia estoura com tanto trabalho. Mas não, foi mesmo uma bola de fogo que veio por ali abaixo e aterrou mesmo em cima do sotôr de matemática, abrindo-o ao meio. O pessoal primeiro bateu palmas, mas depois viu que a coisa era séria, o chão da sala abriu-se e os colegas começaram a cair para um fosso cheio de lava, o primeiro foi o Bernardo, marrão como é, só sabe o que vem nos livros, não se desviou e malhou lá bem pró fundo. Depois foi o Tiago, que tem a mania que é bom e quis armar-se em herói, pimba, também zarpou para as profundezas. Eu e a Mafalda conseguimos fugir e, quando toda a escola se desmoronava e era engolida pela crateras, ouviam-se os gritos dos sotôres todos que berravam mais dos que as crianças, vimos uma luz no céu, não era mais um meteorito, nem sequer Deus, apesar de já o ter chamado cá abaixo não sei quantas vezes, era uma nave que nos recolheu e nos levou para fora dali, para bem longe, onde pude, com a minha amiga, dar origem à nova humanidade. Claro que tivemos que esperar um tempo, os nossos corpos não estavam ainda preparados para tão importante Missão. Esqueci-me de dizer que, durante toda aquela destruição na escola, havia sangue e tripas por todo o lado, algumas pessoas rebentavam como borbulhas, devia ser da pressão atmosférica, acho que dei isso em Geografia.

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2. Psicanálise

Mesmo perante um cenário destes, em que a tragédia é imensa, quase total, as pessoas acorrem em massa para ver o filme e ficam felizes com as imagens magnânimes de destruição, enquanto sorvem ruidosamente refrigerantes calóricos e mastigam, ainda mais ruidosamente toneladas de pipocas. Aliás, quanto maior for o índice de destruição melhor o grau de satisfação – que chatice, afinal só se vê o Cristo Redentor a desfazer-se e não o Rio de Janeiro todo a ser todo engolido pela fúria das águas, – numa espécie de massacre-depedência.

A questão é, porque raio vamos nós ao cinema para ver sofrer, sofrermos também artificialmente e depois ficarmos felizes com isto?

Para muitos a coisa é simples, é apenas o fenómeno da montanha russa, já sabemos que nos sentimos mal, que ficamos com o estômago colado, mas que no fim gostamos, rimo-nos muito e voltamos a querer repetir a experiência, mas agora numa ainda maior. Assim, esse tipo de sensações é apenas associado aos ditos filmes comerciais, de baixa categoria, série B ou blockbuster, para entreter as massas num ambiente de feira-popular. Puro engano, a história do cinema mostra-nos que esta arte dita 7ª, está carregada de representações amargas para que as pessoas sofram ao vê-las.

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Os géneros terror, catástrofe, suspense, dramático, no seu expoente máximo de melodrama, e até mesmo a comédia, na exploração do ridículo, aportam para cinema todo um conjunto de medos e sofrimentos para cativar o espectador, numa espécie de transposição para as imagens dos seus próprios temores, para não dizer fantasmas, que, ao serem ali exorcizados, acabam por criar um certo prazer sadomasoquista, sofro mas fico bem ao ver sofrer, ainda que no imaginário. Mal pensava um tal senhor Freud que o cinema acabaria por ser o grande divã da humanidade.

O acto principal do ver cinema é espreitar. O espectador olha, refugiado no outro lado do ecrã, uma realidade, mesmo ficção é no momento autêntica, como se de repente pudesse entrar dentro de todas as janelas de um grande condomínio e fantasiar com o que vê. Em que nos transforma tudo isto? Nuns genuínos voyeurs, descomplexados, sem medos, em que podemos contemplar a vida, os acontecimentos dos outros. Mas como qualquer voyeur tanto maior é o prazer quanto maior for o espelho que encontramos na cena, ou seja, todo o deleito deriva do facto de podermos encontrar no que vemos pontos em comum com o que sentimos. E voltamos ao princípio, nada melhor para tranquilizar os nossos medos do que vê-los representados nos outros. Fazemos, assim, uma espécie de projecção na própria projecção que é, em si, o cinema.

Será que pensamos que nos cai um meteorito todos os dia na cabeça para depois irmos a correr ver filmes catástrofe para nos expiar o medo? Não, mas o gosto de ver tudo a sucumbir é apenas uma metáfora sobre aquilo que tememos, das verdadeiras coisas que no desabam sobre a cabeça, piores do que qualquer calhau vindo do céu. Se o medo de perder aquilo que temos, as pessoas que amamos, o emprego, o bem-estar, é o mais comum, então representá-lo na visualização da destruição de grande ícones da humanidade traz ao público uma certa catarse. No fundo, é trazer para a modernidade o velho síndrome do Coliseu romano, vamos ver aquela gente toda a ser massacrada, vomitamos e depois ficamos bem na nossa vidinha de todos os dias, afinal há gente que sofre muito mais do que eu. Uns enfrentam o touro, outros limitam-se a assistir e a aplaudir.

Claro que não é só o medo que tem a sua representação no cinema, a felicidade e o prazer também são perseguidos nessa projecção do eu, daí o sucesso das comédias românticas e da abordagem sexual nas imagens cinematográficas, embora sobre esta última a situação seja mais complexa pois a pornografia deixa de ser cinema e passa acto sexual propriamente dito, mas sobre isso talvez um dia volte a explanar.

Assim, quando olharmos para aquilo que são, aparentemente, filmes menores, devemos pensar até que ponto Freud não se esconde por detrás deles e que, muitos dos Godzilas a esmagar, são apenas reflexos de nós mesmos a (de)calcar os fantasmas que nos habitam as mansões ensombradas das meninges. Projecções dentro da projecção.

3. O Filme

Então e o filme? Pois, o filme. A crítica malhou forte e feio como era de esperar, ah, essa eterna mania de procurar Godard na feira-popular!

Mesmo quando se analisa um filme de pernas para o ar, como eu costumo fazer por vezes, nunca podemos esquecer que estamos dentro de um género típico. Não adianta procurar desenvolvimentos densos no enredo, que tudo aquilo é apenas para abanar, impressionar e seguir caminho, ainda que depois a coisa não seja tão simples assim, como se pode ver no ponto acima.

2012 é um bom filme de catástrofe, não sendo nada por aí além não deixa ficar os créditos por mãos alheias. Socorreu-se de uma boa tecnologia de efeitos especiais, trouxe o imaginário e a narrativa dos vídeos jogos, não se pode esquecer a época que vivemos e o público alvo, embrulhou tudo com as eternas histórias de família e já está. Acusaram-no de ter um argumento fraco. Pois, mas aquilo também não dá para mais, vem nos manuais, desde o célebre Terramoto e a Torre do Inferno que se decalca o desenvolvimento do assunto, até mesmo quando a coisa sobe de nível e bate à porta do patamar da arte, alô Spielberg, não deixa de focar os mesmos clichés: Um conjunto de personagens separadas, as eternas famílias disfuncionais (a deste parece que foi transplantada da Guerra dos Mundos), o encontro e a salvação com a redenção interior de todos (a família volta a ficar unida), ou seja, apesar de tudo ainda há esperança.

Se alguma coisa há apontar ao argumento é o seu lado excessivamente moralista, pois, ainda que distraído, quase que é um pastiche de algumas homilias religiosas. Durante a narrativa morrem milhões mas nós só assistimos, por perto, à morte de meia dúzia. E quem são? Os Messias e as Messalinas.

Sobre os Messias temos de 2 níveis: Nível 1, aqueles que têm a missão de trazer os outros para a salvação, mas que acabam por se sacrificar em nome dessa mesma redenção, fica sempre bem esta emoção; Nível 2, os que levam também a luz aos outros, mas já agora aproveitam a sua boleia e, por via das dúvidas, ficam no aconchego da bem-aventurança, que também são filhos de Deus.

As Messalinas, pecadores e pecadoras de serviço, todos aqueles que resolveram pôr o pé fora da cerca ou foram procurar cercas não abençoadas, uns adúlteros é o que eles são, não têm escapatória, mais tarde ou mais cedo embarcam para os anjinhos, é que nestas coisas, mesmo que seja a esmagar tudo como baratas, não há nada como proteger a moral e os bons costumes. Aliás, o final, não o desvendando, não podia ser mais bíblico do que é, mais um pouco e estava ao nível de figurar num manual de maus costumes dos nobeis.

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Voltando ao filme propriamente dito, apesar de estar alguns furos abaixo do Dias depois de amanhã, ele cumpre o seu fim. Tem destruição em massa, historinhas banais de gente a tentar salvar-se e, como não podia deixar de ser, um final feliz, ainda que feito sobre a tragédia humana, para nos reconfortar. Uma coisa trouxe de novo, ou pelo menos acentuou bastante, não se centrou apenas nas catástrofes e seus efeitos soberbos, mas sim no suspense e na acção intrepidante ante da salvação do núcleo principal.

No meio disto tudo há uma certeza, nunca nos podemos esquecer de que género estamos a falar (ver), pois só assim conseguimos alargar os horizontes das imagens que desfilam a uma velocidade alucinante, inclusive vislumbrar para além das suas sombras. Mais do que qualquer outro género, é este que devolve o cinema para as suas verdadeiras origens. Ao ser um mero entretenimento de feira, querer trazê-lo para a Ópera de S. Carlos, para depois malhar nele forte e feio, não é justo e muito menos honesto. Até o meu filho, ao me questionar se era filme para Óscares, e perante o franzir do meu sobrolho, logo rematou, “Claro que estou a falar de efeitos especiais apenas!”

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10 comentários leave one →
  1. Novembro 15, 2009 6:24 pm

    Bp,
    entre muita coisa que gostei, saliento o aspecto de “atenção que isto é coisa que calha a todos. Isto é em toooodo o Mundo e não é este cantinho plantado à beira-mar que vai escapar à furia destruidora. E se aquilo chega ao topo dos Himalaias (creio), não valerá a pena irem para o pico da Serra da Estrela”.
    Por diversos motivos, excelência incluída, eu faço a sugestão para tu seguires este blogue que eu já acompanho há algum tempo “Bitaites“, do Marco Santos. Espreita também este sobre o filme
    E eu aproveito para repetir o que disse lá sobre estes filmes catástrofe: Ainda sobre estes filmes, vi há dias o “Knowing” com o Nicolas Cage. Que grande merda. Além de fazer lembrar o The Mothman Prophecies, com o Richard Gere (um filme bem interessante), ainda se presta a copiar na parte final o “Signs“. E a última cena é um vómito.
    E quando li esta parte «o encontro e a salvação com a redenção interior de todos (a família volta a ficar unida), ou seja, apesar de tudo ainda há esperança.», o comentário foi “prontos! Mais do mesmo”. Como fiquei mesmo irritado com o outro filme, coisa para dizer no Clube de DVD que não queria pagar o aluguer, devido a traumas causados pelo filme, agora, só quero mesmo é ver destruição e ignorar todas essas cenas que já cansam.
    «Uma coisa trouxe de novo, ou pelo menos acentuou bastante, não se centrou apenas nas catástrofes e seus efeitos soberbos, mas sim no suspense e na acção intrepidante ante da salvação do núcleo principal Valha-nos isso 🙂
    Uma frase marcante?
    essa eterna mania de procurar Godard na feira-popular 🙂
    Abraço

    • bp63 permalink*
      Novembro 15, 2009 8:09 pm

      BW

      Pois então já fui espreitar tudo. O bitaites tem razão a maior parte da acção está na 2ª parte, ao principio irritou-me mas depois percebi, há que vestir primeiro a dama antes de a despir.

      De qualquer forma a primeira parte arrasta-se 1 pouco (defeito da maioria dos filmes actuais) e nisso o Dia depois de amanhã era melhor, inclusive tinha uma consistência cientifica melhor, assim como um recado politico, era uma espécie de Al Gore com efeitos especiais.

      Mas este acaba por surpreender pela adrenalina que dá na 2ª parte, e além disso tem uma coisa engraçada, se é um filme do fim do mundo então também em termos de cinema faz umas certas referências. Ou terá sido mero copianço? Até dói como a familia foi decalcada da Guerra dos Mundos. Mas tem boas perseguições, não de heroi bandido mas de caos ao herói. Um filme pastilha elástica, sim e daí?

      Agora não sei o que o homem vai fazer a seguir, desfazer o Universo? 🙂

      • Novembro 15, 2009 8:40 pm

        🙂 Talvez. Um Big-bang invertido com dois fliques flaques à rectaguarda

    • bp63 permalink*
      Novembro 15, 2009 8:13 pm

      Sobre o filme do Nicolas Cage, já o vi há algum tempo, eu normalmente embirro com todos os filmes dele, nesse gostei apenas da cena do avião e do metro, muito, mas mesmo muito bem filmadas, os efeitos especiais quase que são escondidos pera a imponência dramatica.

      • Novembro 15, 2009 8:41 pm

        Essas duas cenas são de facto muito boas, mas…o meu cérebro particamente as ignorou face às colagens aos filmes que eu disse.

  2. Kurioso permalink
    Novembro 20, 2009 10:21 pm

    bp,

    Aqui há dias, comentando um post do BW sobre a série ALIEN, eu escrevi que prefiro a sugestão à demonstração, na medida em que a primeira deixa alguma coisa para nós fazermos.

    Os filmes catástrofe mais recentes, aproveitando o maná dos efeitos especiais, são cada vez mais demonstrativos.

    Como ainda não vi este, não sei quanto “desconsolado” vou sair no final. Porém como sou fanático de tecnologia, sobre sempre o espanto de pensar: como diabo fizeram os gajos isto?

    E para exemplificar o poder da sugestão, basta lembrar que um dos primeiros “filmes” de catástrofe foi…um programa de rádio.

  3. bp63 permalink*
    Novembro 21, 2009 11:54 pm

    Caro Kurioso

    A sugestão é ela também uma forma de narrativa, criamos o monstro não o mostrando. Gosta dela quando ela é um estilo e não uma forma, ou seja, não mostro o monstro para dar intensidade dramática do medo do desconhecido e não o não mostro o monstro porque não tenho cheta nem imaginação para o criar e armo-me em artista profundo (há muitos filmes em que sugestão é apenas uma forma de esconder outras coisas, lembro-me logo dum célebre filme português com um pano preto, um expoente máximo dessa máxima).

    Concordo, efeitos a mais são por vezes uma destruição do efeito principal, o impressionar e causar impacto, acabamos por ter 1 overdose. Neste aspecto o 2012 cai nessa armadilha, mas safa-se nalgumas partes por muda o rumo para o suspense da salvação.

    É verdade, esse célebre acontecimento da Guerra dos Mundos radiofonico é todo ele um fenómeno.

  4. minda permalink
    Novembro 23, 2009 10:58 pm

    olá bêpê,

    aqui abstenho-me…

    na vi… e duvido que va ver… ca crise tá dura!!!

    beijicas
    minda

    • bp63 permalink*
      Dezembro 1, 2009 5:50 pm

      Minda

      Por a crise estar dura é que isto vai mesmo abaixo, ó se vai! Mas ir abaixo é só o principio de vir tudo a cima 🙂

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