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Novas Epidemias, Já!

Outubro 10, 2009

 

Como se não bastassem as eternas epidemias económicas que, como qualquer peste, se colam a nós e nunca mais nos largam, temos ainda que aturar as outras, as biológicas, as suportadas por um bichinho ranhoso que resolve emigrar da favela corporal duma qualquer espécie animal para o resort de 5 estrelas do corpo humano.

De tempos a tempos, lá temos uma nova onda, como se estivéssemos a assistir a um jogo de futebol e viesse a seca ridícula de levantar os braços, de mais uma epidemia de não sei quê, ora das vacas, ora dos frangos, e agora dos porcos.

Primeiro, será que nós, espécie superior, não temos competência para criar um vírus que seja propriedade nossa, que tenha sido embalado e amamentado até aos 12 meses no nosso colo sanguíneo? Porque raio, temos sempre que importar a desgraça do mundo animal, qual fábula infantil de mau gosto?

Segundo, não conseguimos sair da cepa torta das gripezinhas, da febrinha e dor de garganta, que já são mais velhas do que a Sé de Braga? Está na hora de ter assim umas mutações mais esquisitas. Andam os homens dos filmes a pintar esse cenário a torto e a direito, mas nunca pega.

Dizem os grandes teóricos da conspiração, essas altas individualidades pardas – que na maior parte dos países são uns tolos que sopram coisas para os jornalistas mas que eles não ligam nenhum, com excepção de Portugal onde um delírio vira assunto de Estado – que todas estas epidemias, pandemias e outras tias, são fabricadas em laboratório. Os mais meiguinhos afirmam que o objectivo é dar a ganhar muito dinheiro a multinacionais farmacêuticas falidas. Os mais radicais afirmam a pés juntos que o que eles querem é fazer uma espécie de limpeza na espécie humana.

Pois bem, num caso ou noutro, o que eu tenho a dizer é que, mesmo a ser toda essa conjectura diabólica, é tudo uma pobreza franciscana. Afinal, se os tais senhores iluminados, que andaram a estudar que nem uns desgraçados nas velhas oportunidades, estão nos laboratórios a desenvolverem altas equações para dizer como os bichinhos nos vão atacar, bem que podiam ser um pouco mais imaginativos e não virem sempre com aquela canseira do vírus se propagar pela saliva, pelo sangue, provocar febres, dores, tremuras e cansaço. Ó pessoal disso já nós temos cá todos os dias e há imenso tempo, ainda antes haver laboratórios com tubos a ferver, não podiam agora criar outra coisa mais interessante? Algo que não fosse necessário, fazer um diagnóstico cheio de perguntas e mais perguntas, como se estivéssemos a defender uma tese de doutoramento, por se confundir com imensas coisas já existentes, mas sim, que logo na primeira resposta tivéssemos o resultado: O senhor tem o vírus HK3, faça o favor de entrar naquela porta, dispa-se e faça amor com a primeira mulher que estiver no corredor à direita, não sem antes comer um prato bem cheio de papa Maizena.

Bom, já que os tais homens e as mulheres não têm imaginação, eu sugiro aqui uma série de vírus e epidemias que podiam criar. Assim, não só variava um pouco este bocejo diário, como também tornava as coisas muito mais divertidas.

 

Vejo tudo Nu

 

Um pouco ao estilo de um velho filme de Dino Risi (Vedo Nudo, 1969) o pessoal era infectado e ficava assim com uma espécie de visão X do super-homem, em que o obstáculo têxtil era eliminado de vez e a pele era imediatamente enxergada.

Uma pessoa saía à rua e ficávamos logo no Meco, mesmo que estivesse um gelo polar. Bem que podiam pôr no corpo o melhor dos trapinhos da última Moda Lisboa que o pessoal a única marca que topava era mesmo um sinal ou uma tatuagem secreta ao fundo das costas da loura que corre para apanhar o autocarro.

Pontos Fortes:

· Uma sensação de férias eternas num resort nudista do sul de França. Mesmo que a paisagem não fosse boa, e nesses lugares turísticos vivem-se, por vezes, alguns filmes de terror, a malta andaria bastante entretida, ainda que tivesse que estar a despachar o último trabalho chato que o chefe encomendou.

· Descobrir a verdadeira natureza das pessoas, no verdadeiro sentido – ai eu sou toda muita natural, não tenho silicones nem Photoshop, está bem abelha, não tens é pouco!

· O Governo ia poupar todo um dinheirão em gastos de prevenção e combate à doença. A Linha 24 só não fechava porque, por certo, haveria ainda pessoal que iria insistir em ligar para perguntar, não a terapia da doença, mas como é que a podia apanhar – isto já começou há uma série de semanas eu ainda continuo a ver a minha vizinha da frente com a irritante saia-casaco da companhia aérea.

Pontos Fracos:

· A indústria da moda ia ao charco. Quem é que dava balúrdios por Prada se qualquer trapo de chita fazia o mesmo efeito, abrigar e proteger o corpo nas partes mais sensíveis, sim porque o vestuário também serve para isso, lembram-se?!

· Alguns horripilantes espectáculos que teríamos que enfrentar. Imaginem que nas últimas eleições, já infectados, teríamos que assistir a um comício de Manuela Ferreira Leite. A abstenção aumentaria ainda mais, derivado à elevada taxa se suicídio. Eu só de pensar no senhor Mendonça, o homem que me corta os bifes no talho, já quase que suspiro pela peste bubónica.

 

Só a Verdade, Nada mais do que a Verdade

 

Também aqui poderiam ir buscar inspiração àquele filme do Jim Carey (Mentiroso Compulsivo – 1997) , pois o pessoal, mal o vírus entrasse cá, apenas com uma corrente de ar, ficava impedido de mentir.

À nosso volta só passávamos a ouvir verdade, por muito dura que fosse. Pior do que isso, também nós teríamos que dizer só a verdade. Provavelmente nos primeiros andaríamos todos gagos, tal seria a estranheza da nova linguagem, mas aos poucos, como crianças a aprender a falar, soltávamos a fala. Provavelmente muitos optariam pela mudez.

Pontos Fortes:

· Finalmente íamos ter uma sociedade justa, verdadeira e fraterna. Claro que também chata e sem sabor nenhum, não haveria nada para descobrir nem desvendar.

· Do mundo da política sairiam, em debandada, a maior parte dos intervenientes, que ficariam enclausurados em retiros monásticos até que aparecesse uma vacina portentosa e eficaz contra semelhante calamidade.

· O senhor Mendonça quando me dissesse que a carne era manteiga, eu tinha mesmo que ir comprar pão fresco para barrar o bife de alcatra.

Pontos Fracos:

· Os primeiros tempos iam ser um caos, não teríamos governantes capazes de levar o barco a bom porto. O Poder iria cair nas mãos dos mais ingénuos que achariam que com a verdade conseguiam governar, mas depressa sucumbiriam também.

· A maior parte das empresas do ramo financeiro e afins, incluindo seguradoras e publicidade, iriam falir e uma onde de desemprego assolaria o mundo.

· As relações sentimentais não durariam mais de um ano, embora isto ainda não percebi se seria realmente uma desvantagem, desconfio até, que deveria estar no ponto de cima.

 

Musica, Nasci para a Música

Este seria talvez o vírus pior de todos, o que iria causar danos irreversíveis no ser humano. Ao sermos atacados, por exemplo, através das ondas sonoras da voz, rompia em nós uma súbita vontade de sair para a rua e cantar a vida como se vivêssemos dentro do ridículo de um filme musical, daqueles em que pára tudo o que normal para se soltar uma cançoneta perfeitamente anormal.

Já imaginaram, alguém estar a conversar connosco e nós, de repente, na resposta soltássemos uma canção orelhuda, estridente, ao som de uns violinos licorosos, o vírus vinha com banda sonora, soltando uma espécie de La Feria secreto que vive cá dentro. Pois bem, este vírus seria mesmo transformar a vida de cada um numa coisa muito pior do que uma versão contínua do Mamma Mia, onde a propósito de tudo e nada se solta uma cantiga irritante.

 

Imagino mesmo o sr. Mendonça, largar a peça de carnes verdes e sair para a rua, ainda com ¾ de vazio na mão, a rodopiar, nos seus bem anafados kilos de massa corporal, e de bigode arreganhado, a cantar “Eu quero dançar esta noite, eu quero dançar esta noite” do My Fair Lady, versão portuga do I could have danced all night.

Pontos Fortes:

· Acabariam todos os programas cretinos de busca de talentos na televisão, afinal poderíamos ver qualquer cromo ao virar da esquina.

· Finalmente teríamos as situações em que nos costumam dar música com a sonoridade adequada. Dizer não vou subir os impostos ou estamos a sair da crise ao som de uma ária qualquer sempre iria ferir menos a nossa inteligência.

Pontos Fracos:

· As linhas de saúde teriam que aumentar exponencialmente, porque se agora o pessoal já gosta de contar a vidinha toda, imagine-se o que é fazê-lo cantando. Penso mesmo que os profissionais teriam que ter um estatuto de profissão de desgaste rápido, tal seria a debilidade acentuada dos seus tímpanos.

· Seria o fim da humanidade, pois do ponto vista sexual o pessoal ficaria no nível zero. Quem é que conseguia copular entre uma gemido e uma canção? Tiro-lhe a roupa, acaricio-a levemente e.. I’ve got you under my skin… depois, dou-lhe um beijo, mas antes, Kisses for me, save your kiss form me… Não dá. Antes monge no Tibete!

***

Pronto, eis aqui algumas sugestões de vírus e epidemias para tornar as coisas mais divertidas durante uns tempos, pelo menos o febrões passariam a ser de outro calibre. Se andar por aqui alguém da Teoria da Conspiração, vá lá pegue nesta ou noutras ideias e ponham um pouco de imaginação nisto das pandemias, que já andam iguais há séculos. Não há paciência.

Já agora, se quiserem, podem misturar as 3 sugestões, e fazer um vírus complexo e com mutações, criando a mãe de todas as epidemias. Imaginem só o que seria ver o Sócrates, na noite das eleições, todo nu, a comemorar a vitória, ao som do I Will Survive, e a dizer-nos isto vai ficar mesmo tudo fudido!

Percebem agora porque este blogue é um pouco ensombrado?!

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17 comentários leave one →
  1. Outubro 10, 2009 5:51 pm

    Caro B.P.
    Dei uma passagem pelos teus novos blogues…
    O sabor da tua prosa fora do Sol é pura e simplesmente EXCELENTE e imperdível!
    Parabéns uma vez mais.

    • bp63 permalink*
      Outubro 10, 2009 6:21 pm

      Tks.

      Vamos lá ver como isto corre. Ainda cheira tudo a novo 🙂

  2. Oserrano permalink
    Outubro 10, 2009 6:25 pm

    Muito prazer em entrar nesta nova casa, já que nos cruzámos por outras bandas.
    Parece-me bem agradável e confortável!
    Também por estes lados tenho andado a tentar arranjar um pequeno espaço.
    É verdade que já o consegui mas, não consigo arrumar a mobília!
    Quer dizer:
    – Não consegui entender como se procede para colocar fotos ou os meus “rabiscos”.
    E sem isso, é casa completamente desarrumada.
    Pode dar uma ajuda a um futuro vizinho?
    Abraços da Serra e bom Domingo

    • bp63 permalink*
      Outubro 10, 2009 6:48 pm

      OLá serrano

      Pois eu também andei às aranhas e foi mesmo um vizinho marafado que me ajudou.

      Ao que parece a única solução de se trabalhar nesta flataforma é instalar no computador o Windows Live Writer e depois fazer tudo aí, escrever, colocar as fotos, tudo. Depois com um simples click ele instala directamente no blogue. Parece complicado mas acaba por ser mais fácil, porque trabalhar no programa é como trabalhar no word.

      Antes disso eu também não conseguia formatar texto e fotos. Só assim.

      Abraço e bom fds

  3. martreis permalink
    Outubro 10, 2009 8:31 pm

    🙂
    BiPi

    Eu gosto desta coisa dos blogs, mas gosto sobretudo de editar e descobrir… aqui tenho casa mas sobretudo para ter os links favoritos (morro de pavor que dê um treco no meu PC e os favoritos sigam com ele rsrsrs)
    E não sei se fico amuada com aquela coisa da música ali em baixo….
    Oh pah!!!!…mas pronto vou pensar!
    Se sou um “mau” elemento? Por vezes sou quando o saco está cheio, digo barbaridades, para compensar a compaixão desmesurada…que por vezes sinto.
    Adiante!!!…

    Vou tentar instalar aquela coisa ali…para ver o que consigo fazer!

    E tenho saudades de vos ler….à pois tenho…..! Embora não comentasse porque não iriam entender todas as claves de sol (cof cof)… lia! Pois lia!
    : ))
    Beijo

  4. Outubro 11, 2009 10:38 am

    🙂 Sem querer lembrar outras coisas, posso deixar um: Volto mais tarde? :)))

  5. martreis permalink
    Outubro 11, 2009 3:54 pm

    Blueeeeeeeee!!
    Tu explica ao BiPi quem eu sou, porque acho mesmo que ele é o único que anda à toa!!! Eu bem dei “pistas”….
    “Quersedezer” enquanto eu andei a correr mundo e enquanto não assentei arraiais, vocês resolveram desaparecer todos, sem eu dar por isso!
    Taléessa!! Hein?!!!
    Bjs

    • bp63 permalink*
      Outubro 11, 2009 6:17 pm

      quem és tu secreto viajante?…. um fantasma de além mar? 🙂

  6. Outubro 11, 2009 5:40 pm

    Bp63, felizmente que a tua travessia no deserto já terminou e que encontraste um poiso para a tua escrita, a qual, é sempre um prazer ler.
    Lembrei-me de outro vírus. Um onde todos ficavam afectados pela síndrome de Tourette . Mas perante algumas coisas a que assistimos, creio que esse vírus já ande a fazer vítimas.

    • bp63 permalink*
      Outubro 11, 2009 6:19 pm

      Pois esse sintoma já há muito q anda por aí. Havia um outro virus muito divertido para acontecer, mas esse guardei-o para as minhas escritas mais longas 🙂

  7. bp63 permalink*
    Outubro 11, 2009 6:13 pm

    Pois é que ando mesmo à toa, ó se ando! 🙂

  8. Paula permalink
    Outubro 13, 2009 9:54 am

    Olá Bipi 🙂

    Não me digas que não reconheces as pessoas que tem um feitio dificil…complicado ???? Ai..ai …já nem reconheces as fãs !:)

    Pois…bem. Gosto mais desta casinha do que da outra ! Em tudo . Mais bonita , bem decorada etc e tal.

    E pronto! Cá estou eu …

    Ora bem…só tu para despires o mundo e arranjares um virus ! Penso que os humanos necessitam de despir a hipócrisia , a falta de telorancia , a inveja , o ódio.

    Deixa estar a roupa …porque como bem descreves , o mundo deixaria de ter graça ! 🙂 Pelo menos para mim. O misterio , continua a ser o pulmão dos avanços da humanidade e se lhe retiras a roupa , não avançamos, não procuramos descobrir o que não está visivel …

    Beijinhos

    Paula

    • bp63 permalink*
      Outubro 13, 2009 6:42 pm

      Paula, pois como sou pessoa de bom feitio 🙂 acabo por não reconhecer à primeira. Distraido!

      É verdade aqui estou nesta humida casa. Ainda tenho coisas por arrumar, mas já para não esbarrar nos caixotes.

      E viva a roupa livre 🙂 !

  9. martreis permalink
    Outubro 15, 2009 1:50 pm

    :))
    bipi (em letra pikinina pq sim!)
    DESVIA-TE!

    Paula dá cá um beijo!!

    Estes gajos pah!! Viste como ele me respondeu? Nem dão mimos nem recebem bem, nem o caneco PAH!!!
    Mesmo que estivesse a “leste” enfim qq coisa, mesmo que fosse a poente…disfarçava…mas não!!!
    Vai logo de pensar que são fantasma que lhe vêm assombrar a casa… rsrsrsrrs

    Tarda nada está tudo à sombra!!!
    ;))))
    Bolas para o “menino”!!!!!!!!

    :)))))

    • bp63 permalink*
      Outubro 15, 2009 1:56 pm

      É mehor mesmo desviar q o vendaval traz cá um feitio 🙂

      Mas olha que à sombra está-se bem, ó yé!

  10. Paula permalink
    Outubro 15, 2009 3:01 pm

    :)))

    Não te desvies ! Que agora sou eu !!!!

    Então V.Exa , trata assim as suas fãs ! Nem um beijinho ! Nem um olá ! Nem nada !

    O cavalheirismo morreu com o D.Juan!

    Agora afasta-te ! 🙂

    MINHA QUERIDA !!!!!!!!!!!!!

    Olá :))))

    Minha querida , algum dia temos que mandar fabrica-los , por medida . Isto é , á nossa medida! Que é a medida certa …isto está tão complicado…a especie masculina , está em extinção !

    Eu já estou a pensar nas caracteristicas que desejo para o meu humanoide ! 🙂

    Beijocas enormes para ti e um abraço 😉

    Paula

    • bp63 permalink*
      Outubro 15, 2009 3:11 pm

      Eu andava a ver se inaugurava um outro tipo de comprimento prós da casa, assim uma coisa muito´à frente, mas pronto fui mal entendido.

      O bom da espécie é que por cada xtinção renova-se

      ok, os beijinhos prás duas enquanto não me ocorre algo de mais original

      fiquem bem, e pode passear por outras sala que há por lá chá e torradas.

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