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	<title>A Sombra das Imagens</title>
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	<description>Depois de caídas, construir imagens com a sombra das palavras.</description>
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		<title>A Sombra das Imagens</title>
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		<title>Adivinhe quem vem Jantar?!</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 19:33:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bau P</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Assim que o dia tombou, a casa ficou vazia – ou quase. Em oposição ao que era costume, todos os criados foram apressados a terminar os seus afazeres de final de tarde – a gaja passou-se; que destrambelhe todos os dias, que assim chego mais cedo a casa -, nem mesmo a camareira, que preparava [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=517&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Assim que o dia tombou, a casa ficou vazia – ou quase. Em oposição ao que era costume, todos os criados foram apressados a terminar os seus afazeres de final de tarde – <i>a gaja passou-se; que destrambelhe todos os dias, que assim chego mais cedo a casa</i> -, nem mesmo a camareira, que preparava o quarto com todos as exigências de um dormir requintado, ficou nessa noite. A velha senhora precisava urgentemente de ficar a sós. Durante toda a tarde esteve ansiosa, não fosse alguém ouvir algum barulho estranho vindo da cave; inclusive, esteve para dispensar todos os empregados logo após o almoço, mas achou que iria levantar uma certa suspeita, pois ela não era mulher para grandes agrados com o pessoal subalterno.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Logo que ouviu o portão electrónico do jardim fechar-se, suspirou; era chegada a hora. Desceu à cave, acendeu a luz e olhou para eles; ali estavam, amarrados, mudos e quedos. Fez um pequeno passeio à sua volta, tocou-lhe ao de leve com os dedos, numa espécie de provocação, e soltou uma gargalha forte.</font></p>
<p><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image5.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image_thumb5.png?w=546&#038;h=329" width="546" height="329" /></a> </p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Já voltarei, meus queridos – disse ela, antes de subir as escadas e apagar a luz, deixando a cave de novo na escuridão.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não se ouviu um gemido; todos a temeram.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Na cozinha colocou uma panela de água a ferver; era tempo de começar a preparar o grande prato. Um desfile de iguarias preparativas rolou pela mesa, ia cozinhar com todo o esmero aquele jantar. Há muito que não punha o pé na cozinha, mas aquela refeição especial tinha que ser feita por si: só o manjar que nos sai da mão chega ao coração. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Quando o caldo estava no ponto, ela dirigiu-se à dispensa e, de um grande saco, tirou o corpo para a cozedura. Sem grandes alardes caiu na panela. Mexeu, provou e deixou cozinhar em lume brando, como mandava a receita.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Enquanto a panela fervia, dirigiu-se à sala e começou a pôr a mesa, com todo o requinte; dois grandes castiçais – um em cada extremo – culminaram a tarefa. Depois de apagar o fogão, voltou à cave.</font></p>
<p>&#160;<a href="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image6.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image_thumb6.png?w=534&#038;h=362" width="534" height="362" /></a></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Preparados para a festa, meus queridos? – disse ela, enquanto desensarilhava um ponta da corda para os puxar escada acima, sem nunca os desamarrar. Eles não resistiram, deixaram-se levar.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Na sala de jantar, soltou-lhes um pouco a corda, para que todos eles se sentassem à mesa; mas sem facilitar, não fosse algum escapar-se e estragar-lhe o sonho de uma vida. Quando todos já estavam instalados, foi à cozinha buscar o manjar; voltou com uma enorme terrina de prata que colocou bem ao centro da mesa.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Quem quer ser o primeiro a ser servido? – perguntou ela, enquanto destapava a terrina, deixando sair uma grande quantidade de vapor que se espalhou pela sala, enchendo-a de finos aromas.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ninguém respondeu; no entanto, não se fez silêncio. Assim que o fumo se dissipou, foram gritos histéricos que estalaram no ar. Não queriam acreditar no que viam dentro do caldo; só nesse momento, os forçados convivas repararam que faltava um dos companheiros, que havia um lugar vazio na mesa.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Glenn, desiste! Nem com todo o terror do mundo serei teu – disse, entre soluços e gaguejos, o Oscar de Melhor Actriz.</font></p>
<p><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image7.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image_thumb7.png?w=534&#038;h=384" width="534" height="384" /></a> </p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Serás, serás! Serás tu e todos os que estão aqui. Esta noite não terei um, mas sim todos os Oscares possíveis – respondeu Glenn Close, já com a voz exaltada. – Tantos anos a sorrir, a bater palmas e a vir sempre de mãos abanar. Não, hoje só vão ser meus e de mais ninguém.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Mas Glenn, eu sou o dos Efeitos Especiais, nunca te calhava, sou mais uma coisa de computadores. Deixa-me ir embora! &#8211; implorou, com voz sumida e fina, um outro Oscar.</font></p>
<p><font size="3"><font face="Verdana"><font color="#000080">- Daqui ninguém sai; pelo menos, vivo! – Glenn voltou a soltar uma gargalhada histérica. – Vá sirvam-se, preparei esta sopa de Oscar de coentrada, com todo o carinho do mundo só para vocês; pena que o Melhor Actor já não vá para ninguém, a não ser para o nosso palato. <i>Clooney, my dear, I don’t give a damn! </i></font></font></font></p>
<p align="center"><img src="http://images.tvrage.com/people_galleries/17/48110/80546.jpg" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Não adianta, Glenn – disse o Oscar de Melhor Filme, endireitando-se na cadeira e fazendo jus ao seu estatuto de prémio principal – Connosco ou não, será sempre a Meryl Streep que subirá ao palco; ela é uma senhora!</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ainda com a exclamação entre dentes, o Oscar do filme do ano voou até à lareira, depois de Glenn lhe ter dado com a colher com que tirava a sopa.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- <i>You talking to me</i>? – perguntou Glenn virada para a restante plateia à mesa, enquanto o calor do lume derretia as formas da estatueta. – Vamos comer, antes que o Bunny esfrie. Meus queridos, temos que celebrar esta grande noite, e não se preocupem com Meryl, que ela está muito bem. <i>Merylizinha, I&#8217;ve got a feeling you&#8217;re not in Kansas anymore</i>. </font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://4.bp.blogspot.com/_DLMbxIoKN3c/R9WYK8rJnkI/AAAAAAAABtQ/4jH_WCX7v1Q/s400/Meryl_Streep_Biography_2.jpg" width="359" height="457" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Meryl abriu os olhos, com algum esforço, como se tivesse a despertar de uma ressaca adolescente; uma forte dor na cabeça prendia-a ao chão, onde estava prostrada. Não percebia como tinha ido parar ali, a uma pequena ilha, de meia dúzia de metros quadrados, perdida no meio do oceano; logo naquele dia, em que uma plateia enorme a aguardava para lhe fazer a maior das ovações.</font></p>
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		<title>It&#8217;s my party (estranho como cinema)</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 18:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bau P</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;Se fosse como no cinema, ela desceria lentamente por uma longa escadaria, de maneira a exibir o seu longo vestido púrpura, sem ombros, completamente justo até aos joelhos – realçando-lhe umas formas ainda bem moldadas na idade – e solto na parte final; mas não, ele quase que se assustou quando ela lhe apareceu, subitamente, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=508&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#160;<font color="#000080" size="3" face="Verdana">Se fosse como no cinema, ela desceria lentamente por uma longa escadaria, de maneira a exibir o seu longo vestido púrpura, sem ombros, completamente justo até aos joelhos – realçando-lhe umas formas ainda bem moldadas na idade – e solto na parte final; mas não, ele quase que se assustou quando ela lhe apareceu, subitamente, por detrás do sofá.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;border-top:0;border-right:0;margin:0 auto 10px;" title="image" border="0" alt="image" src="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image_thumb.png?w=358&#038;h=423" width="358" height="423" /></a>- Apertas-me o colar? – pediu ela.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ele levantou-se, largou o charuto apagado que tinha na mão – apenas brincava com a peça para se entreter e distrair o vício – e obedeceu ao pedido; maldito fecho, uma jóia de alto valor e depois com um sistema completamente arcaico; ficou nervoso por não estar a conseguir levar a bom termo o pedido.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Não achas que pode parecer muito ostensivo levar uma jóia destas, numa altura como esta? – perguntou ele, não tanto pela preocupação, sabia que a mulher como remate daquele vestido de alta costura nunca iria colocar uma peça qualquer, mas sim para disfarçar o nervosismo de não conseguir executar a empreitada.</font></p>
<p><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image1.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:inline;border-top:0;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" align="left" src="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image_thumb1.png?w=194&#038;h=232" width="194" height="232" /></a> </p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Estás doido? O que diriam se eu aparecesse como uma pindérica – respondeu ela, também a disfarçar a impaciência da falta de jeito do marido. – Sabes bem que é em momentos como estes que temos que mostrar o que temos e o que não temos; ai de nós se damos a transparecer alguma crise, vamos de imediato ao chão. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Finalmente conseguiu levar a cabo a tarefa: o belo colar de brilhantes, com uma bonita gema em ponta e dois brincos a condizer, brilhava seguro na pele alva da mulher. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Vamos, ainda que não queira chegar cedo, não podemos chegar tarde, a Mimi odeia atrasos, especialmente em ocasiões como esta – disse ela, enquanto pegava numa longa estola branca de pêlo genuíno e a colocava nos ombros; as noites iam frias.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ele vestiu o casaco do smoking e dirigiu-se para a porta; antes de sair, ela ajeitou-lhe o laço e beijou-o. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Já a porta estava a fechar, quando se voltou a abrir: tinham esquecido o convite. Ele reentrou no hall, dirigiu-se a uma pequena mesa, pegou num envelope e abriu-o; sim, ali estava o convite, em papel pergaminho com letras douradas. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">À saída da garagem, ao ver passar o luzente jaguar preto, o segurança ensaiou uma pequena vénia de cumprimento, acompanhada de um “boa noite” que não pôde ser ouvido; dentro do carro, ouvia-se Bach, na sinfonia 11 em G menor. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Durante o trajecto as palavras não foram muitas, a música envolvia-os e afastava-os das imagens que desfilavam pelos vidros fumados do carro: ao longo da marginal, gente, em bando &#8211; outrora designados por sem-abrigo, agora população em geral -, aquecia-se em pequenas fogueiras feitas de restos, de lixo que, ao final do dia, depois de nova escolha, não tivera melhor destino. </font></p>
<p><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image2.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image_thumb2.png?w=484&#038;h=316" width="484" height="316" /></a> </p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Uma ilha – rompeu ela o silêncio. – Não é por assistirmos constantemente a este tipo de miséria que ela deixa de o ser; se fossem todos para uma ilha não ficávamos com este triste espectáculo que só causa má imagem ao país. Ao menos, tinham um incentivo: sair da ilha. Quando houvesse emprego, e tivessem novamente lugar na sociedade, íamos buscá-los; os mais capacitados, os mais fortes teriam de novo uma oportunidade.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ele não respondeu, concentrou-se na condução – acelerou, não fosse algum vagabundo daqueles saltar-lhe para a frente do carro – e em Bach. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">No grande portão de ferro forjado, arte nova, que abria a entrada do palacete de Mimi, os seguranças certificaram os convites e abriram passagem. Estacionaram na área reservada aos convidados. Ela ficou satisfeita: não estavam atrasados, mas também já tinham chegado bastantes convidados, assim, poderia entrar numa festa composta e não numa arena despida, o que acontecia sempre a quem – por não saber boas regras de sociedade &#8211; chegava cedo.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Entraram na sala. Foram vistos. Viram. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Uma grande paleta de cores sóbrias, constituída pelo enorme desfile de vestidos assinados, envergados pela fileira feminina, contrastava com o branco e preto da ala masculina, criando uma espécie de pintura expressionista.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">&#160;<a href="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image3.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image_thumb3.png?w=359&#038;h=469" width="359" height="469" /></a> </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não foram precisos muitos segundos para que o casal, recém-chegado, estivesse entrosado com todos os presentes, num ameno convívio, enquanto esperavam pela entrada da anfitriã. Os empregados, vestidos a rigor, desfilavam, ao alto, bandejas com pequenos canapés – não muito procurados, era preciso manter a linha e não se podia, de forma alguma, dar a imagem de esfomeados &#8211; e bebidas requintadas, onde o champanhe era a eleição. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"> Ao fim de alguns minutos, eram nove em ponto, a música mudou; o pianista deixou de tocar um dos Nocturnos de Chopin e encetou o Moonlight Sonata de Bethoven. Fez-se silêncio, Mimi ia entrar; os olhares rodaram para a imponente escadaria que desaguava na sala.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/angelinajoliegoldenglobesbradpitt201203.jpg"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:inline;border-top:0;border-right:0;margin:0 5px 0 0;" title="angelina-jolie-golden-globes-brad-pitt-2012-03" border="0" alt="angelina-jolie-golden-globes-brad-pitt-2012-03" align="left" src="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/angelinajoliegoldenglobesbradpitt201203_thumb.jpg?w=166&#038;h=323" width="166" height="323" /></a></font>Como no cinema, Mimi começou a descer, lentamente, degrau a degrau, as longas escadas em mármore que ligavam a zona térrea – de pé alto &#8211; ao andar de cima. Com um sorriso discreto e um ligeiro acenar de cabeça, foi cumprimentando os presentes na sala. Todos puderam comprovar a sua magnânima elegância: num justo vestido pérola, apenas com uma faixa vermelha no topo a definir fronteira com os ombros, Mimi brincava com a idade. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">No final da caminhada descendente, Mimi, agora com um sorriso mais aberto, dirigiu-se à <em>chaise longue</em> de veludo vermelho, que estava situada no centro da sala, e onde ninguém se sentara. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Boa noite e sejam bem-vindos – cumprimentou Mimi antes de qualquer gesto; depois, sentou-se, para de seguida se esticar naquele divã especial. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Como uma sereia, e perante o olhar embevecido e contemplativo de todos, assim permaneceu durante algum tempo. Sentiu-se descomposta, a enorme racha no vestido permitia ver por completo as suas longas pernas. Num gesto discreto, puxou o vestido para que cobrisse parte das pernas; não que tivesse pudor em mostrar-se um pouco, mas não se sentia bem ao saber que uma parte do corpo, onde as dietas e as plásticas não foram suficientes para enganar o tempo, estivesse, assim, a descoberto de todos. </font></p>
<p><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image4.png"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="image" border="0" alt="image" src="http://bap63.files.wordpress.com/2012/01/image_thumb4.png?w=430&#038;h=322" width="430" height="322" /></a> </p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Um dos empregados – talvez o mais velho deles todos – aproximou-se com uma bandeja, inclinou-se perante Mimi e ofereceu-lhe o que transportava. Ela pegou no objecto, ergue-o aos convidados: &#8211; À vossa!</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Todos os presentes – com excepção dos empregados – ergueram os seus cálices e também brindaram. Depois da saudação, Mimi baixou o objecto, encostou-o à boca, sorriu e disparou. A pistola caiu no chão. A cabeça de Mimi não tombou serenamente na <em>chaise longue</em>, como nos filmes, como ela previra, desfez-se, sim, com o impacto do disparo, largando sangue e pedaços de carne por todo o lado. Alguns dos vestidos, outrora sedosos de encanto, apresentavam agora manchas avermelhadas à mistura com uma estranha pasta cerebral.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Como pessoas de fino trato e de esmerada educação, ninguém perdeu a compostura. Os convidados, voltaram a erguer as taças e brindaram novamente à eternidade. </font></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/bap63.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/bap63.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/bap63.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/bap63.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/bap63.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/bap63.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/bap63.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/bap63.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/bap63.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/bap63.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/bap63.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/bap63.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/bap63.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/bap63.wordpress.com/508/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=508&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Encantador de Cavalos</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Jan 2012 13:01:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bau P</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Mas que saber importa?, se a razão é morta. Ele olhou aquelas letras que rabiscou no seu caderno de notas; sentiu-se orgulhoso e extasiado. A frase com que concluíra o curto poema tinha força, dera todo um brilho aos versos anteriores, e fizera-o explodir de prazer. Nunca pensara escrever poesia, mas agora, todos os dias, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=493&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mas que saber importa?, se a razão é morta.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ele olhou aquelas letras que rabiscou no seu caderno de notas; sentiu-se orgulhoso e extasiado. A frase com que concluíra o curto poema tinha força, dera todo um brilho aos versos anteriores, e fizera-o explodir de prazer. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><img style="display:inline;margin:0 10px 0 0;" align="left" src="http://www.iop.net/client_resources/recreation/memoirs.jpg" width="191" height="237" />Nunca pensara escrever poesia, mas agora, todos os dias, tinha necessidade de desabafar um poema, como se expiasse a remoinho dos acontecimentos num desfile de palavras soltas, ritmadas, bem adjectivadas e de sentido profundo; sempre era mais fácil que a anterior mania artística de pintar umas naturezas mortas &#8211; que por vezes até ganhavam vida de tão espaventosos traços -, especialmente porque montar o ateliê não era tarefa que se pudesse fazer a qualquer momento e em qualquer lugar.</font></p>
<p align="left"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">De tão satisfeito com o poema que escrevera, achou que o devia passar de imediato para o computador; a lírica fazia parte daquele lote de cinco estrelas que um dia haveria de dar a conhecer; sim, porque o mundo ignorava quanta sensibilidade se escondia por detrás daquele olhar bravio e acutilante com que se apresentava aos outros. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Só no momento em que se preparava para dedilhar tão pulcras palavras, é que reparou que no computador ainda passava um filme que pusera – antes de tão nobre inspiração – a correr no ecrã. O fulgor do engenho fizera-o esquecer das imagens. Mais sereno – o resultado literário sossegara-lhe a excitação -, voltou a concentrar-se na narrativa do filme.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Perante o desfile das imagens sentiu-se emocionado; não só porque foi aquele ambiente fílmico que o inspirara e lhe dera o impulso para rabiscar as belas palavras, mas também porque o ambiente das cenas que via reconfortava-o, aconchegava-o, como naquelas tardes do dia de natal, em família, a ver velhos musicais. </font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://backstage.blogs.com/.a/6a00d8341c9cc153ef0115715a06d9970c-500wi" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Apeteceu-lhe elevar o som para se envolver ainda mais com o que apreciava, mas não o fez, não queria que do outro lado do gabinete tivessem a mais pequena percepção do que estava a ver. Tinha pena. Apesar de já quase saber de cor o desfile dos acontecimentos, gostava sempre de ouvir o embalo das vozes que davam corpo ao encanto das cenas. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mesmo com cinema mudo, uma lágrima ainda tentou nascer num recanto das vistas. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">No ecrã do computador, duas belas mulheres – esculpidas a silicone e a farandol -, nuas, entregavam-se num jogo luxuriante, onde não faltavam umas longas e agudas botas de cabedal, não descalçadas, uns chicotes inocentes, repousados nos revoltos lençóis de cetim grená, e um fálico dildo, bem luzente, com que brincavam nas suas partes íntimas, depiladas e oleadas para o momento. Ainda que nada se ouvisse, poder-se-ia deduzir os sonantes gemidos que as duas fêmeas soltavam durante o acto em cena.</font></p>
<p><img style="display:inline;margin:0 10px 0 0;" align="left" src="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSq_PwAT5hgFosD3zvAi1RxdWYgZQh7WkgxHhhyYocSs389Q4lVswuWO3vDQA" width="194" height="194" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Foi o som do telefone que o despertou de semelhante encantamento. Atendeu, soltou uns monossílabos entre dentes e desligou. Estava atrasado. Num rompante, desligou o filme, fechou o computador e o caderno, levantou-se do cadeirão e foi até ao pequeno sofá no canto do gabinete. Pegou nas calças e vestiu-as rapidamente; a gravata – pousada nas costas do sofá – voltou ao pescoço e foi apertada. Estava novamente composto.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Bateram à porta. Ele respondeu: sim, pode entrar.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Vamos, senhor Ministro? – perguntou o assessor, assim que abriu a porta. – A sala já está repleta de jornalistas.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Sim, vamos lá domar as feras – tentou uma piada, o ministro.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- E que feras! Este osso vai ser duro de roer; também, com as medidas que vamos anunciar, não podemos esperar outra coisa.</font></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/bap63.wordpress.com/493/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/bap63.wordpress.com/493/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/bap63.wordpress.com/493/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/bap63.wordpress.com/493/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/bap63.wordpress.com/493/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/bap63.wordpress.com/493/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/bap63.wordpress.com/493/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/bap63.wordpress.com/493/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/bap63.wordpress.com/493/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/bap63.wordpress.com/493/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/bap63.wordpress.com/493/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/bap63.wordpress.com/493/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/bap63.wordpress.com/493/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/bap63.wordpress.com/493/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=493&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Lets Twist Again (Pulp Fiction sempre a abrir)</title>
		<link>http://bap63.wordpress.com/2012/01/08/lets-twist-again-pulp-fiction-sempre-a-abrir/</link>
		<comments>http://bap63.wordpress.com/2012/01/08/lets-twist-again-pulp-fiction-sempre-a-abrir/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 14:03:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bau P</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma onda acordou-o; os salpicos de água no corpo fizeram-no levantar rapidamente da areia. Estava nu, só e perdido numa praia desconhecida. Quando se viu assim, ainda esboçou um sorriso – devia ter sido forte a farra na noite anterior, para despertar naqueles propósitos -, mas o facto de não lhe soprar na memória nem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=487&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Uma onda acordou-o; os salpicos de água no corpo fizeram-no levantar rapidamente da areia. Estava nu, só e perdido numa praia desconhecida. Quando se viu assim, ainda esboçou um sorriso – devia ter sido forte a farra na noite anterior, para despertar naqueles propósitos -, mas o facto de não lhe soprar na memória nem uma réstia de prazer, depressa o fez abandonar a ideia de deleite nocturno; fora assaltado, drogado até, e abandonado naquele ermo, pensou. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ao fundo, junto às rochas, ainda que a névoa pintasse o ambiente, viu o que lhe pareceu ser um bar de praia: uma casa pequena de madeira. Dirigiu-se para aquele local, alguém havia de lá estar para o socorrer, pelo menos dar-lhe umas roupas que o ajudassem a sair daquele estado indecente.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://www.3form.eu/images/cms/images/twist_main.jpg" width="536" height="274" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Quando entrou – depois de empurrar uma porta que teimava em não abrir – viu um espaço completamente deserto, apenas um balcão dava a ideia que o estranho local fora um bar. Caminhou naquela sala vazia à procura de encontrar algo &#8211; não sabia o quê -, como quem procura o interruptor para acender a luz quando se está no meio da escuridão. Encontrou uma camisa caída por detrás do balcão; sem pensar, vestiu-a de imediato. Sentiu-se mais composto. Abriu uma porta – seria uma cozinha, o mobiliário assim o apontava -, entrou e ainda não tinha dado dois passos e já tropeçava em algo: um corpo de homem, estendido e sem camisa, sangrava. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não dava ares de vida aquele corpo estendido; o sangue derramado no chão levou-o a nem tentar perceber se ainda podia fazer alguma coisa por aquele homem. O melhor era sair daquele lugar, antes que as coisas complicassem; talvez chamasse a polícia quando pudesse dar uma explicação lógica porque estava ali.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Não se mexa! – ouviu a ordem por detrás de um cano de uma pistola que lhe encostaram na nuca. – Não vai sair daqui vivo. Vou fazer-lhe o mesmo que o senhor lhe fez a ele.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Apetecia-lhe gritar que não fizera nada, que estava ali por engano, mas a pistola, a respirar a sua pele, emudeceu-o. Achou piada que alguém – ainda sem saber porquê – o tratasse por senhor no momento em que o queria matar; teria que ser muito mais nova a mão que empunhava a arma. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">A voz, feminina, não disse mais nada; a sua dona, entretanto, disparou um tiro seco. Ele caiu. No chão, atordoado, delirou com a sua morte: como seria ela? Não teve muito tempo para desvarios, um outro corpo, perto de uma porta, tombava. O tiro não tinha sido para ele – que caíra apenas pelo efeito da explosão do disparo junto ao ouvido -, mas sim para uma nova personagem que surgira de repente.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Desculpe se o assustei, mas tinha que criar uma manobra de diversão para o abater. Caso contrário seria ele a matar-me. Agora, tenho que fugir antes que cheguem mais. O senhor deve fugir também, mas seria melhor vestir umas calças primeiro, ou ainda acaba preso por atentado ao pudor.</font></p>
<p><img style="display:inline;margin-left:0;margin-right:0;" align="left" src="http://www.solidworkstutorials.com/en/wp-content/uploads/2009/07/twist_phone_cord_1.gif" width="162" height="206" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Sem mais palavras, ela fugiu e ele ficou, agora, na companhia de dois cadáveres. O disparo e a queda serviram para uma coisa: enquanto caído lembrou-se que se chamava David.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Naquele compartimento, que já fora cozinha, os mortos pareciam multiplicar-se; ainda não estava ali há cinco minutos e já jaziam dois a seus pés. Antes de sair, precisava de encontrar um telemóvel – só isso o metia em contacto com o mundo exterior, o mundo normal que o arrancaria daquela alucinação -, mesmo extintos, os corpos teriam que ter um, todo o ser humano carregava aquela gerigonça electrónica como um segundo coração. No primeiro corpo nada encontrou, apenas reparou que o seu peito tinha uma tatuagem: 5 letras em círculo que faziam a palavra Croma. No segundo, no bolso das calças, encontrou o objecto desejado. Marcou o 112; no meio de uma convulsão quase histérica de palavras chamou a polícia. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Enquanto esperava, resolveu que não queria aparecer assim aos agentes, apenas com uma camisa no corpo, provavelmente emprestada da primeira vítima. Dirigiu-se à segunda vítima e tirou-lhe as calças, deviam servir-lhe, o homem tinha uma daquelas estaturas padrão. Ainda estava a correr, com cuidado, o fecho-éclair, quando uma mão lhe agarrou a perna violentamente.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Corra! – disse-lhe o moribundo sem calças, com os olhos bem arregalados – Corra sempre, pare apenas para morrer – e, como sempre, nestas coisas de falas de gente a finar, fechou os olhos após a frase fatal. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Nesse momento, David reparou em coisas estranhas: as duas vítimas eram quase iguais, gémeos seriam; as caras deles lembravam-lhe alguém mas não sabia quem. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">David saiu para o pequeno alpendre – que outrora devia ter sido uma esplanada – e esperou a chegada da polícia. Quando viu umas luzes aproximarem-se, vindas pela única estrada, de terra batida, correu ao encontro delas. Ainda não tinha soltado os primeiros ais – as pedras cravam-se nos pés nus – quando recebeu os primeiros tiros. Felizmente que o anoitecer distorce pontarias, e ele teve tempo para se atirar pela ribanceira da berma; correu mais um pouco e escondeu-se numa duna. Os dois homens da autoridade saíram do carro e começaram-no a procurar.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Chama reforços, ele não pode sair daqui vivo – ouviu David, de um polícia que estava bem perto e que, só por um triz, não o viu.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mas quem acabou morto foi o próprio polícia, ao ser alvejado por um tiro vindo da escuridão. O outro agente, isolado, depois de ter disparado para o vazio, recuou, entrou no carro e partiu a toda a velocidade.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">David não sabia se havia de sair do buraco da duna e correr sem fim, ou aguardar que aquela tempestade de gente a cair morta se acalmasse. Não teve tempo para ter muitas dúvidas. Umas luzes acenderam-se e vieram até ele; era um todo- o-terreno, que parou e abriu a porta.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Entre, se ainda quer viver – disse-lhe uma mulher, ao volante, e que tinha a voz da personagem que lhe colocara a pistola junto ao seu ouvido na cabana.</font></p>
<p><img src="http://www.akblessingsabound.com/wp-content/uploads/2009/04/twist_logo2-akblessingsabound.jpg" width="529" height="222" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Sem hesitar ele entrou no veículo e partiram; não pela estrada normal, mas sim pelo meio de todo aquele matagal, provavelmente uma zona de reserva onde não podia transitar, embora a um carro de gama alta tudo seja permitido.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Chamo-me Penélope – apresentou-se a estranha personagem feminina.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">David olhou-a: era uma mulher muito bonita; mais uma vez a cara dela também lhe parecia familiar, mas não sabia quem, talvez uma actriz de cinema. Não se preocupou muito com esse facto, se ele não se lembrava do seu passado recente, quanto mais ter boa memória cinematográfica.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Pode explicar-me o que se está a passar? – tentou David obter um esclarecimento para o seu pesadelo. – Acordo nu numa praia, chovem-me corpos aos pés e já ouvi mais tiros neste final de tarde do quem em toda a merda de filmes que vi na vida.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ela não ligou à pergunta. Continuou a conduzir.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Vai continuar neste joguinho de mistérios? Não tenho paciência para tal brincadeira.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- É bom que tenha, mesmo, muita paciência; o seu jogo ainda agora começou.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Sem mais palavras, Penélope parou o carro, saiu e começou a subir aquilo que parecia uma duna gigante. David imitou-a, mais lentamente, que os pés descalços não lhe deixavam azos de grandes velocidades. Ao chegar ao topo deitou-se por detrás de uns arbustos, voltando a imitá-la. Olhou e viu, ao fundo, numa espécie de vale, aquilo que lhe parecia ser um grande complexo industrial ou uma central energética; as luzes e alguma arquitectura sofisticada davam ao lugar um ar de coisa do outro mundo, como se um qualquer Guggenheim tivesse despencado ali. </font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://www.abstractdigitalartgallery.com/artist-Sven-Geier-fractal-art-work-twist.jpg" width="464" height="372" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Vamos; vamos tentar entrar – disse Penélope. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Está doida? Já tenho que chegue. Quer o quê, que assalte as instalações de uma sucursal da NASA?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Não tem outra saída, se quiser viver. Neste momento está contaminado com um vírus mortal e só ali poderá encontrar o antitudo que o salvará.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Sem pensar, David agarrou-a e beijou-a; como era doce a boca daquela mulher.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Bom, assim seremos dois a estar contaminados – disse-lhe ele após o gesto arrebatado. – A união faz a força.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Não seja cretino. Acompanhe-me.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Bem gostaria, mas a forma como ela saltou a vedação era mais adequada a um artista de circo do que a uma simples pessoa. Só faltava mesmo que ela abrisse a pele e fosse um lagarto, ou então que aquelas luzinhas todas começassem um processo de ascensão aos céus para a loucura ser completa, pensou David ao assistir ao triplo salto mortal efectuado pela tal Penélope. Quando ela já estava do outro lado, ele sorriu-lhe e encolheu os ombros, como que a dizer: &#8211; E agora, não está a pensar que eu seja acrobata.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Vá até à portaria e entre normalmente.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Só assim, chego lá, aceno e entro?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Exacto.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Para quê duvidar, quando a loucura se instala, tentar tecer um raciocínio com uma milésima de lógica é pura perda de tempo. Avançou até à portaria, chegou a um pequeno cubículo onde estava um segurança; este olhou para o intruso, tirou uma pistola do bolso e disparou.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não saiu bala da pistola mas, sim, um raio avermelhado que iluminou o corpo de David, numa espécie de scanner.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Boa noite – cumprimentou o segurança, depois de ter verificado, no ecrã, todas as componentes do intruso e de lhe abrir o portão.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">David entrou cauteloso: porque lhe permitiam, assim, a entrada? Ao avançar, tentou retribuir, com um simples acenar, um agradecimento ao segurança, mas não teve tempo; ficou gelado com o que viu. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Dentro do pequeno cubículo da portaria, o rosto de segurança – impávido e a seguir com o olhar os movimentos de David – revelou-se igual ao dos dois homens que ficaram caídos no bar da praia, e, mais uma vez, a cara era-lhe familiar. Naquele sonho alucinado, do qual teimava em não despertar, a humanidade masculina que se atravessava pela sua frente parecia que ficara reduzida a um único elemento que se replicara.</font><img style="display:inline;margin-left:0;margin-right:0;" align="left" src="http://www.outofaces.com/wp-content/uploads/2009/08/twist-cocktail-shaker.jpg" width="154" height="240" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">No entanto, o susto maior acabou por o ter quando, próximo do edifício principal – onde o esperava Penélope -, e ao passar diante de um envidraçado, viu reflectida a sua imagem: todos os supostos gémeos – com os quais esbarrara nas últimas horas &#8211; eram, nada mais, do que uma cópia da sua própria figura. Desde que acordara na praia que esquecera quem era, mas naquele momento, ao ver-se reflectido, reconheceu-se e identificou-se como réplica de todos as figuras masculinas que emergiram naquela sua alucinação – sós os polícias escapavam a essa figuração, mas as luzes do carro e os disparos não lhe deram tempo para os fixar.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Com um passo arrastado, começavam a faltar-lhe as forças, aproximou-se de Penélope; não esperava que ela lhe desse alguma explicação – e se a desse, por certo, ainda o confundiria mais -, apenas queria que o levasse dali para fora. Ela fez-lhe a vontade: assim que ele se aproximou, empurrou-o para dentro de uma espécie de elevador e carregou num botão.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Adeus – disse-lhe Penélope, do lado de fora. A porta fechou-se.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">David escorregou pela parede espelhada do elevador e deixou-se levar; algum destino haveria de encontrar, melhor ou pior não interessava, a confusão na sua cabeça era tanta que qualquer coisa servia. Levou algum tempo a chegar ao topo – pressentiu que ia subir. Quando o movimento parou e a porta se abriu, ele sentiu uma leve aragem fresca no rosto. Levantou-se e deu alguns passos, não muitos, pois, se mais algum tivesse dado, mergulharia num enorme abismo que se oferecia a seus pés. Tentou enxergar alguma coisa que lhe desse uma pista, mas além da altura descomunal – como se tivesse trepado à montanha mais alta e estreita do mundo &#8211; onde se encontrava, só um vasto mar à sua volta lhe invadia o olhar. </font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://www.abstractdigitalartgallery.com/artist-Sven-Geier-fractal-art-work-deep-dive.jpg" width="505" height="379" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Como nos sonhos de miúdo – em que acordava sempre que caía de um abismo – resolveu atirar-se; assim, por certo, despertaria daquele pesadelo. Bastariam uns segundos de mergulho picado e estaria a acordar, dando um valente salto, na sua cama de sempre.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não acordou.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">David deitado numa cama de uma enorme sala, cheia de ecrãs, permaneceu imóvel; os monitores mostravam uma única imagem de um negro contínuo, como se todos estivessem desligados, apenas um apresentava uma linha contínua florescente.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Não resistiu – disse uma assistente, enquanto desligava uns fios da cabeça de David. – Não passou do nível 7.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- A continuar assim, não vamos ter concorrentes para o <i>Secret Dream</i> – comentou o produtor do programa, enquanto tocava num dos ecrãs negros para visualizar imagens, algo distorcidas, das últimas vivências de David. – Já é o terceiro esta semana. Vejam lá se injectam menos soro de sonho nos próximos, esta gente só come porcarias e depois tem um coração de passarinho. Bom, este também não era nada de interessante, que raio de sonhos o homem tinha, parecia <i>pulp fiction</i> e da má, devia ser mais um escritor frustrado, daqueles que agora levam a vida a escrever coisas na internet. Pode ser que o próximo tenha uns sonhos mais escabrosos, sem isso estamos feitos, ninguém vai ver o programa. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- E o que faço com este?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Fale com o Gaspar, pode ser que ele tenha algum interesse no corpo; ouvi dizer que o próximo programa dele é uma coisa de ressuscitar mortos. A Croma TV bem precisa, ou ainda perde as eleições.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Num tempo em que as estações televisivas passaram a constituir governo, só uma boa audiência poderia dar maioria absoluta, na nova democracia electrónica.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://www.mortaljourney.com/main/wp-content/uploads/chubby-checker-doing-twist.jpg" /></p>
</p>
</p>
</p>
</p>
<blockquote><p><strong>Nota: A versão mais alargada da historieta tem outros contornos e um desenlace diferente.</strong></p>
</blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/bap63.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/bap63.wordpress.com/487/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/bap63.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/bap63.wordpress.com/487/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/bap63.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/bap63.wordpress.com/487/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/bap63.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/bap63.wordpress.com/487/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/bap63.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/bap63.wordpress.com/487/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/bap63.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/bap63.wordpress.com/487/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/bap63.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/bap63.wordpress.com/487/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=487&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Di&#225;rio de um Idiota (5) &#8211; Leil&#227;o</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 10:33:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bau P</dc:creator>
				<category><![CDATA[Absurdo]]></category>
		<category><![CDATA[Curtas]]></category>
		<category><![CDATA[Diário]]></category>
		<category><![CDATA[Historietas]]></category>
		<category><![CDATA[Diário de um Idiota]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Parei o Jaguar à porta. Não precisei de abrir a porta, nem o motorista de sair do carro: como se fosse um boneco de corda, o porteiro abandonou a sua posição hirta debaixo do toldo e caminhou, em passos curtos e saltitantes, pela passadeira vermelha até ao veículo, abriu a porta e apresentou-me uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=484&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#160;</p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Parei o Jaguar à porta.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não precisei de abrir a porta, nem o motorista de sair do carro: como se fosse um boneco de corda, o porteiro abandonou a sua posição hirta debaixo do toldo e caminhou, em passos curtos e saltitantes, pela passadeira vermelha até ao veículo, abriu a porta e apresentou-me uma vénia. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Boa tarde Mr. Dimitris – cumprimentou ele, assim que coloquei os pés em chão não motorizado; nunca lhe dirigi a palavra (sou lá pessoa para dar esse tipo de confiança), mas ele, por força de muito me ver por aquelas paragens, gostava sempre de me saudar com reverência, fazia o papel de funcionário exemplar, o que só lhe ficava bem; um dia destes, direi ao motorista para lhe dar uns dólares, esta gente precisa sempre de uns trocados.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Quando entrei na sala, todos os olhares se voltaram para mim, sabiam que a minha chegada era um sinal que a transacção ia ser disputada; só um bom negócio me levaria a estar presente fisicamente, caso contrário, daria ordens por telefone, como era costume.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://www.tocadacotia.com/wp-content/gallery/leilao-online/leilao-online-1.jpg" width="416" height="312" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Então, como vão as coisas? – perguntei ao meu emissário na sala.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Bem, muito bem – respondeu ele, levantando-se prontamente da cadeira, não para me oferecer lugar, havia mais disponíveis, mas para esperar de pé enquanto eu me sentava. – Consegui arrematar tudo o que quería. Apesar de começarem a licitar por alto, depressa o preço cai, há muitos compradores mas, ao que parece, ninguém está disposto a pagar muito.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Óptimo. O que se segue?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Não é uma peça muito importante, nem tão pouco com dimensões relevantes, é coisa pequena.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Eu sei – anui, enquanto olhava para o catálogo no IPad e vias as características da próxima peça a leiloar -, realmente não é coisa muito vistosa, mas a localização é de primeira.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Temos que ter cuidado, não está em grande estado.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Não há problemas, manda-se abaixo o que for preciso e erguem-se coisas bem imponentes; daqui a algum tempo ninguém a irá reconhecer. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Não se esqueça do miolo, por dentro tem todo um habitat muito complicado; aliás, foi ele que corroeu tudo aquilo.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Não há problema, bastará uma boa pulverização e os parasitas desarvoram todos; depois, tudo o que ficar é porque faz falta para a estrutura se manter em pé e a funcionar como eu gosto, ou não fossem esses os mais resistentes.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">O leiloeiro regressou, após a curta pausa efectuada a seguir à venda anterior; ajeitou o microfone e preparou a voz.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Senhoras e senhores, a próxima pátria a arrematar é Portugal. Preço base: mil milhões. </font></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/bap63.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/bap63.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/bap63.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/bap63.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/bap63.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/bap63.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/bap63.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/bap63.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/bap63.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/bap63.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/bap63.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/bap63.wordpress.com/484/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/bap63.wordpress.com/484/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/bap63.wordpress.com/484/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=484&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Bora l&#225; com mais uma Tradi&#231;&#227;o</title>
		<link>http://bap63.wordpress.com/2011/12/28/bora-l-com-mais-uma-tradio/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Dec 2011 21:21:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bau P</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A vida é um ciclo e, por isso, estamos sempre a regressar ao ponto de partida, como aqueles ratos dentro das gaiolas-roda que giram e giram, mas não saem do mesmo sítio; enfim, são burros, apesar de ratos, e não vêem que um ser superior, nós, lhe armadilhamos as voltas para eles fazerem figuras de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=474&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">A vida é um ciclo e, por isso, estamos sempre a regressar ao ponto de partida, como aqueles ratos dentro das gaiolas-roda que giram e giram, mas não saem do mesmo sítio; enfim, são burros, apesar de ratos, e não vêem que um ser superior, nós, lhe armadilhamos as voltas para eles fazerem figuras de parvos.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Pois, tal como ratos, damos voltas e voltas e estamos sempre a regressar ao princípio – provavelmente porque também existe um outro ser superior, algures perdido no universo, que se diverte com as figuras que fazemos -, convencidos que iniciámos um novo ciclo. Pobres tontos, é mais do mesmo; passamos a vida a comer um prato requentado mas temos a mania que o <i>Grand Chef Gourmet </i>nos preparou um prato de <i>haute cuisine</i>.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/hamster_na_roda-1550.jpg?w=492&#038;h=306" width="492" height="306" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">O divertido é que sempre que voltamos à casa de partida – sem passar pela prisão, espera-se -, ganhamos nova energia, ainda que o cansaço seja muito, e desatamos a fazer desejos para o velho, disfarçado de novo que, vem todos os anos. Porque desejamos? Porque é tradição.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">A tradição já não é o que era, certo? Certo! Mas que tradição? Se fizermos caso de todas as tradições o mais certo é arriscarmo-nos a ficar completamente doidos pois há uma panóplia de usos completamente avassaladores, muitos deles em sentido contrário um dos outros.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Cumprir tradições é, por vezes, mais caótico do que ir a um centro comercial em véspera de Natal. A somar à tradição temos a sua prima, a superstição, com a qual compõe o ramalhete e forma uma aliança dourada – a expectativa parva -, o que, além de complicar a execução dos tais costumes idiotas, vem ainda criar uma dose de penalização para os não cumpridores.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://kiboosushi.files.wordpress.com/2011/12/390891_267016146679928_186023311445879_689551_132459600_n.jpg?w=525&#038;h=493" width="525" height="493" /></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">A noite de 31 de Dezembro, a famosa passagem de ano, em português mais conhecida por <i>reveillon</i>, é um autêntico painel demonstrativo desta santa aliança, em que subir a cadeiras, deglutir passas, bater em panelas, vestir roupa interior de uma determinada cor, são apenas a ponte de um iceberg que teima em incendiar o mundo inteiro nessa data. Parece que não há buraquinho no planeta onde não esteja um cretino qualquer a tentar festejar e atirar ao ar uma série de costumes que alguém, que não tinha mais nada que fazer na vida ou que andou a beber uns copos valentes, resolveu dizer que dava sorte.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">O pior disto tudo é que não há uma norma, tipo Código Civil das Tradições, que nos ajude a sair deste calvário; mesmo um simples regulamentozinho paroquial já nos safava. Assim, somos entregues à pandemia de vontades para que cada ano seja verdadeiramente novo; lá mais para o final do calendário, suspiramos e vemos que, afinal, ele, o dito novel, morreu de velho. </font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://www.baixandowallpapers.com/wallpapers/11-2011/feliz-ano-novo-2012-1321895523.jpg" width="513" height="385" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Em jeito de despedida e com todos os votos de boa vontade, três pequenas historietas sobre o ano novo e as suas idiossincrasias. </font></p>
<p><b><font color="#ff0000" size="4" face="Verdana"></font></b></p>
<blockquote><p><b><font color="#ff0000" size="4" face="Verdana">1 &#8211; As passas fazem mal às costelas</font></b></p>
</blockquote>
<p><b><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></b></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">A festa estava ao rubro, a meia-noite aproximava-se. Em autêntico ambiente histérico, cada um propôs-se a executar a sua tradição para que o ano novo entrasse pela porta da frente bem radiante, fresquinho como uma alface acabada de colher. Não bastava a barulheira de toda a música saltitante, naquela garagem improvisada em centro de festas, veio juntar-se um autêntico chinfrim com o anúncio do tipo de tradição que se propunham a executar: traz as passas, põe a cadeira ao centro, onde está a panela para bater e outros avisos foram disparados em várias versões.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/avozinha.jpg?w=228" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Vamos lá avozinha, coma as 12 passas que está mesmo a dar a meia-noite – disse a neta à avó, senhora que já suspirava por todos os santinhos que tudo aquilo acabasse muito depressa, não aguentava tanta chinfrineira e a única coisa que ela queria mesmo, naquele momento, era apanhar-se na sua caminha com um copo de leite quente com canela para a aconchegar.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Mas eu não gosto, nem vou conseguir – respondeu a avó, olhando para as passas que já lhe tinham sido postas na palma da mão sem o seu consentimento; ainda que pequenas, pareciam-lhe enormes para a sua garganta fraquinha.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Qual não gosta, qual quê?! Coma, que é para dar sorte.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">A avó, a custo, lá começou a comer as 12 passas; se a neta assim queria, não lhe ia fazer essa desfeita, a rapariga precisava de assentar, ela estava numa idade complicada e não andava com grandes companhias, era preciso dar mesmo uma boa aragem de sorte naquela miúda, senão, qualquer dia, ainda lhe entrava pela porta dentro com uma rapazão tatuado, cheio de brincos e essas coisas modernas que só fazem mal à juventude e à vista de gente decente. </font></p>
<p><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/dscn3729b.jpg"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="DSCN3729b" border="0" alt="DSCN3729b" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/dscn3729b_thumb.jpg?w=534&#038;h=287" width="534" height="287" /></a> </p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não se sabe se por dificuldade em engolir uma dúzia de uvas secas à velocidade supersónica das badaladas, se pelo susto de ver o neto a estatelar-se de cima de uma cadeira que ela tanto estimava, engasgou-se.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Ai, acudam que a avó está sufocar – gritou uma das netas quando a pobre senhora começou a ficar roxa com uma sultana entalada na garganta.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Jaime, um neto bem robusto, estudante de enfermagem, mas mais dado a cantorias – andava a fazer castings para um programa de talentos; havia de ficar famoso pela voz e não pelas injecções –, afastou toda a gente e fez a manobra de Heimlich. O pessoal que tivesse calma, ele sabia do assunto, andava a estudar para isso. Com toda a sua força de rapaz possante nos seus 20 anos apertou a avó. A senhora soltou a maldita passa e um grito enorme; não foi de alívio.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Na urgência do hospital o médico teve muita dificuldade em perceber porque é que a pobre senhora teimava em lhe dizer que o motivo de ter uma costela fracturada fora uma simples passa da meia-noite.</font></p>
<p align="center"><font size="3"><font face="Verdana"><font color="#000080"><b>*****</b></font></font></font></p>
<blockquote><p><b><font color="#ff0000" size="4" face="Verdana">2 &#8211; Baixar as calças não é tradição</font></b></p>
</blockquote>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Ouve, é como eu te digo, deves vestir umas cuecas vermelhas, para dar muita felicidade, e que sejam as mais curtas possíveis, que é para trazer fortuna, pois o tamanho é inversamente proporcional ao dinheiro.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Manuel nem ouvia bem o que amiga lhe estava a dizer, ao olhar para aquelas <i>strings</i> vermelhas acetinadas, que ela lhe apresentava; só se lembrava que se vestisse aquilo iria ficar mais ridículo do que um <i>stripper</i> masculino em despedida de solteira. Não lhe bastava o vermelho florescente, ainda tinha que levar com o seu tamanho reduzidíssimo, especialmente na parte de trás, em que um simples fio resguardava toda a área, precisamente uma das zonas onde ele há algum tempo adquirira grande volume de massa corpórea.</font></p>
<p align="center"><img style="display:inline;margin-left:0;margin-right:0;" align="left" src="http://images01.olx.pt/ui/8/26/95/1282684421_115582195_1-stripperbailarino-odivelas-1282684421.jpg" width="184" height="306" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Não tenhas problemas, assim como assim, não vais andar a mostrar as cuecas a ninguém nessa noite.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Manuel quase que teve para lhe responder que até nem se importava muito de lhe mostrar a ela própria, mas resolveu ficar calado pois o seu sucesso com o sexo feminino estava pelas ruas da amargura e o máximo a que ele se arriscava era levar com a dita peça de roupa interior nas ventas; se calhar, todo esse infortúnio, era mesmo um sinal que devia seguir o conselho, a sua ventura romântica precisava de mudar.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Contrafeito, Manuel lá vestiu a <i>tanguinha</i> vermelha. O ano que terminava fora mesmo muito azarado, não havia nada que não lhe tivesse acontecido, pelo menos na sua mente pessimista era esse o retrato que lhe surgia sempre. Precisava, assim, de uma onda de sorte, para não dizer de um mar encrespado de muita boa ventura.</font></p>
<p align="center"><img src="http://www.adobetutorialz.com/content_images/AdobePhotoshop/ART-D/tutorial2/0.jpg" width="288" height="431" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Primeiro, sentiu-se muito desconfortável com aquela linha sedosa, demasiado fina e escorregadia, a passar no sítio onde detestava que passasse alguma coisa, mas aos poucos, como tudo na vida, habituou-se à ideia e ao desconforto; e lá para o fim da noite, já ninguém o segurava, todo ele era energia dançante, especialmente com os grandes saltos, onde exibia orgulhosamente os seus dotes de bailarino acrobático, talvez inspirado nas coreografias eléctricas que os habituais usuários de semelhante peça costumavam fazer. Tantos foram os saltos, naquela sua modalidade de baile olímpico, que acabou por dar um jeito numa perna, o que lhe provocou imensas dores; mesmo sem ver nada na perna, ele quase que jurava que tinha um osso exposto.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">&#160;&#160; No entanto, a dor maior foi quando, ao ir ao hospital por causa da perna, teve que baixar as calças e a enfermeira assistiu, em primeira fila, à exibição da sua <i>tanguinha</i> secreta em cetim vermelho, a sobressair no meio de uns pneus adiposos já bem acentuados. Consta que todo o pessoal da urgência passou por lá, como quem não quer a coisa, para ver semelhante modelo.</font></p>
<p><b><u><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></u></b></p>
<p><b><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></b></p>
<p align="center"><font size="3"><font face="Verdana"><font color="#000080"><b>*****</b></font></font></font></p>
<blockquote><p align="left"><b><font color="#ff0000" size="4" face="Verdana">3 &#8211; Branco mais branco nem sempre dá</font></b></p>
</blockquote>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Laura queria deitar para trás todas as agruras do maldito ano que findava e abrir os braços ao novo tempo que se avizinhava. Deixou o eterno e triste costume de ficar em casa na passagem de ano, a ver programas de humor duvidoso, e resolveu marcar um lugar num <i>reveillon</i> de um bom hotel, daqueles que têm à frente do nome uma fila enorme de estrelas. Só faltava mesmo escolher a vestimenta para o grande evento.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Sabes que com um vestido preto numa me comprometo, fica sempre bem – disse Laura a uma amiga, quando lhe mostrou a roupa que comprara. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Qual preto, qual quê? Imaginem entrar num novo ano já de preto, isso só atrai maus fluidos.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Mas eu sempre me vesti assim.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Por isso é que a tua vida está como está. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">A amiga depressa abandonou a peça estendida em cima da cama e começou a procurar alternativas no roupeiro. Já estava a desistir – <i>não sei onde esta rapariga compra a roupa, parece uma boneca espanhola com vestes de uma tia defunta</i> –, quando encontrou um vestido branco que lhe pareceu giro.</font></p>
<p><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/roupas.jpg"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="Roupas" border="0" alt="Roupas" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/roupas_thumb.jpg?w=312&#038;h=466" width="312" height="466" /></a> </p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Leva este, veste-te toda de branco que isso dá boa sorte. Não vês os brasileiros, todos de branco a chamarem as energias positivas?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Sim, mas nem por isso vivem bem.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Mas são felizes, é uma gente para cima, quando as coisas lhe correm bem, correm mesmo bem.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Mas esse vestido é de Verão, aliás como toda a minha roupa branca, e agora faz tanto frio.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Que nada! Levas este vestido branco giríssimo, pões aquela <i>pashmina</i> de lã rosa e vais muito bem.</font></p>
<p align="center"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://farm4.static.flickr.com/3261/3154839446_f14309eff6.jpg" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Laura não achava muito boa ideia ir vestida como nos trópicos quando por cá fazia um frio de gelar, mas acabou por aceitar o conselho da amiga; afinal, a sua vida andava, há uns anos a esta parte, num autêntico recuo, e só com muita luz ela poderia avançar. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não sabe se foi pelo vestido branco, se foi pelas taças de champanhe que bebeu para combater o frio – foram mesmo muitas, vinha uma corrente de ar do terraço que enregelava os ossos –, o que é certo é que se divertiu imenso naquele final de ano. Não se lembrava muito bem, mas sabia que acabara a noite, já de madrugada, no terraço da piscina a dançar sambinhas em comboio; fora uma alegria como nunca. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">O mesmo não pôde dizer, passados uns dias, quando se viu numa cama com uma pneumonia muito complicada durante 2 semanas, causada pelo frio que sofrera durante aquela memorável noite; logo ela, que gozara com uma colega que, em tempos, apanhara uma hipotermia ao teimar desfilar numa escola de samba no Carnaval da Mealhada, num gélido Fevereiro, desnudada como se tivesse no <i>sambódromo</i>.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Sabe, é o que dá este frio por cá, mesmo muito agasalhados apanhamos sempre qualquer coisa. Olhe, se tivesse no Brasil, agora estaria muito melhor, andava toda levezinha, com um vestidinho branco qualquer, e não havia nada que lhe pegasse – Laura encarou aquela frase do médico, numa das suas visitas, como uma piada de mau gosto; só podia ser.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">*****</font></p>
<blockquote><p><font color="#000080" size="5" face="Verdana"><strong>Um bonito 2012 </strong></font><font color="#000080" size="5" face="Verdana"><strong>na medida de todos os impossíveis</strong></font></p>
</blockquote>
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			<media:title type="html">Roupas</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Um contito de Natal: I&#8217;m Barbie Soul in the Barbie world (mundos b&#225;rbaros)</title>
		<link>http://bap63.wordpress.com/2011/12/22/um-contito-de-natal-im-barbie-soul-in-the-barbie-world-mundos-brbaros/</link>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 17:44:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bau P</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais do que o simples desembrulhar de uma prenda, por vezes, é o embrulhar que faz todo um acontecimento. Quando encolhemos os ombros e dizemos, oh, é giro, obrigado, não sabemos os reais dramas humanos que estão por detrás daquele pacote lindo com um laçarote. Com muito menos sofrimento há gente a combater em terras [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=466&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><b></b></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Mais do que o simples desembrulhar de uma prenda, por vezes, é o embrulhar que faz todo um acontecimento. Quando encolhemos os ombros e dizemos, <em>oh, é giro, obrigado</em>, não sabemos os reais dramas humanos que estão por detrás daquele pacote lindo com um laçarote. Com muito menos sofrimento há gente a combater em terras estranhas e a lutar com animais ferozes. Qualquer pé num centro comercial em vésperas de Natal transforma os arredores de Bagdad num passeio de monges tibetanos</font></p>
<p align="center"><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana"><img style="border-style:none;" class="wlEmoticon wlEmoticon-star" alt="Estrela" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/wlemoticon-star.png?w=600" /></font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Quando pensamos que um dia já nos estourou por completo, e que só um sofá nos salvará, ao nos injectar uma espécie de amnésia paradisíaca sobre as imagens que sobrevoam o nosso pensamento, eis que pode surgiu mais uma etapa, mais uma tarefa, tão assustadora que faz parecer o tormento anterior &#8211; o cadafalso que nos assombrou desde que nos pusemos a pé e olhámos para o espelho, com gritos logo pela manhã como envelhecer não é coisa bonita, até voltarmos a casa como combatentes de uma guerra em último grau – uma verdadeira festa privada com o elenco da Miss Suécia num acampamento de nudistas.</font></p>
<p align="center"><font face="Verdana"><font size="3"><font color="#0000a0"><b><img style="border-style:none;" class="wlEmoticon wlEmoticon-star" alt="Estrela" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/wlemoticon-star.png?w=600" /></b></font></font></font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">O pior dos telefonemas para receber num momento como aquele &#8211; em que regressava a casa depois de ter despachado, em velocidade supersónica, uma série de contratos e uma festinha de natal na empresa ensopada em boas vontades de última hora &#8211; acabara de acontecer. Pedro estava em pânico.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633762/original.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas tem mesmo que ser? – perguntou ele.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Tem – respondeu peremptoriamente Paula do outro lado da linha. – Amanhã é dia 24 e eu ainda não comprei a maldita boneca. Tu estás aí, mesmo perto do <i>shopping</i>, não te custa nada, ainda por cima a sobrinha é tua.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas aquilo vai estar um caos, estamos em véspera de Natal. Vão lá estar todos os tolinhos atrasados nas prendas a atropelarem-se uns aos outros.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Não queres que eu vá sair de casa a esta hora à procura do raio da boneca? Já corri <i>seca e meca</i> e não a encontrei. Numa loja de um outro centro disseram-me que nesse tinha.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas não pode ser outra coisa?</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Por amor de Deus Pedro, já me chegou a cena do Natal passado com os <i>crayons</i>, em que já não se sabia quem tinha que levar primeiro um par de estalos, se a criancinha, se a mãe da criancinha.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Realmente, a coisa não tinha sido para menos.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633767/384x480.aspx" /></p>
<p align="center"><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana"><img style="border-style:none;" class="wlEmoticon wlEmoticon-star" alt="Estrela" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/wlemoticon-star.png?w=600" /></font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana"> Bárbara, sobrinha de Pedro, ao ver mais um presente do género escolar, uma bonita caixa de <i>crayons </i>-<i> </i>depois de já ter recebido uma outra de guaches e 2 dicionários infantis naquela noite -, explodira e atirara o estojo pelos ares, gritando, agarrada à cabeça, nos seus pequenos 6 anos: “ <i>mas que mal fiz eu a Deus, para merecer isto, e logo na noite de natal?!</i>”. Para agravar, a mãe da criança, disparava ela também frases do género, <i>“mas que mal fiz eu a Deus para merecer uma filha como esta</i>”, enquanto despejava a sua carteira à procura da embalagem de <i>Lexotans</i>, o seu elixir mágico das crises. Talvez por ser a noite do menino Jesus, Deus estivera bem de serviço naquela casa, o Criador não parara de ser chamado de urgência para prestar explicações; até o pai, a fumar cigarros de seguida na varanda, vociferara também que mal tinha ele feito a Deus para lhe calhar na rifa uma mulher e uma filha destrambelhadas, logo duas era muito <i>karma</i> para um homem só.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Pedro bem que tentara manter o espírito de natal, comendo doces em ritmo acelerado, enquanto Paula tentava controlar o pequeno Miguel que ficara eufórico com todo o espectáculo da prima, mas a tarefa fora difícil: uma boa parte dos <i>crayons</i> voara para a mesa dos doces e as rabanadas começavam a ostentar um estranho colorido, muito pouco natalício; o que restara da consoada fora salvo pela D. Genoveva, mãe de Pedro que, depois de ter retirado algumas iguarias para a cozinha, acalmava a neta ao lhe prometer um presente segredo que guardava numa caixa e que só elas as duas iam saber. </font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633775/392x480.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana"> Apesar de tudo, não se podia dizer que fora a pior noite de Natal de sempre, todos tinham na memória a consoada de há 2 anos quando o Miguel apanhara o trem de cozinha em miniatura, acabadinho de oferecer à prima, resolvera meter cada uma das mini-peças de alumínio na frincha da porta e, com o acto de abrir e fechar, dera uma nova forma aos objectos. <i>É para alisá-las</i>, fora a sua explicação técnica ao ser apanhado com as mãos na massa, neste caso no alumínio; mas nem tivera tempo para entrar em detalhes muito técnicos, uma impressão bem digital das mãos de sua mãe arrancara-o de tão complexa tarefa de engenharia.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">No hospital, o médico tivera mesmo que retirar alguns restos de arroz-doce da cara da mãe da pequena Bárbara para a examinar, quando ela, meia desfalecida, lhe foi colocada numa marquesa; afinal, ter tomado uma dose exagerada de <i>lexotans</i>, para afogar o cansaço de ouvir a histeria estridente da filha ao ver o abate sucateiro do seu brinquedo, só podia acabar assim, a aterrar com a cabeça bem em cima da travessa do doce de natal, quando todos já estavam bem mais calmos. Uma lavagem ao estômago, depois de uma consoada não fora propriamente a melhor forma de acabar uma noite de Natal, inclusive para uma urgência hospitalar.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633780/432x480.aspx" /></p>
<p align="center"><font face="Verdana"><font size="3"><font color="#0000a0"><b><img style="border-style:none;" class="wlEmoticon wlEmoticon-star" alt="Estrela" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/wlemoticon-star.png?w=600" /></b><b></b></font></font></font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas tu não vês que tenho o Miguel no carro e que o centro comercial não é o melhor sitio para o levar, especialmente nesta época? – insistia Pedro, à beira de ter um colapso nervoso com a proposta que lhe era feita pela mulher, do outro lado da linha.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Pelo contrário, ele é uma excelente companhia – retorquiu Paula. – Chato como costuma ficar, é um autêntico motor de aceleramento para nos pormos andar das compras mal se tenha o necessário nas mãos.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Era verdade. Ao contrário de outras crianças, Miguel detestava ir às compras, ainda que fossem para ele; depois de uma apurada inquirição em saber quantas coisas iam comprar, impunha, logo à partida, uma quota de aquisição, quantidade que, ao ser ultrapassada, era incessantemente avisada pela sua voz lamuriante até os nervos ficarem moídos, quase em papa, e ser-se obrigado a desaparecer pela porta fora da loja a rogar pela maldita hora de o ter levado.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas eu não percebo nada de bonecas – tentou uma última vez Pedro.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Bom, fossem elas um pouco maiores ias ver como percebias tudo e mais alguma coisa.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Não te ponhas com piadinhas parvas, eu não sei comprar bonecas.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Ó filho, isso é fácil, chegas lá e vais à zona das bonecas, depois procura a <i>Barbie na Neve</i>, pegas na caixa e zás.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633781/358x480.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas não há tamanhos diferentes, roupas diferentes?</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Não,&#160; aquilo é tudo igual, desde que a platinada esteja apetrechada para a neve, assim tipo as <i>dondocas</i> famosas nesses programas cretinos de televisão.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- E se não houver essa da neve, não pode ser outra?</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Nem penses, tem mesmo que ser a da neve, se fosse outra eu já tinha comprado. A miúda é essa que quer e já sabes, com o feitiozinho que tem, se não tem a maldita loura anoréctica com uns esquis nos pés amanhã ao desembrulhar as prendas, ainda nos arriscamos a levar todos com as rabanadas nas ventas. Isto, na melhor das hipóteses, porque na pior teríamos um coma profundo da tua linda cunhada.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Miguel, temos uma missão – avisou o pai quando entraram com o carro no parqueamento do centro comercial. – Vamos entrar na selva e enfrentar os leões para resgatar uma princesa oxigenada. Se conseguirmos sobreviver amanhã teremos presentes a dobrar.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Ó pai, não inventes! – respondeu o miúdo já amuado – Eu já sabia que tínhamos que ir às compras. Sempre compras, sempre compras!</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- É rápido, é entrar num pé e sair noutro.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Quantas coisas vais comprar?</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Uma, é só mesmo uma coisa.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Não sejas mentiroso, nunca cumpres o que dizes. Quando dizes que são 4 ou 5, compras 10. </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Desta vez é mesmo uma, prometo.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Se tivesse que esperar por um lugar de estacionamento bem que podiam trazer já para ali o bacalhau com as couves, tal era a confusão para estacionar. Assim, armado em esperto distraído, parou o carro em cima de uma passagem interna de peões e saíram disparados, antes que viesse um segurança chamar à atenção.</font></p>
<p align="center"><font face="Verdana"><font size="3"><font color="#0000a0"><b><img style="border-style:none;" class="wlEmoticon wlEmoticon-star" alt="Estrela" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/wlemoticon-star.png?w=600" /></b></font></font></font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana"> Quando entraram no piso principal do <i>shopping</i> quase que não conseguiram sair da escada rolante, tal era a multidão que circulava.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633782/original.aspx" /><img src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633782/original.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana"> Pedro deu a mão a Miguel para não o perder e tentou seguir apressadamente para a grande loja de brinquedos; pelo caminho reparou que estava ali uma loja de produtos naturais que vendia os filtros da cafeteira de água utilizada lá em casa. Resolveu entrar para comprar uma caixa.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- És sempre a mesma coisa! Dizias que era só uma coisa, a porcaria da boneca, e já estamos aqui – barafustou Miguel, mal entrou.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Pedro nem lhe respondeu, pegou nos filtros e dirigiu-se à caixa.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Vou dar-lhe estas amostras dos nossos produtos – disse a empregada enquanto lhe colocava uma série de pequenas embalagens num saco, junto aos filtros. – Agora também temos uma linha de produtos de cosmética para homem muito boa, tudo com produtos naturais.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633783/original.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Pedro sorriu e agradeceu, embora não percebesse porque raio havia cosmética masculina numa loja que vendia filtros para água. Ele, que não ligava muito a essas coisas de cremes, achou piada ao facto de lhe terem oferecido as amostras, provavelmente a simpática e bonita empregada considereu-o um homem interessante e moderno; mas o contentamento depressa lhe passou quando, cá fora, resolveu dar uma espreitadela aos produtos e viu que faziam parte do saco da oferta um creme anti-rugas, um outro para o anti-envelhecimento das mãos e ainda um gel reparador de idade; afinal, a simpática menina não o tinha achado um homem moderno e interessante, mas sim um tipo acabado e a precisar urgentemente de uma restauração. </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Ó pai, estás a aleijar-me a mão! – gritou Miguel ao sentir uma pressão enorme da mão do pai na sua.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Pedro pediu desculpa, nem tinha reparado na força com que apertava a mão do filho, era simplesmente um sintoma da fúria com que ele agora caminhava pelo corredor, já que não podia voltar à loja e apertar o pescoço a quem lhe traçara um tão deprimente e senil retrato.</font></p>
<p align="center"><img style="border-style:none;" class="wlEmoticon wlEmoticon-star" alt="Estrela" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/wlemoticon-star.png?w=600" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Ao entrar no palácio dos brinquedos, Pedro depressa esqueceu o seu mau humor com a empregada engraçadinha; não porque ficasse propriamente bem-disposto, mas porque o seu estado azedo foi substituído por um outro ainda pior, pânico, tal era o cenário dantesco que se apresentava a seus pés. Quando se fala a seus pés, não se fala metaforicamente: crianças, com birras estridentes, rebolavam-se pelo chão por não conseguirem os brinquedos que pretendiam; antigamente elas ficavam em casa à espera de um certo menino Jesus bondoso que lhes podia trazer um pouquinho dos seus sonhos; agora, num tempo mais moderno e pragmático, não há que ficar à espera de um velhote pançudo, vestido de vermelho, vindo sabe-se lá de onde, há que ir, sim, directamente à central de compras e aviar de vez os sonhos que se querem. Mas como nem sempre o tamanho dos seus sonhos é coerente com a dimensão da carteiras dos pais, há que fazer grandes manifestações de desagrado e nada melhor que fazer uma berraria, deitados no chão, qual pose mais extremada de movimento anti-globalização em dia de cimeiras.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633788/original.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Xavier, tu vai-me pôr mão no teu filho! – pediu uma senhora, já com o penteado desalinhado e um pouco descontrolada, a um dos dois homens que caminhavam em passo calmo por um dos corredores. – Eu não o consigo travar, parece que ficou possuído, está-me para ali aos pinotes ao pé das bicicletas do <i>action man</i>. Berra que quer uma.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Mas o dito senhor, pai do petiz tomado pelos maus espíritos ciclistas, tinha mais em que pensar, havia uma grande estratégia futebolística do seu clube a discutir com a outra presença masculina que o acompanhava e, por isso, encolheu o ombros e não deu ouvidos ao apelo da mãe da criança.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633791/original.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana"> Pedro quase que deu um salto, com o susto, quando viu uma fila de bicicletas desabar, como um jogo de dominó, e deitar abaixo todo um escaparate cheio de pequenas figuras do filme de animação do grande sucesso desse Natal. Na verdade, mais do que o estrondo e do que a sementeira de bonecos pelo chão, foi um autêntico exorcismo que ali se passou: a suposta criança, outrora possuída, motora de todo aquele acontecimento em cadeia ao puxar uma das bicicletas, ficou imediatamente calada e correu de mansinho para o pé de sua mãe, qual anjinho devolvido aos céus, enquanto os empregados aflitos avaliavam a dimensão da tragédia daquele tsunami <i>biciclético</i>; a família, abençoada com a expulsão dos maus espíritos que ainda há pouco tinham baixado no seu rapazinho, prontamente abandonou o recinto, talvez para ir dar graças divinas pela bênção que lhes coubera, especialmente a de não terem pagado os prejuízos causados.&#160;&#160; </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Pedro avançou, pé ante pé, no meio daqueles caos, não queria, qual Gulliver, esmagar as pequenas criaturas de propileno que agora habitavam aquele chão. Miguel não foi tão generoso e gostou de ouvir os seus pequenos pés a dizimar aquela pequena população, como se um autêntico Godzila se tratasse.</font></p>
<p align="center"><img style="border-style:none;" class="wlEmoticon wlEmoticon-star" alt="Estrela" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/wlemoticon-star.png?w=600" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Lá estava ela, numa zona com grandes letras cor-de-rosa, a anunciar o império Barbie; no meio de uma prateleira, uma pequena embalagem parecia dizer qualquer coisa de <i>Neve</i>. Se fosse um filme, Pedro caminharia em <i>slow motion</i> ao som da música de Vangelis, <i>Chariots of fire</i>, até erguer na mão triunfante, a bendita boneca; mas não era um filme, ou pelo menos um tão simpático; a ser cinema, ficaria mais próximo de uma versão pós-moderna de <i>Aliens</i> pois, no momento em que Pedro se preparava para colocar na sua mão a caixa rosa com uma boneca de cabeleira dourada e um par de <i>skis</i>, eis que uma outra loura &#8211; bem mais pesada e de carne e osso &#8211; arrancou completamente da prateleira o seu troféu. </font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633793/344x480.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana"> &#8211; Olha que gira, vou levar mais esta! – comentou euforicamente uma senhora com um louro mais platinado que a boneca, mas com uma figura muito menos esguia, ainda que a roupa não tivesse tido conhecimento desse pequeno pormenor, tal eram os bocados de carne rugosa que lhe sobravam de um mini blusa e umas calças de <i>Lycra</i> bem justas, visíveis por debaixo de um longo casaco de lã aberto. </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Pedro não conseguia fechar a boca; não porque tivesse ficado siderado com a doce figura da senhora, mas porque os seus olhos saltitavam entre a caixa, quase sua, refém daquela versão instantânea da Miss Piggy e uma prateleira vazia, onde não restava nenhum vestígio de quaisquer férias na neve da sua querida Barbie.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Nádia, olha o que encontrei aqui, a Barbie na neve – disse a senhora voltando-se para uma menina também de peso bem guarnecido, uma autêntica versão em miniatura da mãe. – Vais ficar com mais esta na tua colecção. </font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://www.toymania.com.br/arquivos/ids/733916" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Mas a miúda não prestou muita atenção à mãe, preferiu antes dirigir-se a Miguel, que estava à volta de uma casa da Barbie a abrir e a fechar as janelas, numa espécie de engenharia infantil para verificar a situação das dobradiças. Ainda que a casa fosse de exposição, Nádia não gostou muito de ver por ali um menino à volta de coisas de menina e tentou empurrá-lo. Pedro não prestou muita atenção no novo assalto que aquela família feminina estava a fazer aos varões da sua estirpe, ele vasculhava a prateleira à procura de uma caixa perdida, alguma que tivesse ficado por ali, pobre e abandonada; por fim encontrou uma, mas o seu contentamento foi efémero, dentro da caixa já rolava um braço solto da serena Barbie. </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Meu Deus, se me atrevo a levar isto ainda acaba a noite de Natal com uma corporação de bombeiros em casa a apagar um fogo &#8211; pensou Pedrou ao olhar para o triste bracinho que rebolava dentro da caixa.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana"> Miguel, que já tinha deitado abaixo umas portadas de tanto abrir e fechar com força, enfiou a mão numa das janelas da casa e acenou ao pai, mas este, quase em transe com tudo o que lhe estava a acontecer, nem reparou; tão pouco viu que a menina, furiosa com a apropriação de Miguel à casa, resolveu dar-lhe novo empurrão, desta vez com mais força, o que fez com que o pobre miúdo largasse o pequeno condomínio de quatro assoalhadas em pvc.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633797/327x480.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Não contente com a sua conquista de território, a guerrilheira Nádia resolveu também ela enfiar a mão na janela e fazer adeus à sua mãe. O problema é que tanto a sua mão como o seu pulso, apesar da tenra idade, já apresentavam algumas dimensões generosas e, se foi difícil entrar, tornou-se quase impossível sair. Ao tentar desesperadamente tirar a mão da janela toda a casa tremia como se tivesse no meio de um epicentro sísmico; por muito que tentasse o sucesso era nulo. Nádia desatou num choro, a chamar pela progenitora.&#160;&#160; </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana"> &#8211; Ai, que a minha menina está entalada! – gritou a mãe, que prontamente se dirigiu para o local do acidente doméstico em versão miniatura.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Mas nem com a ajuda da mãe se conseguiu chegar a bom porto. Nádia permanecia com a sua rechonchuda mão enfiada na janela do quarto do primeiro andar da mansão rosa. Havia que chamar reforços: primeiro um empregado que passava por perto; depois pai e irmão, chamados de urgência pelo telemóvel, pois estariam num outro sector da loja.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- O melhor é pôr água com sabão – sugeriu o pai.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas onde se vai arranjar água? – rebateu o empregado. – Olhe que torneiras da casa não funcionam, são a fingir.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Não se arme em engraçadinho, que eu arranco já a porcaria da janela.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Pode arrancar, só que vai ter que pagar a casa.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- E se comprássemos a casa? – sugeriu o irmão. – Assim levávamos como está, com a Nádia pendurada, e depois em casa com jeito desmontava-se a janela.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">O pior, não foi a criança ter sugerido uma ideia meia cretina; o pior, foi todos pararem para pensar se realmente não seria boa ideia. A mesma só não avançou porque afinal a Nádia, por momentos aparentada a Martim Moniz, já tinha uma bendita casa quase igual no seu quarto. </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Só os cortinados e o papel da parede são diferentes – afiançava a mãe. </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Não havia outra alternativa, só mesmo ensaboando o pulso e a mão é que a libertação seria possível. Mas como fazer isso?</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633802/original.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana"> Enquanto acertavam detalhes sobre o resgate da princesa das masmorras janeleiras, Pedro num gesto súbito de audácia, que muito o orgulhou, passou pelo local onde estava repousada a primeira boneca, a raptada que tinha sido quase sua, e fez a troca com a outra meio desmembrada. Sentiu-se um autêntico agente secreto a trocar mensagens.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Assim que fez a permuta, pegou no braço de Miguel deu-lhe um beijo e arrancou-o dali. Ele não percebeu o porquê do gesto meigo do pai, nem porque lhe fora dito, ao ouvido, meu grande herói.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Pelo caminho, Pedro ainda assistiu à procissão da menina pela loja fora: todos com a casa às costas dirigiam-se para a casa de banho; pai e empregado agarravam a mansão ao alto; mãe segurava a filha no colo; esta seguia pegada ao objecto e o irmão ria com todo o cenário. Mas não era o único, uma grande parte da loja perdia-se de riso com aquele desfile estranho em que uma casa parecia voar com uma miúda pendurada. </font></p>
<p align="center"><img style="border-style:none;" class="wlEmoticon wlEmoticon-star" alt="Estrela" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/wlemoticon-star.png?w=600" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">A linha da meta final estava à vista. A fila de caixas surgia no horizonte, ainda que esse mesmo horizonte estivesse bem encoberto com a multidão que o envolvia. Antes que começasse a suspirar pelo tempo que ia perder até conseguir pagar, Pedro deu por falta de Miguel. Era só o que faltava, depois de ter conquistado a pulso o troféu louro perdia agora o outro, menos louro, mais irrequieto, mas muito mais importante. Já a suar, encontrar uma criança naquele caos seria tarefa difícil, começou a percorrer os corredores à procura do filho. Não foi preciso andar muito, ele estava bem parado, em frente a uma vitrina, como se tivesse ficado colado ao chão por força de uma onda hipnótica.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633804/500x358.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana"> &#8211; Pai, olha o relógio do <i>Starwars</i>! – apontou Miguel com o dedo, num olhar radiante, para o escaparate, onde, além do relógio, figurava também uma série de bonecos do filme. – Eu quero um!</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Pedro, antes de ralhar por ele se ter perdido ou mesmo de responder negativamente à proposta, deu uma olhadela ao objecto causador daquele incidente, especialmente ao preço, mas não gostou do que viu.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Nem pensar, isso custa uma fortuna. É um roubo.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas eu quero! </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Amanhã o pai Natal vai trazer muita coisa. Não vamos agora entrar em mais despesas.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas é isto que eu quero – continuou Miguel já com as lágrimas nos olhos.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Como tu me fizeste prometer, só viemos comprar uma coisa. Já compramos, agora vamos embora.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Não sejas mentiroso, tu já compraste outra coisa. </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Isso não conta.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- É sempre assim, só para mim é que conta.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Não há mais discussão, vamos embora!</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Pedro pegou na mão de Miguel e arrastou-o para as caixas, como quem arrasta uma mula teimosa empancada. Este, por não ter forças para resistir, canalizou toda a sua energia para a garganta e, para grande espanto do pai, resolveu mostrar a toda a gente como ainda estava bem treinado no choro birrento.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Ah, um menino tão grande a chorar! – comentou a empregada da caixa, quando viu Miguel naquele estado choroso. – Assim ficas feio.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Ora, e tu és gorda – respondeu prontamente Miguel, suspendendo de imediato o ataque de choro.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633807/original.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Eu sei que sou, mas não precisavas dizer – referiu timidamente a empregada, colocando os olhos apenas nas teclas da máquina, como a tentar ocultar os seus largos quilos que, de um momento para outro, foram desnudados. </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Miguel, isso diz-se? – ralhou Pedro já a caminho do carro. – Não se diz que é gorda.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas ó pai, ela é.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas não se diz, não se diz a ninguém que é gordo.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas eu disse a verdade.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Não digas, fica calado.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Então queres que eu minta?</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Não, quero que fiques calado.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Ah, ela pode dizer que eu sou feio e eu não posso dizer que ela é gorda, quando ela é mesmo gorda.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mau, mau, mau! Estamos a desconversar. Há situações na vida que não podemos dizer a verdade.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Sempre a mesma coisa, se minto é porque minto, se digo a verdade é porque digo a verdade.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Pedro só ansiava por um bom sofá, longe de tudo aquilo, para afogar toda a neura com que fora presenteado naquele fim de tarde. Talvez por isso, mal se apanhou no carro tentou sair daquele espaço infernal e seus arredores o mais depressa possível; tão depressa que nem viu um sinal.</font></p>
<p align="center"><img src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/633813/original.aspx" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Pai, passaste um sinal vermelho – apontou de imediato Miguel.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Olha, vai fazer queixa à polícia – respondeu Pedro sem paciência para mais observações.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Miguel devia ter assumido que queria ser um menino bem comportado a partir daquele momento, fazendo sempre o que lhe mandavam, pois, logo que pararam num novo semáforo, cumpriu a recomendação que o pai lhe fizera.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Olhe, o meu pai passou um sinal vermelho – gritou Miguel, depois de ter baixado o vidro do carro, a um polícia que estava junto ao semáforo.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Pedro e o polícia olharam um para o outro. Não só ambos fingiram que não ouviram, como o olhar do polícia denunciou um certo suspiro, como quem que a dizer: lá em casa tenho um ainda pior.</font></p>
<p align="center"><img style="border-style:none;" class="wlEmoticon wlEmoticon-star" alt="Estrela" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/wlemoticon-star.png?w=600" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">A famosa Barbie teve a sua noite de encanto; tanto encanto que quase acabava em desencanto. Por muito que fosse a alegria da pequena Bárbara perante a boneca, o facto de a receber em triplicado depressa trouxe aquele ambiente bem poético de um certo contentamento descontente.</font></p>
<p><font face="Verdana"><font size="3"><font color="#0000a0">- Na minha vida nunca nada dá certo, sou uma infeliz! – berrava ela agarrada à cabeça pela sala fora, como se fosse um grande actriz numa marcação teatral trágica, perante a visão triplicada da sua <i>Barbie e a Neve.</i></font></font></font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/barbiedolls.jpg?w=280" /></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">A avó apanhava as pobres bonecas do chão, para não serem pisadas pelo andamento desenfreado da neta, e tentava convencê-la como era bom ter em triplicado um desejo, assim a Barbie tinha 2 irmãs gémeas. </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">- Mas onde é que já se viu a Barbie com irmãs, ela é filha única como eu – reagiu ainda pior a eterna azarada de natal.</font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Os outros habitantes daquela noite barafustavam entre si pela descoordenação; era preciso azar os 2 tios e o pai terem a mesma pontaria na escolha do presente. Felizmente que a mãe de Bárbara nada daquilo assistiu, a combinação do <i>Lexotan</i>, que tomara bem antes, por via das dúvidas, com um bom vinho tinto que acompanhou o bacalhau, resultou num sono bem profundo; todos rezaram, naquela noite mágica, para que ela permanecesse assim até ao dia de reis. </font></p>
<p><font color="#0000a0" size="3" face="Verdana">Realmente feliz estava Miguel com o seu relógio do<i> Starwars</i>. O seu pai acabara por ir, bem cedinho, naquela manhã, comprá-lo, enfrentando, assim, de novo o inferno que ele já tratava por <i>tu cá tu lá</i>. Pedro, bem feliz por ter sobrevivido a tudo, nem se importou muito com os cinco pares de meias, uma gravata fluorescente e uma camisola que não lhe servia, que recebera nessa noite. Sentou-se ao lado da cunhada, esparramada no sofá com a boca aberta num sono do outro mundo, e devorou um prato bem cheio de rabanadas, enquanto assistia à harmonia familiar de mais uma noite natalícia. Paz aos homens de boa vontade, e ele tinha tido mesmo muita.</font></p>
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	</item>
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		<title>Manual do Engate, ou Como ter a Angelina Jolie a seus p&#233;s</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 14:36:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bau P</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao que parece, existem 2 tipos de mulheres: as Deusas, feitas a régua e esquadro &#8211; normalmente estão emolduradas em telas de cinema e revistas de moda, ou, no máximo, sentadas na mesa do restaurante, lá bem ao fundo &#8211; e as Outras, com uma simples beleza humana -aquelas que se sentam ao nosso lado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=457&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ao que parece, existem 2 tipos de mulheres: as <b>Deusas</b>, feitas a régua e esquadro &#8211; normalmente estão emolduradas em telas de cinema e revistas de moda, ou, no máximo, sentadas na mesa do restaurante, lá bem ao fundo &#8211; e as <b>Outras, </b>com uma simples beleza humana -aquelas que se sentam ao nosso lado na vida.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Normalmente, a rapaziada banal só se envolvia com estas últimas e sonhava, de vez em quando, com as primeiras. O máximo que se atingia era uma espreitadela no decote da Deusa do restaurante quando se ia à casa de banho, isto se ela não tivesse um paspalho de 1,80 e ombros largos pela frente, a servir de paredão. Escrevi no pretérito imperfeito – envolvia, para quem não sabe -, porque, hoje em dia, com toda o fausto de comunicação e auto ajuda, o presente será mais que perfeito: </font></p>
<blockquote><p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">não só podemos espreitar o decote à vontade, como também mergulhar nele e fazer dele a grande festa – bom, convém arrefecer os ânimos e sair primeiro do restaurante, ou ainda se arriscam a fazer a festa numa esquadra de polícia, em que o maior volume saliente de um corpo que se encontra não fica propriamente ao nível do decote.</font></p>
</blockquote>
<p align="center"><img src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/554315/364x480.aspx" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">E perguntam vocês: mas porque raio a partir de agora tudo é diferente? Simplesmente porque não faltam publicações a tornarem-nos a nós, homens mortais, em sucedâneos de Deuses, quer seja no sucesso económico – e ultimamente é um dilúvio de gente nos píncaros da riqueza -, quer seja no êxito retumbante da sedução. Basta folhear qualquer revista e encontramos ali autênticos manuais instantâneos de como ter a visão de um Steve Jobs, a fortuna de um Bill Gates, o charme de um Clooney e, claro, os músculos de um qualquer actor imberbe de telenovelas, daqueles que despem a camisola em cada 5 minutos de cena. Esta coisa do “seja um Ás em 10 lições” começou com as revistas femininas, pois as mulheres dotadas daquele velho princípio que conseguem moldar um camelo, por mais teimoso que seja, acharam que elas próprias também podiam ser uma espécie de plasticina de talentos; começaram nos velhos tempos do pré-feminismo com receitas de bolos e assados e acabaram a ditar prescrições para atingir orgasmos de deitar abaixo o prédio, ou, pelo menos, acordar a vizinhança e ser assunto na próxima assembleia de condóminos. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Os homens, que não gostam de fazer má figura, além de começarem a dividir ao meio a prateleira dos cremes lá de casa, também resolveram botar faladura e ajudar o próximo nas revistas de especialidade, que é como quem diz: nós, gajos de sucesso, editores vindos directamente de Hollywood, com uma passagem pela <em>fashion week</em> de Nova Iorque, vamos tornar-te o maior do teu bairro; aprende em 10 minutos a forma como vais entrar na discoteca, no escritório e até na mercearia, e deixares um lençol de mulherio caído a teus pés. </font></p>
<p align="center"><img src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/homem-sucesso.jpg?w=381&#038;h=446" width="381" height="446" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Bom, e foi assim, que eu esbarrei num velho suplemento de uma revista masculina – surripie-o logo lá do monte das carcaças de revistas da barbearia -, onde um tal Tony Clink publicava um Manual do Engate, garantindo que qualquer um podia seduzir as mulheres mais bonitas do mundo, aquelas que nunca se imaginou ser capaz. Se ele, o Tony, diz, eu acredito. Só de pensar que podia ter a Gisele Bundchen a meus pés, levou-me a seguir todos os passos.</font></p>
<p><font size="3"><font face="Verdana"><font color="#000080"><i>“Pense na mulher mais bonita que alguma vez conheceu. Agora pense nela a lamber os lábios muita suavemente com a ponta da língua, a tocar muito levemente no seu cotovelo, inclinando-se e suspirando <b>sedutivamente</b> no seu ouvido, esfregando-se na sua perna, implorando para voltarem para sua casa para que lhe possa dar o melhor momento da vida dela. Se quer tornar este sonho em realidade, continue a ler…”</i> Começa assim a pérola do manual de instruções. Continuei a ler, não sem antes ter ido à procura de um dicionário para ver o que era <i>suspirar sedutivamente</i>, ainda por cima no ouvido; sabe-se lá o que isso poderia ser; era melhor tomar alguns cuidados, não tivesse eu, primeiro, que fazer uma visita ao otorrino para pôr o aparelho em condições de receber semelhantes audições sedutivas.</font></font></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Como sou pessoa de perseguir os sonhos, especialmente quando eles me são oferecidos em bandeja &#8211; qual hamburger com batatas fritas e bebida média -, resolvi estudar a técnica do mestre Tony e pô-la em prática, para, finalmente, construir a utopia masculina: um harém topo de gama, mas em regime de separação de bens, que é como quem diz, um petisco de cada vez, que nestas coisas as mulheres não gostam de molhadas.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Para começar, reparei que o catedrático – o grande Tony &#8211; divide os homens em <strong>ADE</strong> (Artista do Engate) e <strong>CPF</strong> (Comum Paspalho Frustrado).</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/554318/original.aspx" width="470" height="415" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Os <strong>ADE</strong> são uma espécie de Adónis, saídos de um Holmes Place, que bebem testosterona ao pequeno-almoço para, depois, à noite terem sempre la piu bella donna no seu leito. “<i>Os ADE compreendem que todas as situações que envolvem mulheres atraentes são de foro sexual</i>”. Ok, entendi: mal a Angelina Jolie entra na tenda de campanha de distribuição de vacinas no meio do deserto – onde está o nosso querido Guterres – o pessoal pensa logo é na rambóia que fazia com ela e não nas criancinhas, lá fora à espera da pica bendita.</font></p>
<p align="center"><img src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/12/person_nerd2.jpg?w=348&#038;h=467" width="348" height="467" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Os Paspalhos, que é como que diz, os <strong>CPF</strong> são uns caixas de óculos desastrados que não enxergam um pedaço de carne, perdão, de volúpia feminina há muito, para não dizerem nunca. <em>“Não terão nunca a mínima hipótese de alguma vez conseguir com sucesso seduzir e satisfazer uma mulher”.</em></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Fiquei estupefacto: assim, sem mais nem menos, toda a classe masculina é taxada em 2 patamares únicos, sem contemplações; ou seja, quem não se incluir num destes 2 escalões de IRS (Impulso Redutor de Sexo) está feito, pois provavelmente fará parte de uma classe que gosta de pôr uma peruca e fazer imitações da Shirley Bassey, ou então, ainda não descobriu, mas tem algures no corpo um fecho-eclair qualquer que, depois de aberto, faz descobrir por debaixo da sua pele, aparentemente humana, uma espécie de lagarto nojento, oriundo de Marte.</font></p>
<p><font size="3"><font face="Verdana"><font color="#000080">Aspirando eu a ser um ADE &#8211; se é que não sou já e ainda não me tinha apercebido -, lancei mão ao Manual e resolvi estudar meticulosamente as 10 lições pospostas, que são10 magnânimes <strong>regras da sedução.</strong> Por temer uma overdose, comecei apenas pelas primeiras 5.</font></font></font></p>
<p><strong><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></strong></p>
<p><b><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></b></p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="5" width="539">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="537">
<p align="center"><font color="#ff0000" size="4" face="Verdana"><strong>1. ESTEJA SEMPRE NO CONTROLO</strong></font></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p align="center"><img src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/554319/500x295.aspx" width="531" height="313" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Diz o mestre Tony que se quiser ser bem sucedido o homem tem que ter sempre o controlo de tudo. Começa-se por nós, depois da situação e da mulher e, finalmente, da relação. Resumindo, um homem para ser bem sucedido tem que ser um Pinochet em potência.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Para nos controlarmos – <em>ourself </em>- nunca podemos mostrar que estamos nervosos. Há que mostrar sempre segurança, mesmo que a casa esteja a vir a baixo no preciso momento em que estamos a começar a deglutir a presa. Então o pânico, pessoal, será coisa completamente banida do nosso vocabulário, isso é mariquice de gajos com voz de barítonos.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><strong>Cena errada</strong>:</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Fujam, que o restaurante está arder! – alguém grita.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não passam 2 segundos e já estamos ao empurrões à velha que na porta teima em também querer sair; 5 segundos e estamos cá fora aos berros, que os bombeiros nunca mais chegam.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><strong>Cena correcta</strong>:</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Fujam, que o restaurante está arder! – alguém grita.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Calma boneca, que tudo isto são só uns chamuscos – respondemos nós &#8211; Até te vai ficar bem um tom mais torrado na tua linda pele.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Como qualquer ser humano normal fica nervoso quando está a tentar conquistar uma coisa, a chamada ansiedade do guerreiro, o melhor que tenho a fazer, pensei eu, é tomar uns calmantes. Assim, antes de tudo, entra-se na farmácia e conjuntamente com os preservativos compra-se também uma caixa de Lexotan. Mas cuidado com a dose, não devemos exagerar, senão: </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">ainda acordamos, depois de um longo sono, solitariamente com a cabeça tombada na mesa do restaurante, enquanto um empregado passa uma esfregona no chão, já com quase todas as luzes apagadas e as cadeiras de pernas para o ar. O pior, é que a tal deusa dos sonhos – a companhia que arrastámos para o restaurante &#8211; estará provavelmente acordar também, ao lado do dono do restaurante, que se ofereceu, mui gentilmente, para a levar a casa, depois de ela ter desconfiado que, afinal, o bom ouvinte que tinha encontrado naquela noite para toda a sua conversa – pela primeira vez um homem ouvia-a atentamente &#8211; era apenas um dorminhoco de olhos abertos.</font></p>
<p><img src="http://canilitacoatiara.com.br/dorminhoco.gif" width="562" height="244" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">O Tony também refere que uma das formas de controlar a relação é nunca pagar as bebidas e o jantar à mulher. Confesso que esta instrução não me desagradou nestes tempos de crise, mas, depois, fiquei desconfiado: será que isto de querer mostrar que é um gajo que está acima da velha técnica de sedução de pagar uns copos, não é um pouco de sovinice? Cheira-me! Afinal, mesmo forreta, eu até tenho prazer em pagar algo, ainda que isso não implique um prazer posterior num leito de cetim; aliás, se o pagamento implicasse sempre um desfecho libidinoso, algo estaria complicado na minha vida, pois desde um pelotão militar a um conjunto de simpáticas velhinhas, tudo já estaria na minha contabilidade de alcova.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mas pronto, ele disse, eu assim fiz. Para não cair em tentação de cavalheirismo do século passado, levei o dinheirinho contado, apenas o suficiente para pagar a minha parte – também não gosto de abusar -, e pronto. O pior, é que ela, por não ter lido o manual, seguramente, esperou no fim que eu pagasse; cá para mim ela leu, sim, um outro manual, para aí da Cosmopolitan, em que dizia que é o cavalheiro que tem que pagar sempre a conta, pois além de esperar o meu pagamento também não levou nenhuns trocos. Moral da história: ainda tentei convencer o empregado a fazer-me um desconto, mas não sortiu efeito, especialmente depois de ele descobrir que tinha sido eu a adormecer numa mesa na semana passada; deixei telemóvel como garantia, ou isso, ou ter que passar o resto da noite a explicar a um polícia carrancudo as essências do grande Tony.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="5" width="541">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="539">
<p align="center"><font color="#ff0000" size="4" face="Verdana"><strong>2. SEJA O MACHO DOMINANTE</strong></font></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p align="center"><img src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/554322/original.aspx" width="253" height="350" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">O Manual recomenda a ver séries do National Geographic ou do Odisseia, para observar o comportamento do macho dominante, dado ser ele o preferido das fêmeas. E porque preferem? Porque, simplesmente, é o gajo que faz mais sexo e elas gostam de alguém já rodado. Assim, dito com todas as letras.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Levei em conta a teoria e comecei por ver as séries referenciadas. Tive azar porque comecei logo por uma em que mostrava o comportamento do louva-a-deus. O macho fez toda a corte e tal, mas no fim acabou comido pela fêmea, e não foi propriamente em sentido figurado. Passaram depois para um documentário sobre as abelhas. Não me pareceu que a história de uma série de machos, a trabalharem que nem uns escravos para uma tal rainha, fosse um bom exemplo. Já estava a dar tudo como perdido, pois também tinha papado mais uma série sobre aranhas e viúvas negras, quando finalmente apareceu um programa sobre leões. Reparei que eles afirmavam o seu domínio com fortes rugidos e com um caminhar lento, mostrando quase que um movimento coreográfico dos seus músculos das coxas. Ainda por cima, a fêmea acabava a caçar para ele, enquanto o rei batia uma soneca debaixo de uma azinheira lá da savana. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Gostei de cenário, inspirei-me e tentei mostrar ao mulherio, ao entrar no restaurante, quem era o macho dominante.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Ouve lá o que te deu para vires a caminhar como um parvo?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Estás com assadura nos tomates? A andares assim!</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Com estas observações dos meus amigos, fiquei um pouco desmotivado; claro que eles não sabiam da técnica e por isso faziam esse tipo de comentários. Em contrapartida, as mulheres presentes na sala, por certo, ficaram impressionadas; achei eu. O mesmo não posso dizer do empregado do restaurante que – por embirração, sem dúvida &#8211; quase me pôs fora quando eu tentei mostrar o meu rugido para marcar território.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Só pode ser expiação no meu karma – disse ele, alto e em bom som -, ter todas as semanas o mesmo cretino a torrar-me a paciência.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<div align="center">
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="5" width="544" align="center">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="542">
<p align="center"><font color="#ff0000" size="4" face="Verdana"><strong>3. ESTEJA SEMPRE NO SEU MELHOR</strong></font></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table></div>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/554325/original.aspx" width="286" height="430" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Este capítulo começa bem, pois, apesar de vir dizer que a aparência é essencial para uma boa conquista, vem depois esclarecer que o facto de ser baixo, gordo ou careca nada tem a ver com isso. O que conta é atitude e que com uma boa atitude as mulheres esquecem tudo isso. Não sei se o António Vitorino consegue um dia, com muito boa atitude, ter a Nicole Kidman de braço dado com ele, mas pronto, fica a ideia; bem vistas as coisas, seria sempre mais mão e cabeça dada, mas em nada diminui a confiança, certo? Certo!.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Como não se pode arrancar o que nos foi dado fisicamente – ok, vamos pôr de lado as plásticas -, devemos começar por reformar as coisas que realmente pudemos mudar, ou seja a farpela e alguma aparência física. Olá! O super machão – Tony &#8211; vai começar a falar de trapos e de cremes? Será que, afinal, depois de muita parra, vamos acabar numa uva de recomendação de sapatos Prada? Hum!</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mas não, o homem atira-se primeiro à higiene pessoal. Diz ele que temos sair lavadinhos. E o que é isso? Tomar banho, lavar os dentes e usar uma roupa lavada sempre que sair para caçar a presa. Conclui-se, assim, que o Tony sempre que sai para o seu escritório, ou lá o que quer seja &#8211; onde o homem faz outro esforço que não o de se enrolar com o sexo oposto -, deve sair com uma roupa de três quinze dias, com comida entre os dentes e com uma breve passagem por água, para não aumentar a despesa e ainda ser amigo do ambiente. Claro que, quando o assunto é conquista, ele perde a cabeça &#8211; dias não são dias -, passa uma escova nos dentes, liga o esquentador por uns breves minutos para o banho, e cheira a roupa antes de a vestir para ter a certeza que foi à máquina.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">O problema é que esta recomendação – sair limpinho &#8211; não me trouxe grande novidade, porque já uma tia-avó recomendava ao tio-avô que levasse sempre umas ceroulas lavadas, porque nunca se sabia quando um homem tinha que baixar as calças. Assim, e somando o velho princípio de até num romance platónico, por via das dúvidas, antes de sair se deve lavar por cima e por baixo, passei à frente esta parte do Manual. Afinal, sempre me dei bem com a água e não era por estar prestes a entrar no Olimpo das Conquistas que ia esfregar melhor o corpo. Aguardava, sim, outras esfregas.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">No visual, ele recomenda uma roupa discreta. Nada de Armanis porque dá um ar esbanjador, refere &#8211; está visto, o homem tem mesmo medo que lhe peçam para puxar os cordões à bolsa. A camisa com colarinho aberto até ao meio, a mostrar a corrente de ouro, também deve ser posta de parte &#8211; vá lá, o homem pelo menos não põe as meninas a render, ao menos isso. Ou seja, não devemos vir directamente da Moda Lisboa, nem de uma tasca de Alfama, devemos, sim, ter um ar casual. Até aqui tudo bem. Abri o guarda-roupa e não me faltavam calças pretas e camisas lisas de cor discreta. Tinha os adereços necessários para a próxima tentativa de trazer a deusa mais loura dos arrabaldes.</font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://www.alinefranca.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/08/homem-perfume.jpg" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Se na roupa ele se portou a altura, tinha que borrar a escrita ao recomendar um perfume que não fosse muito forte. Afinal, muito machão, muito machão, mas tinha que vir com a mariquice de se perfumar ao sair de casa. Cá para mim foi distracção ou erro de tipografia ao fazerem o manual. Seguindo o espírito da coisa, homem que é homem não precisa de cheiros de adereço, as suas ferormonas já devem ser suficientes para pôr todas as fêmeas a guinchar. Quanto muito, se a ditas ferormonas não estiverem nos seus dias, entra-se lá no estábulo da avó e rebola-se na palha que faz a cama do gado. Se as mulheres forem realmente da estirpe que o manual descreve – a tal coisa de ansiarem por um macho dominante &#8211; aquele cheiro a cavalo vai pô-las fora de si. E ficaram. Ficaram elas e todo o pessoal do restaurante, mal eu entrei. Acho mesmo que a casa de banho teve uma lotação esgotada de imediato, tal foi a corrida. Começo a pensar que tenho algum sucesso, ponho as mulheres num estado verdadeiramente alucinado; a começar pela minha avó, que ficara em casa a ligar para a guarda, que andava gente ou bicho nos estábulos, porque a cama dos animais estava toda desfeita e os bestas estavam super inquietas com algo que viram.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<div align="center">
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="5" width="558" align="center">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="556">
<p align="center"><font color="#ff0000" size="4" face="Verdana"><strong>4. SEJA CONFIANTE</strong></font></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table></div>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://www.situado.net/fotos/2009/07/dicas-para-ser-um-homem-charmoso-e-confiante.jpg" width="423" height="318" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">“<em>Os machos dominantes nunca questionam se são suficientemente bons para determinada mulher; questionam é se a mulher é suficientemente boa para eles. Eles nunca oferecem nada a uma mulher. Não estão a vender-se a si próprios, estão a tentar descobrir o que essa mulher lhe pode oferecer</em>.”</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mais uma pérola. Uma coisa é certa, o Tony é um tipo coerente: ele não se cala, ao reafirmar que não se oferece nada a uma mulher, que são elas a ter que dar, etc. Gastar, o que quer seja com as suas conquistas, não é água da sua praia para este rapaz. Começo a duvidar se o Tony não será um falido dos novos tempos, que escreveu este manual para ganhar uns cobres, quando estava no desemprego.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Retomando: a confiança é a base de toda a conquista. Temos que chegar ao pé delas com aquele ar de quem é ministro, temos o povo lá fora aos urros, mas ainda assim estamos convencidos que somos muito bons. Caso contrário, ficamos nervosos e depois há que atacar nos calmantes, com as consequências que todos já conhecemos.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Uma forma de ganhar confiança é dizermos para nós “<em>Eu sou a melhor coisa que aconteceu a esta mulher. Eu sou a experiência perfeita para esta mulher</em>” – palavras de Tony. Assim fiz; entrei na casa de banho do restaurante e, ao espelho, disse em voz alta e várias vezes a bendita frase. Estava a ficar convencido. De repente, quando reparei, estava um fulano, que tinha saído de uma das divisórias, a olhar para mim.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Estou a ver que o meu amigo também andou a ler o Segredo, mas numa versão para gajos. Que edição é?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não tivesse entrado um tipo a vomitar a casa de banho inteira, eu ainda lá estava a ouvir teorias da atracção australianas, em como dizer sucessivamente uma série de baboseiras positivas para que as energias boas se reúnam – assim, tipo <em>flash mob</em> – e venham até nós.</font></p>
<p align="center"><img src="http://images.quebarato.com.br/T440x/a+lei+da+atracao+o+segredo+gravatai+rs+brasil__4037BE_1.jpg" width="484" height="363" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Quando regressei à sala, escolhi a melhor loura presente, daquelas que emergem directamente das centrais de uma revista sem ter protagonizado telenovelas idiotas, e avancei para ela com um ar triunfante, a pensar como<i> ela iria ficar em êxtase com os orgasmos que eu lhe ia dar </i>(sic Tony). Ainda assim, achei que transmitir somente o tal ar de confiança poderia não ser suficiente para ela captar, pois poderia não saber traduzir a mensagem, afinal, todos nós sabemos que as loiras têm problemas com tradutores. O melhor, seria dizer uma frase arrebatadora, daquelas que ilustrasse grande confiança e introduzisse a minha abordagem; só que confundi a frase que devia produzir oralmente – eu sou a melhor coisa que te vai acontecer -, com a outra que sustentava psicologicamente – a do êxtase que eu, grande amante, lhe ia proporcionar &#8211; e acabei por lhe recitar algo sobre os guinchos que ela ia dar com os orgasmos produzidos pela minha pessoa.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Acabou por não dar nenhum. Não porque eu não tivesse mostrado grande auto confiança – até o peito se me inchava de tanta segurança -, nem que ela não a tivesse sentido na abordagem – até os seus dourados cabelos esvoaçaram com o sopro das minhas belas palavras -, mas sim, porque o tal sujeito do Segredo declamado na aragem dos sanitários, que parece estar sempre como uma alma penada a vigiar tudo, apareceu novamente por trás, e ainda captou melhor a mensagem, o que o levou a exercer o seu direito de audição prévia ali mesmo em pleno restaurante e na minha cara, num sentido pouco figurado; o homem não estava para arrojos de atitudes positivas para cima da sua companhia de jantar. Bem que tentei chamá-lo à razão, dizendo que o Segredo é uma filosofia de paz com os outros e que segundo a teoria da atracção, ou lá o que é, tudo o que fazemos recebemos de volta. Mas parece que ele não leu bem essa edição, pois não ficou lá muito preocupado que o encontrão que me deu o tivesse, depois, de volta num outro momento. Nem ele, nem o empregado, que fez questão de dar também uma ajudinha, ao repetir a dose de encontrões e colocar-me bem longe daquele espaço. Alguma coisa está errada nesta teoria, ao se dizer que tudo o que fazemos tem depois volta em energia, pois a seguir ao primeiro encontrão que levei, a devolução do dito foi de novo na minha pessoa, e não a quem o deu; afinal, parece que aquelas coisas das energias serem devolvidas tem um prazo de garantia muito curto. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<div align="center">
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="5" width="515" align="center">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="513">
<p><font color="#ff0000" size="3" face="Verdana"><strong>5. TENHA SEMPRE A DISPOSIÇÃO MENTAL CERTA</strong></font></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table></div>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p><img src="http://sol.sapo.pt/photos/bp63/images/554328/original.aspx" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Confesso que depois de ter que estar sempre no controlo de tudo, qual sapo à espera da sua mosca voadora, de ter que ser o macho dominante, de ter que me aprimorar ao máximo na figura e de ter que gritar não sei quantos chavões de auto estima para estar confiante, a minha disposição mental começava a ficar cansada. No entanto, reparei que o meu querido Tony também aparentava algum esgotamento, pois a diferença entre este quinto capítulo e o 4º ou o 1º não parecia ser nenhuma. Afinal todos falam do mesmo tipo de controlo emocional. Seria apenas um reforço de ideias ou um encher chouriços? Fiquei na dúvida.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mas pronto, fiz um esforço para avançar um pouco mais nesta gloriosa tarefa de ter a maior pérola feminina enrolada nos meus lençóis. Por falar nisso, também a parte dos adereços sofreu o mesmo choque tecnológico dos dogmas de Tony: já troquei uma flanela aos quadrados azuis e amarelos, que tinha na cama, por um verdadeiro cetim vermelho choque. Não há nada como preparar o ninho de amor. O estranho é que a empregada, de anos na casa, nunca mais apareceu. Ainda tentei telefonar a perguntar o que se passava, mas foi o marido dela que me atendeu e estava um pouco irritado, não sei porquê, dizia qualquer coisa que a mulher dele não trabalhava num bordel. Ainda estou para perceber o que o homem quis dizer; assim como não entendi a boca da empregada nova que arranjei, toda modernaça e com um sotaque exótico, que mal entrou no quarto, olhou para os lençóis, sorriu e disse logo que o fazia falta ali era um espelho no tecto.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Seguindo a bíblia do Mr. Clink, tentei, então, estar com a disposição mental certa, até porque ia começar a noite mais uma vez no mesmo restaurante e precisava de um alto astral, nem que fosse só para suportar o olhar assassino da <i>empregadagem</i> à minha pessoa. </font></p>
<p><img src="http://www.zerozero.pt/img/entidades/560/11560_ori_discoteca_industria_porto.jpg" width="563" height="207" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mas sobre a atitude mental, o Mestre começa por falar do corredor da morte, um local onde os paspalhos se encurralam nas discotecas à espera das donzelas que nunca mais passam. Ele diz que devemos fugir desse local tenebroso e ir de encontro, bem no centro da pista, a todas as mulheres lindas que esperam por nós. Não é ficar encostado à parede a bater o ritmo com uma perna, como se tivéssemos com uma pequena ameaça de ataque epiléptico, que se vai conseguir petiscar alguma coisa. Há que ir para a pista e, qual Travolta, mostrar quem é o rei da dança e o dono das dançarinas, no fundo o tal macho dominante, mas só que mais ritmado.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mas vamos lá ver, chegar a uma discoteca e começar a dançar, mesmo não sendo para qualquer um, é fácil para muitos, logo a concorrência vai ser grande e será difícil de cativar a Miss Playboy de Janeiro das redondezas. O melhor, pensei eu, é fazer uma coisa com maior impacto, que arrase logo que os pezitos comecem a soltar os seus primeiros movimentos, e, assim, abata toda e qualquer rivalidade possível com os outros machos. Para elevar a competição é preciso fazê-lo num local que causa surpresa e não na banalidade da discoteca onde toda a gente se perde a dançar. Que melhor sítio do que o restaurante para pôr em marcha o plano?! Tem música, espaço, mulheres lindas e, o melhor de tudo, não tem outros machos dançarinos a fazer concorrência.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">O problema era saber com que música eu devia fazer a minha entrada triunfante bem no centro do restaurante que, mesmo não sendo pista de baile, dava um certo jeito para tal. O problema é que as músicas de fundo destes espaços não costumam dar grande ajuda para uns bons passos de dança, ainda que o bailarino esteja com a confiança ao rubro; normalmente são umas pianadas afinadas, que estão mais para um pax de deux do que para um pasodoble. Quando estava com toda a concentração mental positiva, a pensar frases do tipo, <em>qualquer destas mulheres lindas é pouco para mim, e eu vou tê-las toda</em>s, surgiu uma música que puxava à dança. Mas depois pensei, hum, um fulano saltar para o meio de um restaurante a dançar Madonna não vai colar muito bem, cá para mim ainda pensam que alguém deve ter deixado aberta a porta do armário. Resolvi esperar pela próxima, mas ainda foi pior. Não é que, numa onda revivalista, resolveram colocar o I Will Survive da velhinha Gloria Gaynor. Bom, se eu me atrevesse a dançar com o dedo mindinho que fosse, por certo, teria logo ali um convite para sair no próximo Gay Pride.</font></p>
<p><img src="http://www.abril.com.br/imagem/danca-homem-contato-436.jpg" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Comecei a desesperar. A disposição mental certa estava a ir embora e não havia meio de aparecer o toque adequado para eu brilhar. Finalmente, surgiram uns acordes de uma música bem batida, em que o fulano gritava <i>Sex Bomb, Sex Bomb</i>! Zás, num salto, atirei-me para a improvisada pista e comecei o meu exercício de movimentos bens ritmados. Reparei que, ao exercer uns movimentos pélvicos bem exuberantes, o mulherio já não fechava a boca. Agora, só tinha que escolher a minha presa e, qual macho dominante, avançar para ela e arrebatá-la para a pista. Era o meu momento de glória. Verifiquei que havia uma loura, de catálogo de moda, numa mesa onde só havia mulheres. Alvo certo, não corria o risco de me enganar e ir buscar uma que atrás trouxesse, como brinde, um idiota qualquer com o Segredo atravessado. Avancei para ela.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ainda tinha uns bons metros para percorrer, sempre a ritmar, quando fui travado por um corpo pluridimensional, algo que, caído ao mar, levava o Greenpeace a fazer, por certo, grandes campanhas, se não fosse para salvar mais uma espécie de peso em extinção, seria, pelo menos, para salvar o próprio mar de um lixo giganuclear. Uma americana XXXXL, entusiasmada com o meu numerito e com uns bons decilitros de tinto português que já tinha emborcado, resolveu atracar-se a mim e fazer também a festa. Baseado na lição nº 1, tentei não perder o controlo, resolvi fazer um passo de dança bem complexo, cheio de rodopios, para a deixar KO – uma americana gorda a rodopiar fica, ao fim de alguns segundos, a arfar todos os hambúrgueres que deglutiu ao longa da vida &#8211; e, assim, eu ficar livre para o meu ataque. Se calhar exagerei na complexidade dos passos; a mulher saiu-me disparada pelo restaurante dentro e foi aterrar no meio de uma outra mesa que se preparava para saborear uns mexilhões na cataplana. Digo preparava, porque acabaram todos os elementos da mesa por se ficar pela intenção; a cataplana voou e, digamos, houve uma distribuição muito democrática dos mexilhões pela sala.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Com uma coisa eu podia estar feliz ao estar cá fora do restaurante: era dos poucos que tinha a farpela sem qualquer vestígio de mexilhões à <em>la marinera</em>. O mesmo não se podia dizer do pessoal que me acompanhava, que bramia a raiva de limpar as roupinhas de um molho de tomate com coentros. Talvez por isso, nem repararam que um empregado do restaurante saiu disparado na sua mota em direcção a não sei onde. Melhor dizendo, faço uma pequena ideia, porque ainda o ouvi dizer, à porta do restaurante, que ia imediatamente a uma sessão espírita a ver se o livravam de um encosto que o perseguia há umas semanas no restaurante.</font></p>
<p align="center"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">**********</font></p>
<p align="center"><img src="http://img2.timeinc.net/people/i/2006/celebdatabase/angelinajolie/angelina_jolie1a_300x400.jpg" width="376" height="501" /></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Pronto e foram estas a minhas aventuras nas primeiras cinco lições do grande mestre Tony Clink, e também nas últimas. Se para cinco foi assim, cheira-me que já não tenho resistência física para aguentar as restantes. Olha, que se lixem as deusas – Angelina, filha, talvez na outra reencarnação, ok?, não desanimes &#8211; , fico-me pela prata da casa, que é pessoal mais terra a terra.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Bom, apesar da loura divina não ter aterrado a meus pés, há uma coisa da qual me posso, desde já, orgulhar: devo ser das poucas pessoas que tem a foto à entrada de um restaurante como o <strong>Cretino do Mês</strong>.</font></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/bap63.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/bap63.wordpress.com/457/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/bap63.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/bap63.wordpress.com/457/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/bap63.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/bap63.wordpress.com/457/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/bap63.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/bap63.wordpress.com/457/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/bap63.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/bap63.wordpress.com/457/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/bap63.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/bap63.wordpress.com/457/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/bap63.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/bap63.wordpress.com/457/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=457&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Di&#225;rio de Um Idiota (4) &#8211; Reveillon</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 11:25:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bau P</dc:creator>
				<category><![CDATA[Absurdo]]></category>
		<category><![CDATA[Curtas]]></category>
		<category><![CDATA[Diário]]></category>
		<category><![CDATA[Diário de um Idiota]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao dar a 12ª badalada – não na torre de Saint-Denis, mas num qualquer programa cretino de televisão &#8211; comemos a última das passas e aguardámos. Antes, não faltara folia na velha noite de reveillon. Cumprimos todos os rituais, mesa farta, roupa nova e uma alegria estridente, à la carte; até a prima Joaquina, no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=452&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ao dar a 12ª badalada – não na torre de Saint-Denis, mas num qualquer programa cretino de televisão &#8211; comemos a última das passas e aguardámos. Antes, não faltara folia na velha noite de <i>reveillon</i>. Cumprimos todos os rituais, mesa farta, roupa nova e uma alegria estridente, <i>à la carte</i>; até a prima Joaquina, no seu vestido dourado – digno de uma autêntica rock star – passou lá por casa para nos felicitar, ainda antes de ir comemorar a noite para um dos hotéis mais caros da cidade, também estava podendo – como costumava dizer -, o seu Rogério ganhara uns bons dinheiros nuns negócios que nem ela sabia explicar – coisas da política, assim referia.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/champagneefogos.jpg"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="champagne-e-fogos" border="0" alt="champagne-e-fogos" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/champagneefogos_thumb.jpg?w=607&#038;h=461" width="607" height="461" /></a> </font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ainda a passa não se ajeitara no estômago – banhada num leito de champanhe, melhor dizendo, espumante, que os tempos não estavam para brincadeiras -, começámos a sentir o que já era esperado: um barulho profundo – do tamanho do fim do mundo – avançou rapidamente, como um grito de adamastor; as paredes e o chão começaram a tremer, numa autêntica dança de alto mar, foi preciso agarrar as pratas e uma baixela antiga – heranças da avó –, guardadas no aparador, para que não houvesse um cemitério do passado já ali, a rebolar e a estilhaçar a nossos pés; o LCD, novinho, acabado de estrear, nada como ver a vida em alta definição, também teve que ter mãos para o susterem; umas rachas gigantes pintaram as paredes e uma grande parte do soalho, mais um pouco e a família ficaria separada em duas partes do lar. Apesar do abalo, a casa aguentou e nós suspirámos de alívio: estávamos todos bem, graças a deus, e a televisão ficara intacta, podíamos, assim, ver já em directo tudo o que acontecera.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Entre destroços e móveis tombados, dirigimo-nos para a porta da rua, era importante ver o que acontecera lá fora. Ao abrir a porta, uma paisagem devastadora engoliu-nos o olhar: o nosso bairro estava completamente destruído; a nossa casa, em mau estado, ficara de pé, mas as outras, aquelas que sempre nos fizeram companhia, estavam quase todas destruídas e engolidas pelo mar que resolvera espraiar-se por ali; apenas o edifício do banco, todo estilhaçado na sua linda fachada de cristal – outrora o orgulho da modernidade na vizinhança -, e o casarão do Rogério e da prima Joaquina, o palacete que parecia ter vindo fugido de uma outra época, estavam em pé.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">De repente, no meio dos escombros, emergiu um vulto gigante. Apesar do seu aspecto zombie tenebroso – bocados de carne caíam durante o andamento, a cara, tirando os olhos, deixava ver todo o miolo de um crânio, como se a pele tivesse ardido – consegui notar-lhe contornos de mulher. Ao aproximar-se de nós, e no meio daquela ruína fantasmagórica com que se apresentava, reconheci-a: Europa, uma velha amiga.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/zombiewoman.jpg"><img style="border-bottom:0;border-left:0;display:block;float:none;margin-left:auto;border-top:0;margin-right:auto;border-right:0;" title="ZombieWoman" border="0" alt="ZombieWoman" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/zombiewoman_thumb.jpg?w=630&#038;h=367" width="630" height="367" /></a> </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Ajudem-me! – rogou a Europa, estendendo a mão que, naquele momento, era apenas uma montra sangrenta de falanges, falanginhas e falangetas.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Agora é tarde, senhora – respondi-lhe. – Inês é morta!</font></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Os 7 Pecados Mortais das Perguntas das Mulheres</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Nov 2011 19:20:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bau P</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[7 Perguntas inocentes? ! As mulheres podem não se aperceber, mas, por vezes, fazem um conjunto de perguntas que só não provocam enfartes mais amiúde, porque, afinal, o coração do homem ainda é robusto &#8211; ou não fosse ele um órgão musculoso, e músculos é mesmo coisa de gajo. A seguir – e porque estou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=bap63.wordpress.com&amp;blog=2754964&amp;post=439&amp;subd=bap63&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">7 Perguntas inocentes? !</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">As mulheres podem não se aperceber, mas, por vezes, fazem um conjunto de perguntas que só não provocam enfartes mais amiúde, porque, afinal, o coração do homem ainda é robusto &#8211; ou não fosse ele um órgão musculoso, e músculos é mesmo coisa de gajo.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">A seguir – e porque estou pronto a abrir o rosário dos meus tormentos &#8211; passo a apresentar as 7 perguntas que eu considero mortais, e que me põe à beira de um ataque de nervos, qual prisioneiro com pena capital antes da sua execução, bem como as soluções <i>mestras</i> para as dirimir. Trata-se de um verdadeiro manual de sobrevivência, meus caros, a ter sempre ao lado.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="15" width="550">
<tbody>
<tr>
<td width="548" align="center">
<p align="center"><font color="#000080" size="4" face="Arial Black"><strong>1 – Não notas nada em mim?</strong></font></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p align="center"><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/zz111c5302.jpg"><img style="display:inline;border-width:0;" title="ZZ111C5302" border="0" alt="ZZ111C5302" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/zz111c5302_thumb.jpg?w=545&#038;h=458" width="545" height="458" /></a> </p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Penso que será a pergunta mais típica das mulheres, e costuma surgir em 2 tipo de cenários:</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">1º &#8211; Chegam ao pé de nós, normalmente radiantes, dão uma volta discreta, fazem alguns gestos estudados &#8211; que normalmente nos levam a pensar, não sei o que lhe deu, hoje está assim um bocado pró esquisita &#8211; e depois atacam com a referida pergunta;</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">2º &#8211; Depois de já terem mexido em não sei quantas coisas, depois de já terem puxado alguns assuntos – e nós nada, mudos como um camelo -, amuadas atiram a dita a interrogação qual, rajada de metralhadora.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Após a questão ter despencado sobre mim, a minha reacção é logo de alarme: onde é que falhei, o que é que me escapou?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Estava eu tão bem descansado na minha santa ignorância e, de repente, vejo-me naqueles velhos passatempos de descobrir as 7 diferenças. Em segundos, fixo-a seriamente e tento ir buscar uma imagem passada e depois descortinar o que está de diferente em relação à actual, àquela que está ali à minha frente, estática, gélida e quase a explodir o rastilho do: <i>ninguém me liga, sou um monte de palha, vocês homens são todos iguais, nunca enxergam nada além das comichões abaixo da cintura</i>. Tudo isto numa luta contra o tempo, não posso demorar mais de 30 segundos, 31 e já temos amuo. Normalmente não chego lá – para mim, está igualzinha à do dia anterior e de anteontem, mais longe na memória não vou porque já se me varreu tudo &#8211; e eis que faço uma fuga para a frente:</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Sabes que, apesar de estares diferente, para mim és sempre igual; mas fica-te bem</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">E fico à espera que venham pistas &#8211; tipo: é gira a cor do cabelo, não é?; andava a namorar este relógio há tanto tempo; passei na montra e vi que os sapatos eram a minha cara &#8211; para eu depois contra-atacar. Claro, que a maioria das vezes a pista não vem. Aí, antes que ela vire costas e comece a ouvir portas a produzirem sons um pouco mais estereofónicos, atiro o palpite que funciona quase sempre:</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Sim, esse penteado fica-te muito melhor.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Posso dizer-vos, do alto do meu rigor científico, que funciona 90% das vezes. Assim, homens, já sabem, ataquem sempre no penteado que a coisa não deve andar muito longe disso.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Bom, a situação pode piorar se elas fizerem uma outra pergunta:</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><strong>- Estive hesitante, gostas mais do tom asa de corvo ou violino?</strong></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Morte do artista, pois nós, além de desconhecermos que os tons do cabelo poderiam sair do vocabulário de um romance gótico, nunca iremos saber qual é que foi a sua verdadeira opção, e a probabilidade de dar um palpite errado torna-se maior do que a de fazer frio no natal, pelo que a resposta mais segura será:</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Os 2 querida, em ti qualquer um seria bom, mas esse é, sem dúvida, o melhor.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Esta pergunta do “Não notas nada” pode ter ainda uma outra variante:</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><strong>- Não estou mais magra?</strong></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Bom, neste caso a resposta é – sem hesitações &#8211; sempre sim, sim, sim, ainda que se veja uma evolução pragmática das curvas debaixo da roupa. Transmitir uma ideia de gorda a uma mulher tem consequências mais graves do que uma passagem da família Bush na Casa Branca: nunca mais ninguém tem sossego e, por dá cá aquela palha, está lançada uma guerra.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Assim, meus caros, não só há que ser determinante na resposta, como nunca, mas nunca mesmo, criar qualquer elemento na conversa – essa blusa encolheu?, não comes mais, estou a ver que estás de dieta, andas muito gulosa – que possa originar a pergunta fatal sobre o peso em versão meteorito:<strong> estou mais gorda?</strong></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="5" width="565">
<tbody>
<tr>
<td width="563" align="center">
<p align="center"><font color="#000080" size="4" face="Arial Black"><strong>2 &#8211; Ouviste o que eu te disse?</strong></font></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p align="center"><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/2105332727_52ea499da1.jpg"><img style="display:inline;border-width:0;" title="2105332727_52ea499da1" border="0" alt="2105332727_52ea499da1" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/2105332727_52ea499da1_thumb.jpg?w=404&#038;h=541" width="404" height="541" /></a> </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ainda estamos a remoer na cabeça toda uma série de planos e relatórios de trabalho e elas, sem avisar, zás, atravessam-se com uma conversa com mais voltas do que um novelo de tricotar da avozinha. Nem temos tempo de respirar; elas falam, falam, falam, e nós – piloto automático -, hum hum, hum hum!. Claro que a coisa vai estorricar no momento em que, no meio do dilúvio das palavras que nos estão a cair em cima, surge uma simples questão intercalar – tipo, o que achas que devo fazer? &#8211; e nós hum hum! O forno da paciência acelera até aos 200<sup>o</sup> e salta a campainha, para não dizer a tampa, da tal pergunta mortal, já num tom bem afiado. Normalmente tento safar-me com:</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Ouvi, mas não percebi muito bem.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ok, umas vezes funciona, mas outras há em que tudo se azeda ainda mais, e sai uma nova pergunta, num tom a ferver de cáustico (percebe-se este tom pelo ranger de alguma coisa, dentes, tampo da mesa, sapato no chão, etc):</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- O que é não percebeste? Qual é parte do “a parede está suja, podes comprar a tinta amanhã?” que tenho de explicar por desenhos?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Antes de elucidar sobre a eventual solução, uns breves considerandos históricos. Durante anos, esta problemática das conversas compulsivas causou-me graves danos; foi motivo para muita discussão desnecessária. Só mais tarde, ao ler um livro daqueles que no dissecam a vidinha toda &#8211; como se todas as nossas vivências e emoções fossem reduzidas a uma simples rã em laboratório da aula de biologia -, é que percebi: afinal, parece que tudo é uma questão de hemisférios cerebrais, o nosso, o do homem, ao que parece, tem a zona de comando responsável pela fala mais acanhada – saiu-nos um T0 enquanto elas ficaram um T5 duplex -, deve ser para compensar outras coisas que nos cresceram demais, digo eu. Eu bem sabia que isto de eu precisar de momentos mudos, como se tivesse feito um voto de silêncio num qualquer retiro beneditino, e de elas precisarem de despejar palavras, como se vivessem eternamente num concurso de Karaoke, tinha muita ciência por detrás. Ufa!, não nasci com nenhum defeito, tudo se resume ao facto das mulheres terem uma necessidade nata de falar e os homens uma outra de ficarem calados; o que faz sentido, se um fala, o outro baixa as orelhas, daí a harmonia do universo.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Bom, é evidente que há excepções, pois não faltam homens que falam pelos cotovelos; não quero com isto insinuar sobre a sua masculinidade, não, apenas quero referir que os seus lóbulos faladores sofreram doping qualquer no momento da criação. Por exemplo, no meu rigor científico, afirmo que os italianos são um caso especial, pois têm um córtex igual ao das mulheres: eles ficarem calados é coisa rara. Qualquer pessoa que se passeia por uma viela de Roma assiste a um comício no mercado do peixe em voz grossa. <em>Prego</em>?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Digo mais, esta característica córtexiana das mulheres, em falar e falar, permite-me concluir – uma outra coisa: Deus é homem. Se fosse mulher, teria lá Ele aguentado toda esta eternidade em silêncio. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Voltando à génese do problema – elas falarem e nós a não ouvir –, e como não sabia que os doutores já tinham estudado o assunto – afinal, eu não tinha nenhum tipo de atraso mental -, fui desenvolvendo algumas técnicas de sobrevivência que aconselho:</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Primeira regra, façam um esforço e escutem algumas palavras finais ou pelo meio;</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Evitem os hum hum, substituam-nos pelas palavras que ouviram e construam frases simples de concordância, como “realmente é chato”, “é, ela nunca foi grande coisa” , “tens razão” ou mesmo “já tinha pensado nisso”;</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Assim, quando ela faz a tal pergunta simples da conversa, a primeira, a que origina depois a mortal, volte atrás, ensaie umas coisas à volta das tais palavras que ouviu soltas, enrole um pouco a conversa e depois diga: desculpa, perguntavas o quê? Funciona sempre, como já se meteu conversa pelo meio, ela terá todo o gosto em recapitular a questão, pois tem mais tempo para estender a sua oratória.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="5" width="554">
<tbody>
<tr>
<td width="552" align="center">
<p><font color="#000080" size="4" face="Arial Black"><strong>3 &#8211; Que idade me dás?</strong></font></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p align="center"><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/barbara_stanwyck.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="barbara_stanwyck" border="0" alt="barbara_stanwyck" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/barbara_stanwyck_thumb.jpg?w=460&#038;h=568" width="460" height="568" /></a> </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Outra pergunta aterradora, pois mesmo que se tenha a sorte de acertar na idade, ela vai ficar chateada porque nós não lhe tirámos nenhuns pozinhos. Aviso à navegação: ninguém quer ouvir a idade verdadeira; toda a gente tem um BI bem esclarecedor. Assim, qualquer resposta que possa ser dada vai entalar-nos, com toda a certeza.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Na hipótese de darmos a mais, nem é preciso explicar, já se está mesmo a ver a tragédia que criámos. De imediato – e já com um corte severo nas nossas relações -, por certo, vai sair dali mais chateada que um peru em véspera de consoada, entrar na primeira loja de roupa juvenil e tentar comprar o primeiro top XS que lhe aparecer. Só não o compra mesmo porque vai rebentá-lo na cabine de provas; mas umas calças iguais à que ofereceu à sua sobrinha no aniversário, se resistirem, irão na sacola. Depois, uma ida a um cabeleireiro e a uma esteticista não perdem por esperar; radicalidade vai ser o seu nome. O marido e os filhos, quando a virem entrar em casa, só não chamam a polícia, por invasão de estranhos no domicílio, porque a eterna pergunta “Que tal estou?” vai identificá-la. Moral da história: as crianças zarpam logo para não terem que responder, ficando, assim, o pobre do marido em pânico, a consultar a agenda e a desmarcar todos os eventos sociais que tinham em carteira – <em>se ela me aparece neste estado na festa da Nani ainda há alguém vai para ao hospital com o engasgue de um croquete pelo susto da aparição</em>.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Se damos a idade exacta, ficará, ainda assim, um pouco deprimida pelo facto de todos os cremes e pinturas, nos quais andou a gastar uma pipa de massa, não lhe terem surtido efeito: apesar de todo o esforço não tem uma aparência mais jovem. O certo, é que vai entrar na primeira perfumaria e renovar todo stock, mudando de marca, de loja e até de espelho.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Se lhe damos menos idade, tudo bem, mas cuidado, se a redução for exagerada, tipo saldos em época de crise, acha que a estivemos a gozar, que temos pena dela e reage conforme a primeira situação: <em>XS it’s my name</em>. Claro, que se for muito convencida e com a mania que é eternamente jovem, aceitará de bom grado a idade que lhe demos e ainda reforçará mais a convicção de que está ali para as curvas. Provavelmente, irá também a correr comprar outro top XS; só não o rebenta porque – tal a confiança &#8211; nem sequer o vai experimentar.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Nestas coisas da idade, eu tenho uma técnica matemática para resolver o problema: olho para as mãos e pescoço e se achar que tem 50, tiro-lhe um 3 anos, que é o que ela deve ter, mas como sei que nunca se deve dizer a idade exacta baixo mais 2 ou 3. Assim, faço sempre uma redução de 5/6 anos. Elas ficam felizes e eu faço um brilharete.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<div align="center">
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="5" width="554" align="center">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="552">
<p align="center"><font color="#000080" size="4" face="Arial Black"><strong>4 &#8211; O que achas dela?</strong></font></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table></div>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p align="center"><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/marlene_dietrich-3.jpg"><img style="display:inline;border-width:0;" title="marlene_dietrich.3" border="0" alt="marlene_dietrich.3" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/marlene_dietrich-3_thumb.jpg?w=514&#038;h=641" width="514" height="641" /></a> </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Esta pergunta surge quando antes já houve uma apreciação não muita boa, ou se boa, pelo menos irónica, sobre uma outra figura do sexo feminino, normalmente num restaurante ou num intervalo de um espectáculo. Assim, e tendo em conta que:</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- já criticaram a sai curtíssima da jovem que passou,</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- já fizeram o retrato à exuberância da loura da mesa do lado,</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- já disseram bem, do tipo, para idade está muito boa, cuida-se muito bem, tem um vestido lindíssimo, também pudera, nunca fez nenhum!.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">surge a grande questão. Também aqui, qualquer que seja a resposta a coisa tem probabilidades fortíssimas de nunca correr bem.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Quando a apreciação sobre o outro espécime feminino for negativa – <em>credo, isto lá figura para a idade dela</em> -, se a confirmamos ela faz logo um encolher de ombros, como quem diz: &#8211; Tanga, ia lá uma homem não apreciar aquilo, não precisas de mentir que eu não sou burra. Se não a confirmamos – <em>ah não, ela até está muito bem</em> -, então o caldo entorna de vez : &#8211; <em>Vocês homens são todos iguais, basta ver uma mula de saias e já está tudo bem, só vêem carne, é aflitivo, há um talhante escondido em cada um de vós</em>. O melhor mesmo é dar uma resposta seca – <em>é!</em> –, deixar cair o guardanapo no chão e chamar o empregado para o substituir, com um pouco de sorte o assunto morre.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Quando a apreciação for positiva – <em>realmente</em> <em>a fulana está muito bonita</em> -, nunca se pode confirmar; dizer que sim senhor, que a loura é realmente uma bomba, ainda que as palavras dela tenham sido essas, será a morte do artista, vai sentir-se diminuída e acha que está ali a mais. Temos que dar a volta ao assunto; mas como? Dizer que a tal mulher em causa está mal, que não é nada de especial, fazemos figura de tansos e ela nunca irá acreditar, pior, irá ficar com bicho no sótão se não conheceremos a tal loura de outros carnavais e agora estamos a disfarçar; dizer que sim, que ela está muito boa, é – como já disse &#8211; arrasar com a nossa companhia feminina e contarmos imediatamente com o rosto mais carrancudo durante uns tempos, já para não falar das piadinhas &#8211; <em>ai era boa, olha vai pedir a ela que te ature</em>. O melhor é dizer que sim, que não está mal, mas procurar logo algum defeito na outra, tipo: sim, mas se não fossem as plásticas; ou então, tira-lhe aquela produção toda e vais ver como fica, não te chega aos calcanhares.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="5" width="562">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="560">
<p align="center"><font size="3" face="Verdana"><font color="#000080"><strong><font size="4" face="Arial Black">5 &#8211; O que gostas mais, deste verde seco ou de verde pinho</font></strong>?</font></font></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p align="center"><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/marlen.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="marlen" border="0" alt="marlen" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/marlen_thumb.jpg?w=479&#038;h=545" width="479" height="545" /></a> </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Outra pergunta que, durante anos, me fez pensar que seria&#160; um daltónico compulsivo. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Em determinados momentos, lá vinha a blusa de seda num tom bege fechado, a saia bege caqui, a tinta para o quarto do miúdo azul primaveril ou celestial, para não falar do tal cabelo asa de corvo. Um tormento. Eu só via beje, azul e preto, nada mais; imaginava lá eu que as cores pudessem ter um léxico de adjectivação maior do que o dicionário da Porto-Editora. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Foi preciso ler o tal livro para saber que afinal os homens vêem um número reduzido de cores (máximo 256) porque apenas temos um cromossoma X, que é o responsável pela percepção das cores. As mulheres como têm XX, logo 2, não se contentam só em duplicar, como ainda aumentam exponencialmente as combinações, atirando-se para ordem dos milhares ou dos milhões, já nem sei. Ou seja, nós andamos a ver o mundo de uma forma desbotada, e elas enxergam-no como se tivessem continuamente uma trip de LSD.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Por amor de deus, alguém me consegue explicar a diferença entre branco nenúfar e um branco miosótis? É branco, nada mais.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Nesta, infelizmente, não tenho nenhum esquema para nos safarmos. Quando nos perguntarem sobre a escolha de um tom, que mais parece saído de uma adjectivação do Paulo Coelho, é mesmo fazer um dó li tá, quem está livre, livre está, e zás, fé em Deus, escolher qualquer um. Assim, como assim, a nossa opinião não irá valer nada porque somos uns ceguetas sem sensibilidade nenhuma, e a nossa paleta de cores esgota-se nas camisolas dos clubes de futebol.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="5" width="579">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="577">
<p align="center"><font color="#000080" size="4" face="Arial Black"><strong>6 &#8211; Eu não te disse?!</strong></font></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p align="center"><font color="#000080" size="3" face="Verdana"><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/20389844.jpg"><img style="display:inline;border-width:0;" title="20389844" border="0" alt="20389844" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/20389844_thumb.jpg?w=501&#038;h=634" width="501" height="634" /></a> </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Sempre que tomamos a opção errada – seja ela na escolha de uma direcção ou na compra da nova TV &#8211; esta pergunta sarcástica é da praxe. Ok, é certo que, muitas vezes, elas até atiraram para o ar uns palpites, mas só isso; nunca uma resposta objectiva, tipo, faz isto ou aquilo. Assim, depois de termos tomado uma decisão solitária, e de ouvirmos a sacral questão – eu não te disse? -, somos ainda acusados de não termos seguido os conselhos delas. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Quais Conselhos?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">A situação mais exemplificativa é das viagens e os célebres cruzamentos, os tais que têm a boa sinalética portuguesa, em que nunca sabemos para que lado virar, nos tempos sem gerigonças electrónicas de localização, vulgo GPS. À boa maneira masculina, nunca perguntamos nada a ninguém &#8211; homem que é homem não anda feito mariquinhas logo na primeira esquina a perguntar, <em>ouça lá podia dizer-me onde fica?</em> -, logo somos, muitas vezes, confrontados com um cruzamento, agora uma lindíssima rotunda, em que, entre a buzinadela do parceiro colado a nós e os berros da criançada no assento detrás, temos rapidamente que decidir: por ali ou por aqui.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Claro que passados uns metros, depois da opção, a parceira, ainda com o mapa de pernas para o ar, diz serenamente, não sei se não devias ter ido pelo outro lado. Quando se chega, finalmente, ao falso destino e damos com o nariz na porta, qual é perguntinha, qual é?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Eu não te disse que era melhor teres ido pelo outro lado?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Não, não disse; apenas deu um palpite depois de termos passado o cabo das tormentas.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Bom, e para quem tem GPS, não pensem já que se vão livrar desta cena, porque na primeira oportunidade em que o aparelho falhar, por não estar actualizado, ou porque baralhou os circuitos, sabem o que vão ouvir?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Eu não te disse que ias gastar dinheiro desnecessário nessa geringonça?</font></p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="5" width="561">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="559">
<p align="center"><font color="#000080" size="4" face="Arial Black"><strong>7 &#8211; Gostaste? </strong></font></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana"></font></p>
<p align="center"><a href="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/annex.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="Annex" border="0" alt="Annex" src="http://bap63.files.wordpress.com/2011/11/annex_thumb.jpg?w=567&#038;h=567" width="567" height="567" /></a> </p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Não, não gostei. Foi péssimo.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ou então: &#8211; Ah, já tive melhores.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">O que aconteceria se um dia nós déssemos essa resposta? Patins e ala que se faz tarde. Então porque teimam em fazer uma pergunta, quando a resposta só pode ser, gostei, foi muito bom?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Para os mais maldosos não pensem que estou apenas a falar num assunto de lençóis; não nos faltam outras ocasiões em que a pergunta também aparece. Quando?</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Quando nos oferecem a gravata ou camisola que elas acharam giríssima e que era a nossa cara. Até podia ser, o problema é que nós fizemos uma plástica naquele dia, e há uma distância abismal entre aquilo que elas pensam que é a nossa cara e a que efectivamente temos.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Quando nos preparam um prato com todo o carinho &#8211; uma receita nova que vi na televisão &#8211; e depois aquilo sai para o torto, para não dizer para o azedo. Comemos, sorrimos, quase tão amarelos como o raio do refogado lá com umas ervas zen que vieram do fim do mundo, e abanamos com a cabeça afirmativamente. Sim, porque se ousamos proferir oralmente o verbo, ainda nos sai a comida que andamos ali a enrolar de um lado para o outro, como que anestesiar o estômago. </font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">- Quando nos levam a passear a um local especial, que, por acaso, fica mesmo a caminho duma boa rua de compras. Já nos bastava a seca de termos percorrido 100 metros em 3 horas ainda vamos ter que fingir que foi uma querida.</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Assim, voltamos a ter um problema grave no tipo de resposta &#8211; se ficar o bicho come, se correr o bicho pega -, ou seja, como dizer a coisa sem nos esparramarmos ao comprido. O melhor é volta às combinações:</font></p>
<p><font color="#000080"><font size="3"><font face="Verdana"><strong><font color="#ff0000">- Não gostar e mentir descaradamente</font></strong> – Não dá certo, as mulheres nascem com um aparelho especial para detectar algumas mentiras dos homens e esta é uma delas. Ainda não vem nos manuais de anatomia, porque é um dos grandes mistérios da humanidade, mas qualquer cientista afirma que sim, que elas têm um radar muito avançado para a detecção de mentiras muitos especiais, só que eles ainda não o localizaram para o patentear e fazer umas versões masculinas; cá para mim deve ser uma espécie de glândula pituitária com frequências hertzianas, ou qualquer coisa do género. Assim, se mentir, seja meiguinho nos adjectivos; se puser muito molho numa situação destas, elas vão logo dizer: &#8211; <em>eu já sabia, eu já sabia que estavas a fazer o frete, pronto, acabou, daqui já não levas mais</em>.</font></font></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">.</font></p>
<p><font color="#000080"><font size="3"><font face="Verdana"><strong>- <font color="#ff0000">Não gostar e dizer a verdade</font></strong> – Morte do artista. Se for numa situação de cama, a probabilidade de levar um estalo e estar no hall de entrada com as cuecas na mão cresce exponencialmente; ou então, terá uma sessão de choro pela certa. Se for numa outra situação menos libidinosa, uns gestos bruscos, em tirar a prenda das mãos ou o prato da mesa, umas portas a bater com força e uma penúria total de boa disposição, ao nível de uma prisão perpétua, estão garantidos.</font></font></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Mas aqui entre nós, que elas não nos ouvem <font color="#0000ff">(ok, eu sei que elas ouvem e bem, é outro dos radares morfológicos femininos, não sei para que compram aparelhos de fazer escutas telefónicas, qualquer mulher a pouco mais de 50m capta tudo, não só do que alguém disse, mas do que um batalhão inteiro falou; acho que é outra coisa que vem nos livros e no tal cortex, elas podem prestar atenção a milhentas coisas ao mesmo tempo)</font>, comer e dizer que não se gosta, não é sinceridade é má educação. Portanto esta hipótese está fora de questão, antes a mentira e a ironia delas por saberem que estamos a mentir, do que a alarvidade da honestidade.</font></p>
<p><font color="#000080"><font size="3"><font face="Verdana"><strong><font color="#ff0000">Gostar e dizer a verdade</font></strong> – Quando se gosta é mesmo a melhor e a única situação. Mas atenção, nada de exageros, porque se floreiam muito a coisa volta a dar para o torto, fazem uma birrinha a dizerem que as estamos a gozar, que não as levamos a sério, etc. Claro que uma birrinha na cama tem sempre um final feliz, com o desculpa meu xuxuzinho, o menino fez dódoi, vou dar beijinho, etc e tal.</font></font></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">.</font></p>
<p><font color="#000080"><font size="3"><font face="Verdana"><strong><font color="#ff0000">Gostar e mentir</font></strong> – Bom, esta ou vem de algum cavalheiro com poucos princípios, que tem prazer em torrar a paciência aos outros, neste caso às outras, ou então só serve como último recurso para um outro fim. Qual?</font></font></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Imagine que o tal prato foi uma receita da mãe dela e que o cavalheiro não pode com a velha, perdão, a senhora, então, nesse caso, é melhor deitar abaixo a iguaria, não venha ainda a dita lá para casa fazê-la todos os dias. Sim, porque a seguir a dizer que se gosta muito, vem logo o: &#8211; <em>mas mãe ainda faz melhor, qualquer dia convida-a para te fazer esse petisco cá em casa.</em></font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">Ao contrário das outras, esta não é uma mentira piedosa, mas sim um certificado de qualidade à nossa paz de espírito.</font></p>
<p align="center"><font color="#000080" size="3" face="Verdana">****</font></p>
<p><font color="#000080" size="3" face="Verdana">E é tudo, folks! O que disse acima, apesar de ser uma certa sátira irónica, não deixa de contemplar e realçar algumas das características da sensibilidade feminina face à bronquice da percepção masculina. Pode parecer que não, mas por detrás disto tudo está um certo elogio ao complexo e misterioso universo feminino (olha eu a limpar-me!!).</font></p>
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